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Carreira27 fevereiro 2026

Entenda a jornada do paciente e garanta a sua retenção na clínica

Do agendamento ao pós-consulta, pesquisas mostram que mapear a experiência do paciente reduz a desistência e aumenta adesão
Por Redação Afya

A rotina de uma clínica revela um dado simples, mas decisivo: muitos pacientes procuram o serviço apenas uma vez e não voltam. Outros faltam às consultas, abandonam tratamentos ou migram para outro profissional após o primeiro contato. Essa movimentação, muitas vezes silenciosa, afeta diretamente a sustentabilidade financeira dos consultórios, e explica por que compreender como o paciente se comporta ao longo de toda a sua jornada se tornou um ponto central na gestão da saúde.

Essa preocupação não surge do acaso. Levantamentos recentes mostram que 84% dos brasileiros utilizam o celular para marcar consultas, e que boa parte deles inicia a busca por profissionais na internet, comparando avaliações, acessibilidade e facilidade de contato.

Ao mesmo tempo, estudos de comportamento em saúde indicam que reter um paciente é até cinco vezes mais econômico do que conquistar um novo, dado amplamente reconhecido em relatórios internacionais sobre experiência do paciente e eficiência de clínicas.

Esse efeito, conhecido como lifetime value (ou ‘valor do tempo de vida do cliente’, em tradução livre), tem sido cada vez mais observado no setor de saúde, especialmente em clínicas focadas em atendimento especializado e acompanhamento contínuo.

Da busca ao retorno – a jornada do paciente

Especialistas em gestão em saúde afirmam que a jornada do paciente influencia diretamente indicadores que determinam a sustentabilidade financeira de uma clínica: taxa de conversão, taxa de no-show (pacientes que não aparecem na consulta) e taxa de retorno.

Na fase de descoberta, o paciente escolhe sua clínica muitas vezes por fatores como presença digital, avaliações positivas e facilidade de agendamento. Se o consultório falha nesse primeiro filtro, ou seja, o telefone não atende, o WhatsApp demora ou não se tem a possibilidade de agendamento online, acaba perdendo pacientes antes mesmo de registrá-los.

A etapa de pré-consulta também pesa. Lembretes automáticos, mensagens claras e orientações objetivas são bons meios de reduzir significativamente o índice de ausências. Estudos internacionais mostram que o no-show pode cair de 15% para até 5% quando a comunicação é feita de forma sistemática.

Saiba mais: Pré-atendimento médico: entenda a importância e como pode ser feito

No atendimento presencial, a experiência completa importa: ambiente, acolhimento, tempo de espera e clareza das explicações. Pesquisas em experiência do paciente apontam que satisfação está diretamente ligada à adesão, ao retorno e à indicação, pilares que ampliam a receita sem ampliar o custo de aquisição.

Mas é no pós-consulta que ocorre a verdadeira fidelização. Mensagens de acompanhamento, lembranças de retorno, orientações digitais e canais para dúvidas rápidas fazem com que o paciente mantenha o vínculo e não veja necessidade de procurar outro profissional. Modelos de acompanhamento remoto já demonstram redução de custos globais em pacientes crônicos e maior adesão a tratamentos.

Tecnologia como aliada silenciosa da rentabilidade

A adoção de sistemas integrados, como prontuário eletrônico, agendamento omnichanel, CRM médico e automações, passou a ser um diferencial competitivo. Clínicas que investiram nessas soluções relatam melhora na organização da agenda, redução do intervalo ocioso entre consultas e aumento do número de pacientes retornando espontaneamente.

No entanto, especialistas reforçam que tecnologia sozinha não resolve: é preciso cultura. Equipes treinadas para compreender a importância da experiência do paciente tendem a oferecer atendimentos mais consistentes, o que impacta diretamente na percepção de valor.

O paciente que volta vale mais do que o paciente que chega

Na prática, médicos têm cada vez mais clareza de que o negócio de uma clínica não é apenas consulta: é relacionamento. E esse relacionamento, quando bem conduzido, tem repercussões econômicas sólidas.

Pesquisas de mercado em saúde mostram que pacientes fidelizados:

  • retornam até 3 vezes mais do que pacientes novos;
  • têm maior adesão a tratamentos de longo prazo;
  • indicam amigos e familiares com muito mais frequência;
  • geram receita mais estável ao longo do ano.

Se antes a gestão se limitava ao faturamento mensal e ao número de consultas realizadas, agora cresce o número de clínicas que avaliam métricas como lifetime value, taxa de recompra e custo de aquisição por paciente, todos indicadores comuns em setores como varejo e serviços, mas que ganham força na saúde.

Cinco movimentos que definem as clínicas mais rentáveis hoje

Consultores especializados apontam que clínicas com melhor desempenho financeiro têm em comum:

  • Mapeamento detalhado da jornada do paciente – identificando gargalos e oportunidades.
  • Atendimento omnicanal – permitindo agendamento por WhatsApp, telefone, site e aplicativos.
  • Acompanhamento pós-consulta estruturado – via mensagens, automações e conteúdos educativos.
  • Treinamento contínuo de equipes – para garantir que a experiência seja consistente.
  • Uso inteligente de dados – para prever retorno, criar campanhas e ajustar a agenda.

Mais do que uma estratégia de retenção, entender a jornada do paciente se tornou uma forma de diferenciar a clínica em um mercado cada vez mais saturado.

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O cuidado que se estende para além da consulta

Em um cenário em que o consumidor de saúde é mais informado, digital e exigente, a rentabilidade depende menos do volume e mais da qualidade do vínculo.

Clínicas que conseguem criar relações de confiança sustentadas por comunicação clara, acesso facilitado, acompanhamento contínuo e experiência acolhedora terão maior previsibilidade financeira e melhor reputação no longo prazo.

Entender a jornada do paciente é, portanto, mais do que uma estratégia de gestão. É uma forma de cuidar. E cuidar bem sempre foi, e continuará sendo, o que sustenta a medicina.

Autoria

Foto de Redação Afya

Redação Afya

Produção realizada por jornalistas da Afya, em colaboração com a equipe de editores médicos.

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