A rotina de quem se prepara para a residência médica é marcada por plantões, demandas assistenciais e alta carga emocional. Nesse cenário, crenças equivocadas sobre produtividade podem levar à sobrecarga, frustração e baixo rendimento.
No Curso de Produtividade da Afya Papers, o cardiologista Eduardo Cavalcanti Lapa Santos analisa quatro mitos amplamente difundidos — e explica por que eles sabotam resultados.
Especialista pelo InCor-HCFMUSP e doutor pela UFPE, o autor defende que produtividade está diretamente ligada à clareza de prioridades e foco estratégico.
Entenda quais são os mitos
Mito 1: “Eu tenho que aceitar tudo”
Saber dizer “não” é estratégia
Muitos médicos assumem compromissos extras — aulas, plantões, congressos — mesmo com agenda já comprometida. A crença de que “não há alternativa” gera sobrecarga e compromete o que realmente importa, como a preparação para a prova.
Na prática, quase sempre é possível recusar convites de forma profissional. Dizer “não” preserva tempo e energia para metas prioritárias, como revisar conteúdos e resolver questões.
Mito 2: “Tudo é urgente e importante”
Falta de priorização compromete resultados
Quando tudo é tratado como essencial, nada recebe atenção estratégica. A maioria das demandas do dia a dia não terá impacto real daqui a 5 ou 10 anos.
Para o médico que estuda para residência, é fundamental distinguir tarefas operacionais de atividades com alto impacto — como simulados, revisão ativa e análise de erros.
Mito 3: “Consigo fazer duas coisas ao mesmo tempo”
Multitarefa reduz desempenho cognitivo
Atividades que exigem raciocínio profundo não podem ser executadas simultaneamente com qualidade. Estudar enquanto responde mensagens ou prepara outra tarefa compromete retenção e desempenho.
O cérebro alterna o foco rapidamente, mas não realiza duas tarefas cognitivas complexas ao mesmo tempo. O resultado costuma ser duplo prejuízo: menor aprendizado e maior tempo gasto.
Mito 4: “Eu não tenho tempo”
O problema não é tempo, é prioridade
Todos dispõem das mesmas 24 horas diárias. Ao afirmar que “não há tempo”, geralmente significa que aquela atividade não ocupa posição central nas prioridades atuais.
Quando algo se torna realmente prioritário — como um problema de saúde — o tempo surge. O mesmo raciocínio deve ser aplicado à preparação para a residência: se é meta estratégica, precisa ocupar espaço definido na agenda.
Clareza e foco como diferenciais competitivos
Desconstruir esses mitos é passo fundamental para organizar a rotina de estudos. A preparação eficiente exige decisões conscientes, eliminação de excessos e foco direcionado.
As reflexões integram o Curso de Produtividade da Afya Papers, voltado a médicos que desejam estruturar melhor sua rotina e potencializar resultados na residência médica.
Autoria

Redação Afya
Produção realizada por jornalistas da Afya, em colaboração com a equipe de editores médicos.
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