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Carreira7 janeiro 2026

Como a música pode melhorar o desempenho de estudantes e residentes?

Já imaginou usar os fones de ouvido como um recurso para aumentar a sua concentração nos estudos e estar bem preparado para os exames?

Já imaginou usar os fones de ouvido como um recurso para aumentar a sua concentração nos estudos ou melhorar suas habilidades técnicas aprendendo a tocar um instrumento musical? Sabemos pelas experiências que vivemos na prática que o dia a dia do estudante de medicina e do residente é marcado por várias exigências, horas de estudo, pressão por estar sendo sempre avaliado e muitos desafios emocionais. Com tanta sobrecarga, incluir a música no ambiente acadêmico pode ser uma forma de melhorar o bem-estar, a aprendizagem e o desenvolvimento pessoal e profissional desses estudantes e residentes.

Os sons que nos acompanham enquanto revisamos conteúdos, realizamos um procedimento, preparamos uma apresentação ou nos deslocamos entre um plantão e outro não são apenas um fundo musical aleatório. A música que nos acompanha ao longo do dia, pode mudar influenciar na nossa emoção, memória, atenção e criatividade. Quem nunca começou a chorar ao ouvir uma música marcante ou sempre lembra de um momento específico quando escuta certa trilha sonora? Isso também pode acontecer com os estudos.

Por isso, se for escolhida de forma correta, a música pode ajudar a aumentar o resultado dos estudos, mesmo sendo algo leve e até prazeroso.

 

A música e seus benefícios

A música já foi tema de vários estudos como um recurso na educação da medicina, porém ainda é pouco utilizada na prática acadêmica, comparada com outras artes, como literatura, artes visuais, teatro. Com o objetivo de explorar a base de evidências para oferecer música na educação médica, um estudo de 2024, revisou 56 artigos publicados entre 1977 e 2022 sobre o uso da música na formação e trouxe à tona algumas evidências.

De modo geral, os principais benefícios da música para estudantes de medicina foram:

  1. Redução estresse e ansiedade: escutar uma música suave antes de uma prova, atendimento ou procedimento ajuda a acalmar a mente e preparar o corpo para o desempenho correto.
  2. Torna o ambiente de aprendizagem mais favorável: trilhas sonoras podem transformar a atmosfera de estudo ou de aulas práticas e teóricas, tornando-as mais acolhedoras, concentradas e produtivas.
  3. Promove o engajamento afetivo e empatia: a música pode melhorar as relações interpessoais com colegas, pacientes e familiares.
  4. Auxilia na memorização: o uso de músicas, associadas a técnicas de estudo, pode ajudar a fixar informações, fazendo com que haja relação entre determinadas músicas e tópicos de estudo e facilitando a lembrança durante uma prova.
  5. Desenvolve a expressão criativa e a formação de uma identidade pessoal e profissional: a música convida o estudante a se reconectar com sua sensibilidade, pode ser uma forma de elaborar experiências marcantes, refletir sobre o próprio caminho na medicina e encontrar equilíbrio emocional.

 

Para ouvir e para tocar

Se ouvir música já traz benefícios, o impacto de tocar um instrumento musical no desempenho de um estudante ou residente pode ser ainda maior. A história já demonstra isso com a contribuição de grandes músicos e compositores que também eram médicos, como William Withering (1741-1799), Edward Jenner (1749-1823), Theodor Billroth (1829-1894), Albert Schweitzer (1875-1965), entre outros.

Para aprender um instrumento, seja os clássicos violino ou piano, o mesmo os mais impactantes como uma bateria, o músico precisa ter habilidades como escuta atenta, precisão nos movimentos, repetição de gestos e controle do tempo, algo que se aproxima muito do que acontece em situações como uma cirurgia, na ausculta detalhada de um paciente ou na análise de exames mais complexos.

Um estudo de 2021, envolvendo 51 novos residentes sem experiência cirúrgica prévia, demonstrou que a prática musical está associada a melhor desempenho em habilidades cirúrgicas fundamentais entre cirurgiões novatos, particularmente na qualidade da técnica. Além disso, a habilidade desenvolvida ao tocar um instrumento contribui para o melhorar a coordenação motora fina, o raciocínio lógico e a disciplina.

Sem esquecer que tocar um instrumento também pode ser uma opção de escape saudável para as rotinas estressantes e sobrecarregadas, com a criação de um hobbie para os momentos de descontração entre estudantes e residentes.

Monte sua playlist e bons estudos!

Se você ainda não experimentou estudar com uma trilha sonora, talvez seja a hora de começar. Conhecer seus próprios gostos musicais é um bom ponto de partida, mas também é importante ajustar as músicas escolhidas aos objetivos. Nem toda música serve para todo momento e todos os ambientes, como uma sala de aula ou um hospital, que são lugares que precisam de silêncio, por exemplo.

Para montar sua trilha sonora, se o foco for leituras intensas, considere músicas instrumentais, como piano, trilhas sonoras de filmes ou obras clássicas. Elas costumam funcionar melhor por não competirem na atenção com o conteúdo lido. Em provas práticas ou apresentações, tente escutar músicas mais calmas para ajudar a reduzir a ansiedade. E já ao final de um dia puxado, as músicas mais alegres e energéticas podem melhorar o ânimo e o bom humor de um pós-plantão.

Pesquise os diferentes estilos até encontrar o que realmente funciona para os seus estudos. Afinal, entre livros, jalecos e plantões, também há espaço para uma boa música. E, no futuro, você provavelmente vai lembrar com carinho da trilha sonora da sua formação.

Obs.: A autora que escreveu este artigo já passou pela experiência eclética de aprender a tocar clarinete, teclado e bateria. E escreveu este artigo com uma trilha sonora bem diversificada passando pelo instrumental de Imagine Dragons, Squirrel Nut Zippers e até Vivaldi.

E você, o que está ouvindo enquanto lê?

Autoria

Foto de Juliana Karpinski

Juliana Karpinski

Editora médica assistente de Carreira da Afya. Médica e Jornalista formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). MBA em Gestão Estratégica pela UFPR.

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Referências bibliográficas

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