Médicos formados fora do Brasil precisam revalidar o diploma antes de solicitar o registro no CRM e exercer a profissão no país. Um dos principais caminhos para isso é o Revalida INEP, exame nacional aplicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira.
O processo envolve duas etapas eliminatórias: uma prova objetiva e uma prova prática no formato OSCE. Depois da aprovação, o candidato ainda precisa cumprir fases administrativas, como o apostilamento do diploma por uma instituição pública parceira e o registro no Conselho Regional de Medicina.
Por isso, entender como funciona o Revalida é essencial para planejar a preparação, os prazos, os custos e os próximos passos até a regularização profissional no Brasil.
A seguir, veja quem pode fazer o Revalida INEP, como são as etapas do exame, quanto custa a inscrição, o que acontece após a aprovação e como se preparar.

O que é o Revalida INEP
O Revalida INEP é o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Universidades Estrangeiras, organizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), vinculado ao Ministério da Educação (MEC).
O exame avalia se médicos formados fora do Brasil demonstram conhecimentos, habilidades e competências compatíveis com as exigências da formação médica brasileira.
Antes de o INEP centralizar o processo, cada universidade federal brasileira podia revalidar diplomas estrangeiros de forma independente. O resultado era fragmentação: critérios distintos por instituição, prazos longos e acúmulo de pedidos sem resolução. O Revalida substituiu esse sistema por uma única prova aplicada simultaneamente em diversas cidades, com os mesmos critérios para todos os candidatos e certificação diretamente pelo INEP.
O exame acontece duas vezes por ano, tem duas etapas eliminatórias e, após aprovação, inicia uma sequência administrativa que culmina no registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) do estado onde o médico pretende atuar.
Quem pode fazer o Revalida INEP?
Podem fazer o Revalida INEP médicos brasileiros ou estrangeiros que tenham concluído a graduação em medicina em uma instituição de educação superior estrangeira e queiram revalidar o diploma para atuar no Brasil.
Para participar, o candidato precisa cumprir os requisitos do edital vigente, apresentar a documentação exigida no Sistema Revalida e comprovar a conclusão do curso médico no exterior.
Médicos com diplomas de universidades brasileiras não podem fazer o Revalida. Eles seguem o caminho regular de registro no CFM após a colação de grau, sem necessidade de revalidação.
Não há exigência de experiência profissional mínima nem de ano de conclusão do curso. O diploma basta como pré-requisito formal. A documentação completa para inscrição varia entre edições e está detalhada no edital de cada uma.
Como funciona o Revalida
O Revalida tem duas fases eliminatórias. É obrigatório ser aprovado na primeira para ter acesso à segunda.
Primeira etapa: prova objetiva
A primeira fase é uma prova com 100 questões de múltipla escolha (4 alternativas, 1 correta), distribuídas igualmente entre cinco grandes áreas — 20 questões por área:
- Clínica Médica
- Cirurgia Geral
- Ginecologia e Obstetrícia
- Pediatria
- Medicina de Família e Comunidade / Saúde Coletiva
Duração: 5 horas, aplicada no turno da tarde. A prova é presencial, em cidades definidas pelo INEP a cada edição.
Até a edição 2025/1, a primeira fase incluía também 5 questões discursivas, aplicadas em turno separado (manhã, 4 horas), totalizando uma pontuação máxima de 150 pontos (objetiva + discursiva). A partir da edição 2025/2, as questões discursivas foram eliminadas da primeira fase. A competência de produção escrita passou a ser avaliada dentro da segunda fase (OSCE), em estações que incluem tarefas como elaboração de laudo, atestado, encaminhamento e relato de plantão.
Segunda etapa: prova prática no formato OSCE
A segunda fase é o formato OSCE (Objective Structured Clinical Examination — Exame Clínico Estruturado por Objetivos). O candidato passa por 10 estações clínicas, distribuídas em 2 dias consecutivos (5 estações por dia), com 10 minutos por estação.
Cada estação simula uma situação clínica real com paciente simulado (ator treinado) ou manequim. As tarefas variam por estação: anamnese, exame físico, comunicação de diagnóstico ao paciente, prescrição, ou combinação de duas ou mais dessas atividades. A partir de 2025/2, algumas estações incluem componente escrito (laudo, atestado ou encaminhamento).
São 2 estações por cada uma das 5 grandes áreas. A pontuação total é de 100 pontos (10 pontos por estação). Avaliadores treinados pontuam com base em checklist padronizado e definido antes da aplicação — não há subjetividade de avaliador para avaliador.
O que o INEP avalia no Revalida?
O Revalida avalia se o candidato demonstra conhecimentos, habilidades e competências compatíveis com o exercício da medicina no Brasil, considerando os princípios e as necessidades do Sistema Único de Saúde.
Na primeira fase, cada questão parte de um cenário clínico: sintomas, exames, contexto. O candidato precisa identificar o problema e decidir a conduta. Questões de definição pura são raras; a maioria exige aplicação de conhecimento a uma situação específica.
Na segunda fase, a avaliação inclui dimensões que a prova escrita não alcança: postura no atendimento, sequência lógica do exame físico, precisão nas ações, capacidade de comunicar diagnóstico e conduta ao paciente de forma compreensível. Candidatos com prática clínica intensa e recente têm vantagem estrutural nessa etapa.
Taxa de inscrição e isenção
A taxa de inscrição do Revalida é definida no edital de cada edição e deve ser paga por meio de Guia de Recolhimento da União (GRU), dentro do prazo informado pelo INEP.
| Etapa | Valor (desde 2022) |
| 1ª fase | R$ 410,00 |
| 2ª fase | R$ 4.106,09* |
*Valor confirmado em fontes especializadas; verificar no edital oficial de cada edição.
Existe isenção no Revalida?
O Revalida não tem isenção por critério de renda familiar (diferente do ENEM, por exemplo). A isenção é situacional — candidatos afetados por problemas logísticos em edição anterior ou por situações excepcionais previstas em portaria específica podem solicitar isenção na edição seguinte. O critério e o prazo de solicitação constam no edital de cada edição.
Cronograma e edições
O INEP aplica o Revalida duas vezes por ano. As edições são identificadas pelo ano e sequência (ex: 2025.1, 2025.2). O padrão histórico das edições recentes:
| Etapa | 1ª edição do ano | 2ª edição do ano |
| Edital e inscrições | Janeiro/fevereiro | Julho/agosto |
| Encerramento das inscrições | Fevereiro/março | Agosto/setembro |
| Aplicação da 1ª fase | Março/abril | Outubro/novembro |
| Gabarito preliminar | Abril/maio | Novembro/dezembro |
| Aplicação da 2ª fase | Junho/julho | Janeiro/fevereiro (ano seguinte) |
| Resultado final | Julho/agosto | Março/abril (ano seguinte) |
O INEP não publica o calendário anual completo antecipadamente. Cada edição tem edital próprio. Acompanhar o portal oficial (gov.br/inep) é a fonte primária para novos editais.
O que acontece após a aprovação no Revalida
Aprovação no Revalida não habilita automaticamente o exercício da medicina. Depois de ser aprovado nas duas etapas, o candidato ainda precisa concluir a revalidação formal do diploma e solicitar o registro profissional no CRM.
- Escolha da IES revalidadora: o INEP abre janela (geralmente de poucos dias via Sistema Revalida) para o aprovado indicar a universidade pública federal parceira que realizará o apostilamento do diploma.
- Apostilamento pela universidade: a IES é responsável pela revalidação formal do diploma estrangeiro. O prazo legal é de até 60 dias após a entrega da documentação pelo candidato à instituição.
- Registro no MEC: após o apostilamento, o diploma é registrado junto ao Ministério da Educação: exigência legal para o exercício da medicina no Brasil.
- Registro no CRM: com o diploma revalidado e registrado no MEC, o médico solicita registro no Conselho Regional de Medicina do estado onde pretende atuar. O prazo de processamento varia por estado — em média 20 a 30 dias úteis adicionais.
O tempo total estimado da inscrição na primeira fase até o registro efetivo no CRM é de 12 a 18 meses, considerando a duração do processo seletivo (ambas as fases), o apostilamento na IES e o processamento no CRM.
Médicos que queiram atuar em outros estados após o registro precisam solicitar inscrição secundária no CRM de cada estado adicional, processo separado e independente do Revalida.
Como se preparar para o Revalida
Como estudar para a prova objetiva
A preparação para a primeira etapa deve começar pelo edital e pelas provas anteriores. O INEP disponibiliza publicamente provas e gabaritos de todas as edições no portal oficial. Analisar o raciocínio por trás de cada alternativa e mapear os temas de maior incidência rende mais do que estudar linearmente o conteúdo das cinco áreas.
Clínica Médica historicamente concentra o maior peso entre as áreas, seguida por Pediatria e Ginecologia/Obstetrícia. Medicina de Família e Comunidade/Saúde Coletiva tende a ter foco em atenção primária, prevenção e saúde pública, área que médicos com formação centrada em especialidades hospitalares costumam subestimar.
Como se preparar para o OSCE
Para a segunda fase, preparação teórica não é suficiente. Simulações de OSCE com feedback de avaliadores experientes fazem diferença real. Candidatos com prática clínica ativa e recente chegam à segunda fase com vantagem estrutural — quem ficou período longo fora da prática clínica vai precisar de mais estrutura de preparação para recuperar a fluência em atendimento.
Um ponto que candidatos subestimam: a segunda fase é aplicada em poucas cidades, o que implica deslocamento e hospedagem. Planejar a logística logo após confirmar aprovação na primeira fase evita imprevistos que afetam a concentração na semana da prova.
Para mais detalhes sobre estrutura de prova, número de questões, notas de corte por edição e cronograma completo, veja [/carreira/revalida-inep-provas-etapas-cronograma].
Perguntas frequentes
O que é o Revalida INEP?
O Revalida INEP é o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Universidades Estrangeiras, organizado pelo INEP. É o processo oficial para que médicos formados fora do Brasil possam exercer a medicina legalmente no país.
Quem pode se inscrever no Revalida?
Qualquer pessoa com diploma de medicina expedido por universidade estrangeira, brasileira ou estrangeira, com visto regular no Brasil. Não há exigência de experiência mínima nem de data de formatura. Médicos com diplomas de universidades brasileiras não podem participar.
Como funciona o Revalida?
O Revalida tem duas fases. A primeira é uma prova com 100 questões de múltipla escolha (5 horas) sobre cinco grandes áreas médicas. A segunda fase é prática, no formato OSCE, com 10 estações de 10 minutos cada, distribuídas em 2 dias. Aprovado nas duas fases, inicia-se a sequência administrativa de apostilamento e registro.
Quanto custa o Revalida?
A taxa da primeira fase é de R$ 410,00 (desde 2022). A taxa da segunda fase é de aproximadamente R$ 4.106,09. Isenção não é por critério de renda — é situacional, conforme cada edital. Verificar no edital oficial de cada edição.
Quantas vezes por ano o Revalida é aplicado?
Duas vezes por ano. Cada edição tem edital e calendário próprios. Não há limite de tentativas.
Depois de aprovado no Revalida, o médico pode trabalhar imediatamente?
Não. A aprovação inicia uma sequência administrativa: escolha da IES revalidadora → apostilamento (até 60 dias) → registro no MEC → registro no CRM. O tempo total entre aprovação e registro efetivo no CRM é de 20 a 30 dias úteis adicionais após o apostilamento. O processo completo da inscrição até o CRM leva em média 12 a 18 meses.
Qual a taxa de aprovação no Revalida?
Historicamente, entre 10% e 28% dos presentes passam pela primeira fase. A segunda fase tem taxa de aprovação que variou de 10% (2023/2) a 60% (2025/1, edição atípica). A taxa de aprovação final (do total de inscritos até a aprovação completa) historicamente fica entre 5% e 15%.
Autoria

Redação Afya
Produção realizada por jornalistas da Afya, em colaboração com a equipe de editores médicos.
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