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Carreira2 junho 2026

Estratégias de estudo em medicina: 5 métodos para fazer anotações mais eficientes

Estratégias de estudo em medicina ajudam a organizar anotações, melhorar a retenção e transformar aulas em material útil de revisão

Mais do que copiar slides, criar o hábito de anotar com método pode melhorar o desempenho do estudante de medicina.

Se você estuda medicina hoje, já deve saber bem como funciona a rotina para acompanhar uma aula teórica na faculdade. Um slide novo aparece no projetor, um clique registra a tela com as informações e, no fim do dia, a galeria do celular está lotada com fotos que muitas vezes não serão revistas.

A sensação de ter todo o conteúdo ensinado salvo na palma da mão acaba substituindo, em muitas aulas, o trabalho mental de transformar informação em conhecimento por meio de anotações manuscritas e estruturadas. É nessa diferença entre registrar e aprender que o estudo pode se perder e se tornar mais complexo com o acúmulo de matérias.

A literatura e a prática educacional na medicina mostram que alunos que desenvolvem boas habilidades de tomada de notas costumam ter melhor desempenho acadêmico, participar mais das aulas e reter melhor as informações relevantes. Isso acontece porque anotar força a seleção e a organização do conteúdo, além de antecipar a forma como o estudante vai raciocinar diante de uma prova ou de um paciente.

Essa dificuldade de organizar e transformar uma aula em suas próprias palavras obriga o estudante a decidir o que é realmente importante e o que é acessório, a criar relações entre conceitos que parecem distintos e a esboçar estruturas como listas de diagnósticos diferenciais e relações entre fisiopatologia e sinais clínicos.

Por que fazer anotações melhora o estudo em medicina?

Anotar é uma estratégia simples de estudo que ativa operações cognitivas importantes para a fixação do conteúdo, como classificar, comparar, definir e exemplificar informações.

Ao final, a anotação bem-feita também se torna um material de revisão, reduzindo a necessidade de rever uma aula inteira ou reler um capítulo completo quando o estudante está próximo do período de provas.

Anotação em papel ou digital?

Depende. Pesquisas como a de Pyörälä et al. mostram que dispositivos móveis, como tablets e celulares, podem desempenhar as mesmas funções de codificação e armazenamento das anotações que o papel e a caneta, desde que usados para anotações ativas.

As ferramentas digitais fazem parte do material diário dos estudantes de medicina e facilitam buscas durante as anotações. Também permitem integrar imagens aos textos e navegar entre páginas de forma não linear, como acontece em uma anotação em papel. A desvantagem está no risco de usar os dispositivos apenas para fotografar ou transcrever conteúdos.

Para quem usa tablet no dia a dia das aulas, uma alternativa é combinar a caneta digital com recursos ou aplicativos que permitam desenhar, organizar e conectar ideias presentes na imagem às informações transmitidas oralmente pelo professor. O ideal é não se limitar a digitar literalmente o que foi explicado durante a aula.

Quais métodos usar para fazer anotações em medicina?

Não existe um único método, nem um método necessariamente melhor que os demais, para anotar conteúdos durante uma aula. A escolha depende do que melhor se adapta à realidade de cada estudante. Muitos, inclusive, podem adotar métodos híbridos para melhorar o desempenho.

1. Mapas mentais e mapas conceituais

Mapas mentais e mapas conceituais são ferramentas visuais que ajudam na construção do raciocínio. Enquanto o mapa conceitual tende a organizar as informações de forma hierárquica, com relações de cima para baixo, sem cores e imagens, o mapa mental parte de um núcleo de informação central e expande os tópicos em ramos, de forma radial.

D’Antoni et al. sugerem que os mapas mentais ajudam na recuperação de informações e no desenvolvimento do pensamento crítico, além de beneficiar alunos com estilos diversos de aprendizagem.

Como fazer

Para construir um mapa mental, posicione o conceito principal no centro da página, por exemplo, “lesão renal aguda”, e crie ramificações para grandes categorias, como pré-renal, intrínseca e pós-renal.

A partir daí, aprofunde com novos ramos sobre causas, mecanismos fisiopatológicos, alterações laboratoriais e conduta.

2. Método Cornell

O Método Cornell é prático para quem quer unir a anotação à etapa de revisão. Ele organiza a página em três áreas: uma coluna lateral para palavras-chave e perguntas, um espaço maior para o conteúdo principal e, ao final, um breve resumo.

Essa divisão obriga o estudante a separar a explicação do conceito central e transformar informações em perguntas-guias. Uma página bem preenchida pelo Cornell pode funcionar como um mini-caso clínico, com perguntas prontas para treinar raciocínio.

Como fazer

No lado direito da página, faça anotações objetivas, com tópicos curtos, esquemas rápidos e relações entre mecanismos e condutas.

Na coluna da esquerda, anote palavras-chave desses tópicos. Ao revisitar a página, preencha essa coluna também com perguntas que testem o conteúdo.

No rodapé, escreva um resumo em poucas linhas, destacando padrões, mecanismos e regras gerais para relembrar rapidamente.

3. Esquemas hierárquicos

Esquemas hierárquicos funcionam bem quando as aulas seguem uma sequência lógica, com conteúdos de um livro ou resumo de protocolos, como definição, fisiopatologia, clínica, diagnóstico e manejo.

Esse método organiza a informação em níveis, com subtópicos que vão do mais amplo ao mais específico, construindo um roteiro clínico mental próximo da forma como o raciocínio é organizado na prática médica.

Como fazer

Em um tema como asma, por exemplo, é possível dividir a anotação em grandes blocos, como definição e epidemiologia, fisiopatologia, características clínicas, diagnóstico e manejo.

Cada bloco pode ter subtópicos, com mais detalhes e exemplos. No caso do manejo, por exemplo, podem ser incluídos a terapêutica e o protocolo para casos de exacerbação.

4. Tabelas comparativas

O método de tabelas organiza as informações lado a lado e direciona o cérebro a enxergar contrastes entre os conteúdos.

Em vez de estudar cada tópico separadamente, o estudante passa a analisar critérios, mecanismos e condutas em paralelo, como normalmente acontece nas questões de prova e na prática clínica.

Como fazer

Em farmacologia, por exemplo, é possível colocar lado a lado classes de drogas, mecanismos, indicações e efeitos adversos.

Essa organização facilita a escolha terapêutica e permite visualizar diferenças que poderiam passar despercebidas em um texto corrido.

5. Fotos associadas a anotações

Para estudantes que não abrem mão de fotografar alguns slides durante a aula, a tecnologia também pode ajudar no estudo ativo. Combinar fotos de slides com anotações complementares pode ser eficiente, desde que a imagem seja usada apenas como base.

Com aplicativos específicos, é possível fotografar o conteúdo e inseri-lo em uma página ou caderno digital, acrescentando anotações e indicações conforme o conteúdo é explicado em sala de aula.

Esse recurso ajuda a registrar informações transmitidas oralmente e que não aparecem no arquivo do professor. O cuidado é não perder tempo copiando o que já está visível.

Como fazer

Com o auxílio de aplicativos, fotografe o slide explicado em aula e acrescente setas com informações relacionadas a cada tópico abordado.

Quando possível, prefira a escrita à mão com canetas digitais, pois a escrita manual ainda ajuda a melhorar a codificação e a compreensão do conteúdo.

#Texto otimizado com o auxílio de IA e revisado pela equipe do Portal Afya.

Autoria

Foto de Juliana Karpinski

Juliana Karpinski

Editora médica assistente de Carreira da Afya. Médica e Jornalista formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). MBA em Gestão Estratégica pela UFPR.

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Referências bibliográficas

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