A tirzepatida é uma medicação injetável, agonista dual, com ação nos receptores de GLP-1 e de GIP, com efeitos relevantes em redução da hemoglobina glicada e perda ponderal. Programas de estudos como o SURPASS e o SURMOUNT testaram a droga nestes diferentes cenários. A tirzepatida se mostrou eficaz quando testada contra placebo e também quando testada em comparação com a semaglutida 1mg. Existem efeitos colaterais possíveis com o uso da medicação, e conhecer seu perfil de segurança e saber como orientar o paciente é fundamental [1-3].
No estudo SURPASS-1, a tirzepatida foi testada em diferentes doses – 5mg, 10mg, 15mg – contra placebo. Foram incluídos 478 pacientes, e a tirzepatida foi eficaz na redução de hemoglobina glicada e peso nos três diferentes grupos. Os desfechos de segurança buscados pelo autor foram [1]:
– Eventos adversos durante o tratamento
– Suspensão da medicação por eventos adversos
– Eventos pancreáticos adjudicados
– Calcitonina sérica
– Reações alérgicas e de hipersensibilidade
– Anticorpos contra a tirzepatida durante o tratamento
– Alterações em frequência cardíaca (FC) e pressão arterial (PA)
– Hipoglicemia (eventos de glicemia < 70mg/dL, eventos de glicemia < 54mg/dL e hipoglicemia grave)
Em relação ao perfil de efeitos adversos, que é o foco deste texto, os principais sintomas encontrados foram gastrointestinais, os quais foram considerados leves a moderados e diminuíram ao longo do tempo [1]:
– Náusea ocorreu em 12%, 13% e 18% nos grupos de tirzepatida 5mg, 10mg e 15mg, contra 6% no grupo placebo.
– Diarreia foi vista em 12%, 14% e 12% nos grupos tirzepatida 5mg, 10mg e 15mg, contra 8% no grupo placebo.
– Vômitos ocorreram em 3%, 2% e 6% nos grupos de tirzepatida 5mg, 10mg e 15mg, contra 2% no grupo placebo.
Em relação a hipoglicemia, eventos de glicemia < 54mg/dL e hipoglicemia grave não ocorreram em nenhum grupo da tirzepatida. Já eventos de hipoglicemia com glicemia <70mg/dL ocorreram em 6%, 7% e 7% nos grupos tirzepatida 5mg, 10mg e 15mg, contra 1% no grupo placebo. Não houve casos adjudicados de pancreatite. No seguimento do estudo, houve aumentos em lipase e amilase nos grupos tirzepatida quando comparados ao grupo placebo, mas se mantiveram dentro dos limites da normalidade. Apenas um caso de câncer de pâncreas e um caso de colelitíase foi diagnosticado, no mesmo indivíduo, do grupo tirzepatida 5mg. No SURPASS-1, não houveram casos de carcinoma medular de tireoide nem de retinopatia diabética durante o tratamento. Interessantemente, houve um discreto aumento de FC, na ordem de 1 a 2 bpm, no grupo tirzepatida. Em relação à PA, houve redução da PA sistólica na ordem de 4,7 a 5,2 mmHg no grupo tirzepatida, contra 2 mmHg no grupo placebo, sem reduções significativas na PA diastólica. Por fim, reações cutâneas no local da administração da medicação ocorreram em 2-3% nos grupos tirzepatida contra nenhum no grupo placebo, e reações de hipersensibilidade ocorreram em 1-2% nos grupos tirzepatida e 1% no grupo placebo (sem eventos de hipersensibilidade com acometimento sistêmico) [1].
Já no estudo SURPASS-2, a tirzepatida foi comparada em diferentes doses contra a semaglutida 1mg. A tirzepatida nas doses de 5mg, 10mg e 15mg foi superior à semaglutida 1mg em relação a perda ponderal e redução de hemoglobina glicada. Os desfechos de segurança avaliados foram semelhantes aos do SURPASS-1. A incidência de eventos adversos foi semelhante em todos os grupos, mas eventos adversos graves foram mais frequentes no grupo tirzepatida (7%, 5,3%, 5,7% nos grupos tirzepatida 5mg, 10mg e 15mg contra 2,8% no grupo semaglutida 1mg). Pela época em que o estudo foi feito, o evento adverso grave mais comum em todos os grupos foi pneumonia por COVID. Em relação a mortes durante o tempo do estudo, a incidência foi 0,9% nos grupos tirzepatida e 0,2% no grupo semaglutida, e nenhuma das mortes foi atribuída às medicações. Assim como no SURPASS-1, os efeitos adversos mais comuns foram gastrointestinais, e ocorreram em torno de 40% dos pacientes em todos os grupos, mas apenas uma minoria destes levou à suspensão da medicação. A maior parte dos casos de náuseas, vômitos e diarreia foram leves a moderados, transitórios e ocorreram na titulação de dose. Em relação a eventos de glicemia <54mg/dL, a incidência foi 0,6%, 0,2% e 1,7% nos grupos tirzepatida 5mg, 10mg e 15mg contra 0,4% no grupo semaglutida. Hipoglicemia grave ocorreu em apenas 2 pacientes do estudo inteiro, um no grupo tirzepatida 5mg e um no grupo tirzepatida 15mg, com recuperação adequada.
Pancreatite ocorreu em 0,4% dos grupos tirzepatida 10mg e 15mg, 0,6% no grupo semaglutida e em nenhum paciente do grupo tirzepatida 5mg. Colelitíase ocorreu em 0,9% dos pacientes nos grupos tirzepatida e em 0,4% no grupo da semaglutida. Nenhum caso de carcinoma medular de tireoide foi visto no seguimento. Dois casos de retinopatia diabética foram confirmados, ambos no grupo tirzepatida 10mg (0,4%). Assim como no SURPASS-1, pequenas elevações em FC foram observadas, sem diferenças significativas entre os grupos. Por fim, reações de hipersensibilidade ocorreram em 1,7 a 2,8% dos pacientes que receberam tirzepatida, contra 2,3% dos pacientes randomizados para semaglutida. Reações no local da punção foram mais comuns nos grupos da tirzepatida (1,9% a 4,5% contra 0,2%) [2].
Em resumo, a tirzepatida é uma medicação com grande potencial na redução de peso e controle do diabetes. Os principais efeitos colaterais são os gastrointestinais, que são comuns, mas costumam ser leves a moderados e mais relacionados ao período de titulação da dose.
Este conteúdo foi produzido pela Afya com o apoio de Lilly de acordo com a Política Editorial e de Publicidade do Portal Afya.
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