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Carreira17 fevereiro 2026

Avalie ganhos, riscos e oportunidades de trabalhar no plantão do Carnaval

Por Ester Ribeiro

O Carnaval é um feriado de grande importância pessoal e social. Para o médico, folgar nessa época pode significar momentos valiosos de lazer e convívio com família e amigos – atividades que ajudam a recuperar forças, reduzir o estresse e fortalecer laços pessoais.

Passar o Carnaval descansando ou em programa seguro  também tem impacto positivo na saúde mental e no equilíbrio emocional. Em linhas gerais, o descanso de qualidade aumenta a motivação e dá “novas baterias” para encarar o trabalho pós-feriado.

Portanto, não há dúvida de que, do ponto de vista pessoal, aproveitar o feriado pode ter um valor inestimável para o bem-estar do médico. Por outro lado, a decisão deve equilibrar esses ganhos pessoais com outros fatores.

 

Ganhos financeiros e experiências profissionais

Uma das principais razões para trabalhar no Carnaval é a renda extra. A legislação trabalhista brasileira prevê pagamento em dobro para quem atua em feriados. No caso típico de médicos em escala de plantão 12×36, mesmo o feriado já é computado como dia dobrado. Ou seja, além do plantão normal, há remuneração dobrada (ou folga compensatória combinada em convenção coletiva).

Além disso, há muitas oportunidades específicas em eventos carnavalescos: grandes blocos e festas contratam médicos avulsos para atendimento de rua. Por exemplo, vagas de plantão em ambulância ou posto médico no Carnaval podem oferecer cerca de R$950 por 12 horas de trabalho.

Ainda que esse valor seja geralmente inferior ao pago em plantões hospitalares comuns, ele pode ser atraente como complementação de renda. Em eventos de Carnaval, a maioria dos casos atendidos é de baixa complexidade – desidratação, cefaleia, pequenos traumas e mal-estar geral são exemplos típicos.

Isso significa que, para médicos mais jovens ou para quem deseja experimentar atendimentos em massa, pode ser uma boa oportunidade de ganhar experiência em situações de urgência sem a pressão habitual do pronto-socorro hospitalar.

 Dever profissional e ética médica

Por outro lado, há responsabilidades éticas e operacionais a considerar. As unidades de saúde funcionam 24 horas e precisam de médicos escalados mesmo em feriados. Deixar de comparecer ao plantão sem justificativa ou sem um substituto configura infração ética grave.

O Conselho Regional de Medicina (ex. CREMEGO) e o Código de Ética Médica são claros: o médico não pode abandonar setores de urgência ou emergência, nem desassistir pacientes em estado grave. Em outras palavras, “alguém precisa estar no hospital” – afastar-se por vontade própria, sem cobertura, expõe o paciente a riscos e sujeita o médico a sanções.

Assim, na hora de decidir, o médico deve pesar também seu compromisso profissional: colaborar nas escalas de plantão significa garantir atendimento à comunidade que não pode parar. Cientes disso, alguns profissionais negociam com colegas a divisão justa dos turnos de Carnaval, de forma que todos cedam um pouco do feriado para manter o serviço funcionando.

 

Segurança pessoal e riscos do Carnaval

O ambiente festivo do Carnaval pode atrair comportamentos de risco. Estima-se que, historicamente, há um aumento de ~25% nos acidentes de trânsito ligados ao álcool durante o Carnaval em comparação a dias comuns. Além disso, o consumo de álcool e outras drogas costuma se intensificar nas festas, levando muitos foliões à desidratação, coordenação prejudicada e decisões impulsivas.

O Carnaval também está associado a mais comprometimento sexual e risco de ISTs, dada a combinação de festas, baixa percepção de risco e vulnerabilidade de alguns participantes.

Nesse contexto, um médico sabe dos perigos: dirigir embriagado, uso excessivo de drogas lícitas ou ilícitas, ou atividades sexuais sem precaução podem ter consequências sérias para a própria saúde e para terceiros.

Em alguns casos, ficar de plantão pode ser mais seguro pessoalmente. Por exemplo, quem teme se sentir tentado a beber e dirigir terá pelo menos a 12 horas de trabalho para não se envolver em tais situações. Por outro lado, ao estar no hospital, o médico também atua indiretamente na prevenção de vítimas de acidentes de Carnaval – outro aspecto positivo de cumprir o plantão.

Considerações finais

Não há resposta única para todos. Vale a pena ou não? Depende das prioridades e circunstâncias pessoais de cada médico.

Dicas para tomar a decisão:

  • Pese os benefícios pessoais: tempo com família, descanso e lazer de qualidade têm alto valor para a saúde mental. Decida se esses aspectos são prioritários.
  • Avalie a oferta financeira: plantões extras no Carnaval trazem ganhos reais (pagamento dobrado, extra em eventos). Para alguns, essa renda extra pode ser importante.
  • Lembre do dever ético: se você for escalado ou se comprometer a cobrir algum turno, cumpra – faltas injustificadas prejudicam pacientes. Negocie folgas e compensações de forma responsável com a equipe.
  • Considere sua saúde: longos plantões (12h consecutivas) são extenuantes e podem levar a burnout. Planeje um equilíbrio, não acumule jornadas pesadas seguidas.
  • Pense na segurança: se optar por folgar, aproveite com responsabilidade (transporte seguro, moderação no álcool, sexo protegido). Se optar pelo plantão, aproveite as horas livres restantes de forma saudável.

Conclusão

Em resumo, o médico deve decidir caso a caso. O Carnaval “vale ouro” para descansar, mas também é preciso lembrar que é uma data crítica para a assistência médica.

Seja qual for a escolha – curtir a folia ou assumir o plantão – o importante é agir com equilíbrio: respeitar as próprias necessidades pessoais sem descuidar das responsabilidades profissionais.

Autoria

Foto de Ester Ribeiro

Ester Ribeiro

Graduada em Medicina pela PUC  de Campinas. Médica Nefrologista pelo Hospital Santa Marcelina de Itaquera. Título em Nefrologia pela Sociedade Brasileira de Nefrologia.

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