A nova diretriz para avaliação, manejo e acompanhamento de pacientes adultos com tromboembolismo pulmonar (TEP) foi publicada pelas sociedades AHA/ACC/ACCP/ACEP/CHEST/SCAI/SHM/SIR/SVM/SVN. Confira os detalhes da publicação.

1) Diagnóstico
- Sintomais mais comuns: Dor torácica pleurítica e dispneia. Menos comuns: hemoptise, síncope e choque.
- Use escores para estimar o risco de tromboembolismo pulmonar (Wells/Geneva).
a) Baixa probabilidade: Aplique os critérios PERC. Se todos positivos, TEP excluído. Se algum negativo, solicitar D-dímero.
b) Probabilidade intermediária: Solicite D-dímero e aplique os critérios YEARS. Se YEARS zero e D-dímero <1000ng/mL, TEP excluído. Se 1 ou mais positivo, mas D dímero <500ng/mL(ou negativo pela idade), também se exclui TEP. Se YEARS zero e D-dímero >1000ng/mL, solicitar exame de imagem, assim como se YEARS positivo e D-dímero >500.
Relembrando YEARS: Sinais de TVP, hemoptise ou TEP como diagnóstico mais provável.
- Pacientes com suspeita baixa/intermediária: TEP pode ser excluído sem necessidade de exame de imagem se valores de D dímero abaixo do corte (idade x 10 – exemplo: num paciente de 60 anos, o corte é de 60).
- Algoritmo YEARS pode ser útil para identificar quais pacientes não precisam de exame de imagem. Nas gestantes, usar o YEARS adaptado.
- Vale destacar: Em gestantes sintomáticas com critérios YEARS sugestivos de embolia pulmonar aguda e radiografia de tórax normal, a avaliação por imagem com angiotomografia pulmonar de baixa dose de radiação é razoável em comparação com a cintilografia de perfusão (IIa).
2) Estratificação de risco – mudanças importantes!
As designações das categorias A-E e subcategorias 1-3 são selecionadas de acordo com os achados clínicos, laboratoriais e de imagem mais graves. Um modificador respiratório (R) pode ser acrescentado a uma subcategoria — ou constituir uma subcategoria própria — em pacientes com alterações respiratórias proeminentes.
- A – Paciente assintomático, diagnóstico incidental em exame de imagem.
- B – Paciente sintomático com baixo risco de evento adverso (PESI I-II, sPESI 0, Hestia 0).
- B1: Subsegmentar
- B2: Não subsegmentar
- C – Sintomático com alto risco de evento adverso (PESI III-IV, Hestia maior/igual a 1). Adicionar R se hipoxemia ou taquipneia (ex C1R)
- C1: Ventrículo direito (VD) normal e biomarcadores (troponina e pró BNP) normais.
- C2: Alteração de VD ou de biomarcador.
- C3: Alteração de VD e de biomarcador.
- D – Pré falência cardiopulmonar. Adicionar R se paciente com >6L no cateter nasal ou se uso de máscara não reinalante.
- D1: Hipotensão transitória/responsiva a volume sem má perfusão/disfunção de órgãos.
- D2: Hipotensão com má perfusão/disfunção de órgãos (ex lesão renal aguda, lactato elevado).
- E: Falência cardiopulmonar. Adicionar R se necessidade de VNI ou IOT.
- E1: Choque SCAI C.
- E2: Choque SCAI D-E ou PCR.
3) Manejo
- Tratamento ambulatorial pode ser considerado na categoria A e alta precoce pode ser considerada na categoria B a depender da estratificação de risco e do acesso ao sistema de saúde.
- A partir de C1, todos devem ser internados.
- A partir de C1, todos devem ter a função de VD avaliada (Ecocardiograma ou TC), assim como devem ser avaliados por uma equipe multidisciplinar especialidade (PERT).
- Anticoagulação: Se tratamento ambulatorial, preferir DOAC ao marevan (exceção: síndrome antifosfolípide). Se internado, preferir heparina de baixo peso molecular à heparina não fracionada.
- O uso de vasodilatadores inalatórios pode ser considerado para reduzir pós carga de VD nas categorias C2-E.
- Trombólise sistêmica, dirigida por cateter, trombectomia ou embolectomia devem ser consideradas nas categorias E1-2, desde que risco de sangramento aceitável. Podem ser consideradas (classe de recomendação 2b) nas categorias D1-2. Na categoria C3, o benefício é incerto.
4) Seguimento
- É aconselhado realizar acompanhamento clínico dentro da primeira semana após a alta para fornecer educação ao paciente, abordar barreiras à terapia anticoagulante, garantir adesão às medicações prescritas e detectar complicações.
- Pacientes que tiveram embolia pulmonar aguda devem ser questionados sobre sintomas relacionados à embolia pulmonar e limitações funcionais em todas as consultas por pelo menos um ano, com o objetivo de rastrear doença tromboembólica pulmonar crônico ou outras causas de dispneia e limitação funcional.
- Pacientes sem fatores de risco identificáveis associados: Realizar história clínica detalhada, exame físico completo e rastreamento oncológico apropriado para a idade, com o objetivo de identificar neoplasia oculta.
- Em pacientes sem fator reversível maior para TEP que apresentem história familiar de trombose ou tenham idade <55 anos, pode ser razoável realizar investigação para trombofilias genéticas e adquiridas.
Quais foram as principais diretrizes de cardiologia em 2025? Confira aqui!
Autoria

Juliana Avelar
Médica formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Cardiologista pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia
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