Logotipo Afya
Anúncio
Carreira16 outubro 2026

Médicos buscam mais por tratamento e manejo ao usar IA na prática clínica

Estudo do JAMA indica diferenças no uso de IA na prática clínica por especialidade e experiência entre profissionais dos EUA
Por Bruna Lupp

Um estudo publicado no JAMA em 15 de outubro de 2026 investigou o uso de IA na prática clínica entre profissionais dos Estados Unidos. A análise examinou perguntas enviadas à OpenEvidence para identificar perfis de usuários e temas de interesse clínico.

A pesquisa transversal considerou registros de janeiro de 2024 a junho de 2026. Foram incluídos usuários com identificação profissional verificada e ao menos uma pergunta enviada à plataforma.

Consultas sobre tratamento representam 33,1% das perguntas médicas na prática clínica

Entre as consultas feitas por médicos, 33,1% abordaram tratamento e manejo, enquanto 13,9% se concentraram em diagnóstico. Outras 14,1% buscaram informações sobre medicamentos, evidenciando os principais assuntos pesquisados.

Perguntas voltadas à tomada de decisão clínica representaram 51,9% das consultas médicas. O estudo classificou a finalidade dessas buscas, mas não verificou se as respostas modificaram condutas ou desfechos assistenciais.

Saiba mais: Entenda como a IA pode apoiar a prática clínica com segurança

Profissionais de saúde somam 952 mil usuários analisados

O grupo analisado reuniu 952.008 profissionais de saúde usuários da plataforma, incluindo 556.200 médicos, equivalentes a 58,4% do total. Também compreendeu profissionais de enfermagem de prática avançada, assistentes médicos, farmacêuticos e outros profissionais licenciados.

Ao todo, esses usuários enviaram 271 milhões de perguntas no período, caracterizando o volume registrado na plataforma. A classificação dos assuntos utilizou amostra aleatória estratificada de 38,8 milhões de consultas, correspondente a 14,4% do total. O processo foi realizado por um modelo de linguagem, cuja concordância com avaliadores clínicos foi examinada em uma subamostra de 200 perguntas. 

Saiba mais: O que médicos recém-formados precisam saber sobre IA generativa na prática clínica

Como o uso varia entre especialidades médicas?

Entre os médicos, a participação nas perguntas variou conforme tempo de carreira e especialidade. Aqueles com até 10 anos de formação, desde a graduação em medicina, representaram 24,3% da força de trabalho médica, mas responderam por 61,8% das consultas.

Oncologia e hematologia, clínica médica e medicina de família concentraram proporções de perguntas superiores à sua representação profissional. Os pesquisadores também identificaram buscas sobre assuntos externos à própria especialidade, inclusive entre especialistas.

Leia mais: Pesquisa revela que médicos já usam IA na saúde, mas ainda temem erros clínicos

Limitações

A análise de IA na prática clínica abrangeu dados de uma única plataforma, o que limita a generalização dos resultados. Os registros também não distinguem perguntas feitas durante atendimentos daquelas realizadas em preparação clínica ou fora desse contexto.

Os autores propõem avaliar ferramentas de IA em questões sobre tratamento e medicamentos, compatíveis com as buscas observadas. Também destacam a necessidade de relacionar seu uso às decisões clínicas e aos resultados dos pacientes.

Nota sobre conflitos de interesse: três autores declararam trabalhar na OpenEvidence, incluindo seu diretor médico. A empresa forneceu dados e participou da análise.

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Bruna Lupp

Bruna Lupp

Editora de Conteúdo Sr. Formada em Letras pela UFRJ e pós-graduada em Gestão de Projetos. Atuante na produção de conteúdo médico há 10 anos.

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Referências bibliográficas

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Leia também em Saúde