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Carreira12 março 2025

Residência em Cirurgia Pediátrica: guia completo da especialização

Descubra como funciona a formação, os desafios e as oportunidades em uma das especializações mais dinâmicas e essenciais da medicina
Por Redação Afya

O tratamento cirúrgico de pacientes do período neonatal até a puberdade cabe ao Cirurgião Pediátrico. Com área de atuação abrangente, o médico que deseja ingressar na Residência em Cirurgia Pediátrica deve ter em mente que será necessário constante atualização para ser capaz de atender tanto casos de rotina quanto emergenciais. Isso porque, muitas vezes, os casos que pedem o envolvimento de um cirurgião pediátrico envolvem vários sistemas e/ou estão relacionados com doenças complexas que exigem atuação em conjunto com outras especialidades. 

Como afirma a declaração da Federação Mundial de Associações de Cirurgiões Pediátricos (WOFAPS): “A criança não é apenas um adulto em miniatura e apresenta problemas e necessidades médicas e cirúrgicas, muitas vezes bastante diversas daquelas encontradas pelo médico adulto.” 

Devido à complexidade do campo, a formação mínima para obter o título de especialista em Cirurgia Pediátrica costuma variar de 5 a 7 anos. De acordo com a Associação Brasileira de Cirurgia Pediátrica (CIPE), além de cumprir o pré-requisito de formação anterior em programa de residência médica na área de Cirurgia Básica (2 anos) ou Cirurgia Geral (3 anos), o médico deverá cursar o Programa de Residência em Cirurgia Pediátrica, que por sua vez tem duração de três anos, com mais um ano opcional de estágio em Centros de Aperfeiçoamento credenciados pela CIPE (Queimados, Cirurgia Pediátrica Oncológica, Cirurgia Pediátrica Torácica e Cirurgia Pediátrica Urológica).  

cirurgiões trabalhando em sala de cirurgia

Residência em Cirurgia Pediátrica 

Atualmente existem 53 centros de residência espalhados pelo Brasil, mas apenas 14 Unidades Federativas contam com pelo menos um (Bahia, Ceará, Distrito Federal, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catariana, São Paulo). 

O estado de São Paulo possui a maior concentração de Programas de Residência em Cirurgia Pediátrica, 19, seguido pelo estado do Rio de Janeiro, com 7. Adicionalmente as restrições de localidade na oferta da especialização, a maioria dos programas não oferece mais do que 2 ou 3 vagas de residência.  

Importante frisar que não importa a instituição escolhida, seja o Hospital Universitário Pedro Ernesto no Rio de Janeiro, a Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP ou a UNIFESP é preciso que o médico estude com cuidado todas as características de cada programa de residência e do local de trabalho para confirmar que ele se adequa ao que o médico deseja e espera da especialização. 

Além disso, é sempre bom lembrar que é necessário se preparar e analisar com atenção cada edital de seleção e ficar atento aos requisitos e datas de inscrição e provas. 

Programas de Residência em Cirurgia Pediátrica 

A Resolução nº 7, de 30 de dezembro de 2020, da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) define a matriz de competências para Programas de Residência em Cirurgia Pediátrica. 

A matriz de competências é o conjunto de objetivos de aprendizado que construirão a capacidade do médico residente em realizar o atendimento, diagnóstico e o tratamento das principais enfermidades que afligem os pacientes contemplados pela especialidade. A matriz define os conhecimentos a serem adquiridos pelo residente e avaliados pela instituição durante cada ano de residência. A lista de habilidades que o médico residente deve dominar é extensa, mas a seguir apresentamos alguns dos tópicos separados por ano de atuação. 

R1 

  • Conhecimentos sobre: anatomia cirúrgica das regiões cervical, do tórax e do abdome do paciente pediátrico; metabolismo cirúrgico do paciente pediátrico e equilíbrio hidroeletrolítico; mecanismo de cicatrização das feridas operatórias; complicações pós-operatórias mais frequentes nos procedimentos de baixa complexidade e respectivas condutas terapêuticas; patógenos prevalentes nas complicações e uso de antibióticos; dosagem de drogas em função do peso do paciente.  
  • Compreender técnicas de suporte nutricional, de anamnese e exame físico, preparo pré-operatório nas cirurgias eletivas e nos casos de urgência/emergência de baixa complexidade.  
  • Avaliação de exames de radiografia, tomografia computadorizada e de ressonância magnética. 
  • Dominar o diagnóstico, o tratamento cirúrgico e o seguimento pós-operatório, de procedimentos de baixa complexidade  
  • Manter e estabelecer relação ética e respeitosa com colegas do serviço, outros profissionais de saúde, pacientes e seus familiares.  
  • Entre outras habilidades. 

R2 

  • Conhecimento sobre embriologia das estruturas das regiões cervical, do tórax, do abdome, do períneo e dos genitais, peculiaridades dos recém-nascidos e lactentes.  
  • Dominar opções de técnicas cirúrgicas em procedimentos de baixa e média complexidade, bem como ser capaz de avaliar possíveis eventos adversos intra e pós-operatórios. 
  • Manuseio de equipamento para cirurgias vídeo assistidas e instrumentos cirúrgicos permanentes e descartáveis.  
  • Posicionamento adequado do paciente para a cirurgia e inserção correta dos instrumentos endoscópicos para os procedimentos mais comuns.  
  • Ser capaz de realizar pesquisa clínica nas bases de dados científicas e analisar a metodologia científica, realizar apresentações em sessões clínicas e formulação de trabalhos científicos.  
  • Realizar o diagnóstico, os tratamentos clínico e cirúrgico e o seguimento pós-operatório de procedimentos de média complexidade como, por exemplo, Fístulas e cistos da região cervical; Empiemas complicados; Invaginação intestinal; Apendicectomia por videolaparoscopia; Abdome agudo obstrutivo; Reabordagem cirúrgica do abdome; Cistos de colédoco; Anomalias anorretais baixas; Correção de refluxo gastresofágico; Distopia testicular alta; Hipospadias distais; Nefrectomia aberta; Colecistectomias; Enterectomias; Enteroanastomose manual e mecânica; Ooforectomia; Esplenectomia aberta; Cistorrafia; Íleo e colostomia.  
  • Entre outras habilidades. 

R3 

  • Dominar o manejo clínico de pacientes complexos e críticos com necessidade de cuidados em unidade de terapia intensiva, o diagnóstico e a resolução de complicações perioperatórias.  
  • Ser capaz de realizar o diagnóstico, o tratamento cirúrgico e o seguimento pós-operatório de procedimentos de alta complexidade como, por exemplo, cirurgia neonatal (atresia de esôfago e outras atresias do tubo digestivo, malformações da parede abdominal, malformações bronco pulmonares, hérnia diafragmática congênita); atresia de vias biliares; sequestro pulmonar; e hipertensão portal.  
  • Conseguir avaliar a biologia, a história, os protocolos terapêuticos e o tratamento cirúrgico dos tumores mais frequentes da infância: neuroblastoma; tumor de Wilms; linfomas Hodgkin e não Hodgkin; neoplasias malignas do fígado; sarcomas de partes moles; tumores adrenais; tumores de células germinativas e outros.  
  • Tomar decisões sob condições adversas, com controle emocional e equilíbrio, aplicando liderança para minimizar eventuais complicações, mantendo consciência de suas limitações. 
  • Entre outras habilidades. 

Título de especialista em Cirurgia Pediátrica 

Após a aprovação final na residência, o médico estará habilitado para prestar o exame de título realizado pela Associação Brasileira de Cirurgia Pediátrica (CIPE) e, passando na prova, obter o seu Título de Especialista em Cirurgia Pediátrica. 

O cirurgião pediátrico 

Além da complexidade inerente aos pacientes, a especialidade requer uma infraestrutura sólida para prática eficiente, como equipamentos e materiais adequados aos pacientes pediátricos e unidades de suporte adaptadas as necessidades dessa população. 

O cirurgião pediátrico também possui uma rotina intensa, marcando presença não só no centro cirúrgico, mas também em unidades de terapia intensiva, setores de emergência e realizando avaliações em pacientes ambulatoriais. Fora a carga de trabalho o especialista em cirurgia pediátrica deve lidar com o lado emocional de tratar um grupo de pacientes vulneráveis. 

Dados da Demografia Médica 2023 indicavam 1.534 Cirurgiões Pediátricos no Brasil, com uma distribuição deficiente pelo território brasileiro, com alta concentração de profissionais nas regiões Sudeste e Sul (onde estão a maioria dos programas de residência da especialidade). Já o Panorama da Residência Médica: Oferta, Evolução e Distribuição de Vagas (2018-2024) apontava 185 residentes da especialidade em 2024, sendo 60 em R1. 

Das áreas de atuação do cirurgião pediátrico 

Embora não existam subdivisões na especialidade, a CIPE lista algumas áreas nas quais o Cirurgião Pediátrico normalmente atua: 

  • Pré-natal: diagnóstico de malformações congênitas, correção cirúrgica após o nascimento ou mesmo procedimento cirúrgico ainda no útero (Cirurgia Fetal). 
  • Neonatal: atendendo pacientes desde o nascimento até o vigésimo oitavo dia de vida. 
  • Cirurgia Pediátrica Geral: tratando malformações congênitas ou outras patologias de caráter eletivo ou de urgência. 
  • Cirurgia Pediátrica Urológica: ações relacionadas com doenças do sistema urinário. 
  • Cirurgia Pediátrica do Trauma: dentro de serviços de emergência, para tratamento de crianças politraumatizadas. 
  • Cirurgia Pediátrica Oncológica: sendo capaz de fornecer o tratamento cirúrgico oncológico diferenciado necessário para esse público. 
  • Cirurgia Pediátrica Videolaparoscopia: quando habilitado para realizar essa técnica cirúrgica que necessita de treinamento específico e intensivo do profissional 
  • Cirurgia Pediátrica Robótica: assim como a videolaparoscopia, uma técnica cirúrgica que necessita de um treinamento específico e intensivo. 

Remuneração 

Os ganhos pelo trabalho de um Cirurgião Pediátrico podem variar de acordo com a localidade, o vínculo de trabalho, experiência do profissional e os tipos de atendimentos que costuma realizar. Contudo, o Panorama Financeiro do Médico, pesquisa realizada pelo Research Center da Afya, indicou que médicos nas especialidades cirúrgicas possuíam uma média de renda líquida mensal no valor de R$ 22.151,64 em 2022, trabalhando em média 64,1 horas por semana. 

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