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Cardiologia16 janeiro 2026

Vitamina B12: três clinicagens médicas que todo profissional deve conhecer

Saiba por que monitorar e suplementar vitamina B12 é essencial para gestantes, idosos e pacientes com risco cardiovascular elevado

Este conteúdo foi produzido pela Afya em parceria com Myralis de acordo com a Política Editorial e de Publicidade do Portal Afya.

Introdução

A B12 é uma vitamina hidrossolúvel obtida principalmente por meio da alimentação. Suas principais fontes são alimentos de origem animal, como peixe, carne e laticínios. A administração também pode ocorrer por suplementação, disponível nas formas oral, sublingual e intramuscular.1

A manutenção de níveis adequados de vitamina B12 no sangue é essencial para a função neurológica, produção de hemácias e a síntese de DNA. A cobalamina atua ainda como coenzima em diversas reações metabólicas fundamentais, como a conversão de homocisteína em metionina. Assim, a deficiência da vitamina – caracterizada por níveis séricos inferiores a 200 ng/mL – pode resultar em manifestações neurológicas (como neuropatia periférica e declínio cognitivo), além de manifestações hematológicas (como anemia, leucopenia e/ou plaquetopenia) e de elevação da homocisteína sérica, que está relacionada ao aumento de risco cardiovascular.1

Neste artigo, abordaremos três clinicagens recentes da literatura científica para atualizar sua prática médica.

Deficiência de vitamina B12 na gestação e defeitos do tubo neural

Tradicionalmente, recomenda-se a suplementação empírica de ácido fólico no período periconcepcional para prevenção de defeitos na formação do tubo neural do feto. No entanto, novas evidências apontam que a vitamina B12 também desempenha papel relevante no desenvolvimento adequado do tubo neural durante a gestação.2

Uma revisão sistemática publicada em 2025, que analisou o resultado de 38 estudos, demonstrou associação entre baixos níveis séricos maternos de vitamina B12 e maior ocorrência de defeitos do tubo neural no feto. Além disso, o risco foi proporcional ao grau de deficiência: quanto menores os níveis da vitamina, maior a probabilidade de alterações na embriogênese.2

Embora o mecanismo ainda não esteja completamente elucidado, sabe-se que o metabolismo da cobalamina e do ácido fólico é intimamente relacionado. Níveis baixos de vitamina B12 podem induzir um estado de pseudodeficiência de folato, situação em que, apesar de o estoque corporal de ácido fólico estar adequado, a reserva está funcionalmente inacessível.2

Esse dado é importante de ser considerado porque a hipovitaminose B12 é um problema relativamente comum entre mulheres em idade fértil. Uma metanálise brasileira de 2025 identificou prevalência de deficiência de B12 em até 22% das gestantes avaliadas.3

Apesar de ainda não existir recomendação para suplementação rotineira da cobalamina nesse grupo, o estudo reforça a importância do rastreamento e considera a suplementação de vitamina B12, além da suplementação com ácido fólico.2

Vitamina B12 e risco cardiovascular

A hiper-homocisteinemia é reconhecida como um fator de risco cardiovascular independente, pois induz e acelera o processo de aterosclerose, que contribui para eventos como acidente vascular encefálico, infarto agudo do miocárdio e doença arterial periférica.4

O efeito aterogênico parece estar relacionado ao aumento do estresse oxidativo, à redução da disponibilidade de óxido nítrico, à proliferação da musculatura lisa arterial e ao aumento da trombogenicidade.4

A deficiência de vitamina B12, entre outros fatores, é reconhecida como uma das causas de aumento de homocisteína, uma vez que a vitamina é essencial em sua metabolização.4

Ainda há debate na literatura sobre o papel da suplementação vitamínica nesse contexto, sendo necessários mais estudos para definir a dose e a indicação ideais para prevenção de eventos cardiovasculares.4

Suplementação de complexo B como fator protetor contra o declínio cognitivo

A cobalamina é fundamental para a saúde neuronal. Seu papel neuroprotetor envolve diferentes mecanismos, como a modulação de citocinas inflamatórias e estímulo à produção de fatores de crescimento – essa modulação pode exercer um efeito protetor na doença de Alzheimer. Além disso, a hiper-homocisteinemia é um fator de risco para a doença de Alzheimer.5

Uma revisão sistemática publicada em 2021, com 7.571 participantes, demonstrou que a suplementação de complexo B vitamínico teve efeito protetor sobre a função cognitiva global em idosos (diferença média padronizada de 0,36, IC 95%: 0,18-0,54, p <0,01). As doses avaliadas nesses estudos foram entre 25 e 1000 mcg. Os autores sugerem que o uso regular do complexo B pode preservar ou retardar o declínio cognitivo nessa população, mas ainda são necessários mais estudos robustos para definir a dose ideal para tal efeito.6

Reflexões finais

A vitamina B12 é essencial para a saúde neurológica, hematológica e cardiovascular. Sua deficiência deve ser rastreada e tratada de modo precoce, com especial atenção aos grupos de risco – como gestantes, idosos, pacientes de risco cardiovascular elevado, além de pessoas com risco elevado de deficiência, como pacientes bariátricos, portadores de doenças disabsortivas e vegetarianos/veganos.

Na prática clínica, surge frequentemente a dúvida sobre qual via de administração é mais eficaz para cada paciente. Uma meta-análise publicada em 2024 comparou as três principais vias de suplementação (sublingual, oral e intramuscular) e encontrou equivalência nos resultados: todas as formas elevaram de maneira semelhante os níveis séricos de B12, a hemoglobina e outros desfechos secundários (como mudança no volume corpuscular médio da hemácia, nível sérico de leucócitos, plaquetas e homocisteína). Esses achados indicam a importância de individualizar a prescrição de acordo com o quadro clínico e as preferências do paciente. A via sublingual destaca-se das outras formas de administração por sua praticidade, boa biodisponibilidade e rápido efeito sistêmico.1

Autoria

Foto de Larissa Wermelinger

Larissa Wermelinger

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Referências bibliográficas

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