Logotipo Afya
Anúncio
Cardiologia24 fevereiro 2026

Tromboembolismo pulmonar: diretriz AHA/ACC 2026

Veja os destaques da diretriz AHA/ACC 2026 sobre tromboembolismo pulmonar: diagnóstico, YEARS, estratificação A-E, DOACs e seguimento.
Por Juliana Avelar

A nova diretriz para avaliação, manejo e acompanhamento de pacientes adultos com tromboembolismo pulmonar (TEP) foi publicada pelas sociedades AHA/ACC/ACCP/ACEP/CHEST/SCAI/SHM/SIR/SVM/SVN.

O documento reúne recomendações relevantes para cardiologistas, emergencistas e demais profissionais envolvidos no atendimento do TEP agudo, com destaque para diagnóstico, estratificação de risco, anticoagulação, terapias avançadas e seguimento pós-alta.

Entre os principais pontos da publicação estão o uso dos critérios YEARS, a estratificação de risco em categorias A-E, a preferência por DOACs em cenários selecionados e as particularidades do manejo em gestantes

tromboembolismo- pulmonar-TEP

tromboembolismo- pulmonar-TEP

Diagnóstico do tromboembolismo pulmonar

A avaliação diagnóstica do TEP começa pela probabilidade clínica. Os sintomas mais comuns são dor torácica pleurítica e dispneia, enquanto hemoptise, síncope e choque são menos frequentes.

A diretriz recomenda o uso de escores como Wells ou Geneva para estimar o risco inicial.

Baixa probabilidade de TEP

Em pacientes com baixa probabilidade, os critérios PERC podem ajudar a excluir TEP sem exames adicionais quando preenchidos de forma adequada. Se o TEP não puder ser excluído por PERC, deve-se solicitar D-dímero.

Probabilidade intermediária e critérios YEARS

Na probabilidade intermediária, a recomendação é associar D-dímero aos critérios YEARS, que incluem sinais de TVP, hemoptise e TEP como diagnóstico mais provável.

De forma prática:

  • YEARS = 0 + D-dímero < 1000 ng/mL: TEP excluído;
  • YEARS ≥ 1 + D-dímero < 500 ng/mL ou negativo pela idade: TEP excluído;
  • YEARS = 0 + D-dímero > 1000 ng/mL: solicitar imagem;
  • YEARS positivo + D-dímero > 500 ng/mL: solicitar imagem.

Pacientes com suspeita baixa/intermediária: TEP pode ser excluído sem necessidade de exame de imagem se valores de D dímero abaixo do corte (idade x 10 – exemplo: num paciente de 60 anos, o corte é de 60).

Diagnóstico de TEP em gestantes

Em gestantes, deve-se usar o YEARS adaptado. Quando há suspeita de TEP agudo, critérios YEARS sugestivos e radiografia de tórax normal, a angiotomografia pulmonar de baixa dose de radiação é considerada razoável em comparação à cintilografia de perfusão.

Estratificação de risco no TEP: categorias A-E

A diretriz AHA/ACC 2026 propõe uma nova estratificação de risco para o tromboembolismo pulmonar, organizada em categorias A-E e subcategorias 1-3.

A classificação deve considerar os achados clínicos, laboratoriais e de imagem mais graves.

Quando houver alterações respiratórias proeminentes, pode-se acrescentar o modificador R à categoria ou subcategoria em pacientes com alterações respiratórias proeminentes.

As categorias são:

  • A: paciente assintomático, com diagnóstico incidental em exame de imagem;
  • B: paciente sintomático com baixo risco de evento adverso, como PESI I-II, sPESI 0 ou Hestia 0;
  • B1: subsegmentar;
  • B2: não subsegmentar;
  • C: paciente sintomático com alto risco de evento adverso, como PESI III-IV ou Hestia ≥ 1;
  • adicionar R se houver hipoxemia ou taquipneia;
  • C1: ventrículo direito normal e biomarcadores normais;
  • C2: alteração de ventrículo direito ou de biomarcador;
  • C3: alteração de ventrículo direito e de biomarcador;
  • D: pré-falência cardiopulmonar;
  • adicionar R se o paciente estiver com > 6 L em cateter nasal ou máscara não reinalante;
  • D1: hipotensão transitória ou responsiva a volume, sem má perfusão ou disfunção de órgãos;
  • D2: hipotensão com má perfusão ou disfunção de órgãos;
  • E: falência cardiopulmonar;
  • adicionar R se houver necessidade de VNI ou IOT;
  • E1: choque SCAI C;
  • E2: choque SCAI D-E ou parada cardiorrespiratória.

Manejo do tromboembolismo pulmonar conforme gravidade

O manejo do tromboembolismo pulmonar (TEP) deve ser orientado pela categoria de risco.

O tratamento ambulatorial pode ser considerado na categoria A. Já a alta precoce pode ser considerada na categoria B, a depender da estratificação de risco e do acesso ao sistema de saúde.

A partir da categoria C1, todos os pacientes devem ser internados. Também a partir de C1, deve-se avaliar a função do ventrículo direito por ecocardiograma ou tomografia, além de considerar avaliação por equipe multidisciplinar especializada, como PERT.

Anticoagulação no TEP

Na anticoagulação:

  • se o tratamento for ambulatorial, deve-se preferir DOAC em vez de varfarina, exceto em casos de síndrome antifosfolípide;
  • se o paciente estiver internado, deve-se preferir heparina de baixo peso molecular à heparina não fracionada.

Vasodilatadores e terapias avançadas

O uso de vasodilatadores inalatórios pode ser considerado para reduzir a pós-carga do ventrículo direito nas categorias C2-E.

Trombólise sistêmica, trombólise dirigida por cateter, trombectomia ou embolectomia devem ser consideradas nas categorias E1-E2, desde que o risco de sangramento seja aceitável.

Essas estratégias também podem ser consideradas nas categorias D1-D2. Na categoria C3, o benefício é incerto.

Seguimento após tromboembolismo pulmonar agudo

Após a alta, recomenda-se acompanhamento clínico dentro da primeira semana para orientar o paciente, avaliar barreiras à anticoagulação, reforçar adesão às medicações prescritas e detectar complicações precocemente.

Pacientes que tiveram embolia pulmonar aguda devem ser questionados sobre sintomas relacionados ao TEP e limitações funcionais em todas as consultas por pelo menos 1 ano.

O objetivo é rastrear doença tromboembólica pulmonar crônica e outras causas de dispneia ou limitação funcional.

Nos pacientes sem fatores de risco identificáveis, recomenda-se história clínica detalhada, exame físico completo e rastreamento oncológico apropriado para a idade, com objetivo de identificar neoplasia oculta.

Investigação de neoplasia oculta e trombofilias

Em pacientes sem fator reversível maior para TEP, com história familiar de trombose ou idade < 55 anos, pode ser razoável investigar trombofilias genéticas e adquiridas.

Conclusão

A diretriz AHA/ACC 2026 propõe uma abordagem mais estruturada para o manejo do tromboembolismo pulmonar agudo, integrando probabilidade clínica, critérios YEARS, uso seletivo de exames de imagem e estratificação de risco em categorias A-E.

Na prática, a classificação por gravidade orienta decisões sobre tratamento ambulatorial, internação, avaliação do ventrículo direito, anticoagulação e indicação de terapias avançadas, como trombólise, trombectomia ou embolectomia.

O seguimento pós-alta também ganha destaque, com recomendação de acompanhamento precoce, avaliação de sintomas e limitações funcionais por pelo menos 1 ano e investigação direcionada de neoplasia oculta ou trombofilias em pacientes selecionados.

Quais foram as principais diretrizes de cardiologia em 2025? Confira aqui!

 

*Este conteúdo foi atualizado em: 30/06/2026 pela equipe editorial do Portal Afya.

Autoria

Foto de Juliana Avelar

Juliana Avelar

Editora médica na Afya. Formada em medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com residência em Clínica Médica pela mesma instituição (2021). Residência em Cardiologia pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (IDPC). Além de atuação na Afya, também atua em hospitais e em consultório particular.

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Referências bibliográficas

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Leia também em Cardiologia