Em um cenário em que a presença digital passou a ser fundamental, muitos médicos e recém-formados se perguntam: como ser encontrado pelos pacientes? Entre redes sociais, SEO e plataformas de anúncio, o Google Ads surge como uma possibilidade de retorno rápido, especialmente para quem precisa lotar a agenda e consolidar o consultório.
Mas, afinal, vale a pena? Quais os riscos éticos? E como evitar desperdício financeiro? Três especialistas da Afya em marketing digital — Carolina Peres, Karen Salles e Luana Lima — compartilham orientações diretas e práticas.

Captar pacientes que já estão procurando por você
Para Carolina Peres, analista de marketing da Afya há mais de sete anos, uma das principais vantagens do Google Ads para médicos está na capacidade de alcançar pessoas que já têm intenção imediata de consulta.
“Com o Google Ads, especialmente nas campanhas de Search, o médico consegue captar pacientes que estão procurando pela sua especialidade e localização. A plataforma destaca o consultório ao exibir anúncios diretamente para quem está em busca desse tipo de atendimento”, explica Carolina.
Ou seja: diferente das redes sociais, o usuário que clica no anúncio já demonstra necessidade real, o que aumenta as chances de agendamento.
Orçamento apertado: começar pelo orgânico ou pelo Ads?
O médico recém-formado costuma enfrentar um desafio clássico: pouco dinheiro e muita urgência. Carolina Peres reconhece que SEO e redes sociais são caminhos importantes, mas alerta: “O retorno financeiro do orgânico é mais a longo prazo”.
Se a escolha for o Google Ads, ela é categórica quanto ao ponto de partida. “Recomendo começar por campanhas de Search, pois é através delas que os pacientes chegarão até você, buscando pela especialidade e localização”.
A lógica é simples: Search atinge quem já está procurando um médico. É o atalho mais rápido até o consultório.
Anúncio deve ser informativo, não promocional
O marketing médico é rigidamente regulado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).
E, segundo Karen Salles, analista de marketing da Afya, o erro mais comum do iniciante é tentar “vender” o próprio serviço. “O CFM é claro: qualquer divulgação do trabalho do médico deve ser sempre informativa, nunca promocional”, lembra.
Ela exemplifica frases proibidas. “Se você usar frases como ‘o melhor clínico’, ‘resultados garantidos’ ou ‘melhores preços’, certamente sofrerá bloqueio. O erro clássico é usar chamadas persuasivas ou qualquer tom de promoção”, cita.
Para garantir aprovação, Karen recomenda objetividade. “Nome, especialidade, CRM, serviço de forma neutra, horário e localização. Tudo que for informativo para o paciente”, destaca.
Palavras-chave: iniciante não vende nome, vende serviço
Um médico iniciante ainda não tem uma “marca” própria. Portanto, a estratégia de palavras-chave deve ser radicalmente diferente da de um especialista renomado. “Se você é um médico iniciante, é importante criar demanda, já que ainda não construiu sua “marca” própria. Especialista renomado pode (e deve) focar no próprio nome, porque já tem lastro,” explica Karen Salles.
O recém-formado ganha mais com uma abordagem focada no serviço e na localização: termos genéricos + localização. Exemplos incluem: “Clínico Geral + Bairro”, “Consulta Clínica X” ou “Médico atendimento bairro Y”.
O objetivo inicial é captar quem está procurando o serviço, não quem já conhece o profissional, pois o nome do iniciante ainda não tem busca relevante.
Erro mais custoso: desperdício de cliques
Um dos maiores riscos do Google Ads é desperdiçar o orçamento com cliques irrelevantes. Luana Lima, especialista em marketing da Afya há quase quatro anos, identifica o erro mais comum e dispendioso.
“O maior erro que um médico comete no Google Ads é deixar o Google mostrar seus anúncios para qualquer tipo de busca, mesmo aquelas que não têm nada a ver com pacientes reais”, alerta Luana.
Isso acontece ao usar palavras-chave muito amplas, fazendo o anúncio aparecer para termos como “curso de medicina”, “SUS”, “salário de médico” ou serviços não oferecidos.
A orientação para evitar o desperdício é simples:
Escolha palavras específicas: sua especialidade + sua cidade.
Use termos negativos: evite aparecer para buscas como grátis, curso, SUS, emergência.
Limite a região: configure um raio em quilômetros ao redor do consultório.
Ative as conversões: configure o Google para entender quando alguém virou um lead de verdade (ligação, WhatsApp, formulário).
O segredo da diferenciação no anúncio
O espaço do Google Ads é limitado. Como se diferenciar de grandes hospitais ou clínicas estabelecidas, transmitindo competência sem violar as normas do CFM?
Segundo Luana Lima, o texto do anúncio deve focar em clareza e profissionalismo, não em promessas. O ideal é destacar:
Sua especialidade e cidade (“Dermatologista em Fortaleza”).
O tipo de atendimento específico (“Tratamento de queda de cabelo”, “Consulta de dor abdominal”).
Um diferencial real (“atendimento humanizado” ou “consulta individualizada”).
Informações que passam confiança (CRM ou anos de experiência).
“Quando o anúncio deixa claro quem você é e como você ajuda, o paciente entende que está falando com um especialista, não com uma grande rede genérica. Isso já te diferencia sem violar nenhuma norma”, pontua Luana.
A página de destino: convertendo o clique em agendamento
Um bom anúncio é inútil se a página de destino (para onde o paciente é levado ao clicar) não for eficaz. Luana Lima lista elementos essenciais que a landing page médica deve ter para converter o clique em agendamento:
Explicar rápido quem você é e o que faz: “A pessoa tem que entrar na página e entender, em segundos, sua especialidade, onde você atende e quais problemas você resolve. Nada de texto grande ou complicado”, explica Luana.
Mostrar confiança: use depoimentos, avaliações, foto do consultório, sua foto profissional e suas formações.
Botão claro para agendar: “Algo simples como ‘Agendar consulta’ ou ‘Falar no WhatsApp’. Sem muita opção, sem confusão. Só um caminho direto”, lembra Luana.
Medindo o ROI e o CPA: as métricas de sucesso
Saber se o dinheiro investido está, de fato, se convertendo em novos pacientes é vital. Carolina Peres indica a forma simples e eficaz de medir o Retorno Sobre o Investimento (ROI) e a métrica que não pode ser ignorada.
O cálculo do ROI é:
ROI= ((Lucro obtido das consultas – Valor investido em anúncios) / Valor investido em anúncios) x 100.
Se o resultado for uma porcentagem positiva, o anúncio está trazendo retorno.
A métrica que o iniciante não pode ignorar é o CPA (Custo por Aquisição). O CPA mostra o quanto você está pagando para captar um paciente. “Se a sua consulta custa R$400 reais e você pagou para captar esse paciente R$90 reais, você está tendo um saldo positivo”, exemplifica Carolina. Monitorar o CPA garante que você mantenha uma margem de lucro saudável.
Autoria

Redação Afya
Produção realizada por jornalistas da Afya, em colaboração com a equipe de editores médicos.
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