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Carreira7 fevereiro 2026

Veja como vínculos entre pares pode auxiliar a jornada exaustiva da residência

A residência médica é exaustiva e aumenta o risco de burnout. Veja como vínculos entre residentes podem ajudar

A residência médica constitui uma das etapas mais cruciais da vida profissional do médico. É nesse período que o profissional aprofunda seus conhecimentos na área de interesse e se forma como especialista. No Brasil, dependendo da especialidade, o ingresso na residência é um dos concursos mais concorridos do país.

Os desafios começam antes mesmo do início da jornada. Primeiro, a disputa pela aprovação no chamado “segundo vestibular” da Medicina, muitas vezes em instituições de grande prestígio. Depois da conquista da vaga, surge um novo desafio: sobreviver à residência médica.

Apesar do glamour frequentemente associado ao título de residente, sabe-se que esse é um dos períodos mais exaustivos da carreira médica, especialmente para profissionais com pouco tempo de formação.

 

Um novo universo profissional

Ao ingressar na residência, o médico se depara com um novo ambiente: hospital diferente, novos colegas, alta demanda de estudo, cobrança por desempenho técnico e, sobretudo, uma jornada de trabalho longa e intensa.

Essa rotina precisa ser conciliada com plantões extracurriculares e vida pessoal, o que nem sempre é possível. Como consequência, observa-se um aumento significativo de casos de burnout entre médicos residentes, tornando a saúde mental uma questão relevante de saúde pública.

 

Como amenizar o desgaste da residência?

A criação de vínculos em duplas durante a residência médica pode auxiliar a aliviar a tensão durante esse período. Os residentes do mesmo ano, ou de anos diferentes, vivenciam o mesmo contexto profissional, o que pode ajudar no alívio das pressões e desafios da residência médica.

O estímulo à relação de duplas no ambiente da residência médica deve ser feito com intuito de promover alguns benefícios como:

  • Promoção do bem-estar, ao compartilhar experiências semelhantes;
  • Ambiente mais seguro, no qual os residentes se sentem confortáveis para dividir medos, inseguranças e dificuldades, sem julgamentos;

  • Apoio na tomada de decisões, especialmente em situações de estresse;

  • Fortalecimento de vínculos pessoais, que podem se estender para além do ambiente profissional, beneficiando também a vida pessoal do residente.

Essa relação pode aumentar o engajamento do residente, reduzir o estresse cotidiano e contribuir para um ambiente de trabalho mais acolhedor durante a residência médica.

Estratégias para estimular vínculos entre residentes

Algumas estratégias podem ser adotadas com o intuito de divulgar tal prática e tornar os anos de residência médica mais amenos, como estimular a adoção de duplas pré-estabelecidas entre residentes do primeiro ano com os do segundo ano ou então deixá-los formarem as duplas por si só de modo que eles escolham os pares com maior afinidade.

Além disso, é interessante gerar encontros regulares entre os residentes para troca de ideias e experiências, promoção de eventos sociais e workshops; estimular o uso de plataformas digitais para promover maior conexão entre os residentes e aulas para ensinar aos residentes técnicas e habilidades sobre empatia e escuta ativa com o próximo.

O desafio da saúde mental na residência

Apesar dos benefícios, um dos principais obstáculos ainda é a dificuldade de falar abertamente sobre saúde mental. Reconhecer que a residência médica é uma fase crítica da vida profissional e acolher o residente deveria ser uma responsabilidade compartilhada por todos os supervisores e preceptores envolvidos na formação especializada.

Normalizar o cuidado com a saúde mental é essencial para prevenir o esgotamento emocional e garantir uma formação mais saudável.

Conclusão

A formação de vínculos em duplas é uma estratégia simples, mas potente, que pode ser mais amplamente incorporada à rotina da residência médica. Ao promover apoio, acolhimento e compartilhamento de experiências, essa prática contribui para a prevenção do burnout e para uma formação profissional mais humana e sustentável.

Cuidar de quem está se formando também é parte fundamental da boa prática médica.

Autoria

Foto de Juliane Braziliano

Juliane Braziliano

Médica graduada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Residência de Endocrinologia e Metabologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Residência de Clínica Médica pelo Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE). Editora-médica de Endocrinologia do Portal Afya.

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