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Cardiologia29 janeiro 2025

Tirzepatida - Efeitos em hemoglobina glicada e perda de peso

A tirzepatida é provavelmente uma das medicações mais aguardadas e observadas nos mundos da cardiologia e da endocrinologia. Isso porque vem mostrando resultados promissores.
Por Lucas Lentini

A tirzepatida é provavelmente uma das medicações mais aguardadas e observadas nos mundos da cardiologia e da endocrinologia. Isso porque vem mostrando resultados promissores em ensaios clínicos randomizados, com reduções significativas em hemoglobina glicada e no peso corporal.

Essa medicação tem um mecanismo de ação diferente dos consagrados agonistas de GLP-1 (como a semaglutida), pois é um agonista dual de GLP-1 e de GIP, ou seja, age por um mecanismo adicional na secreção de insulina. A tirzepatida é administrada semanalmente, pela via subcutânea. O programa SURPASS consiste em estudos que avaliam o efeito da medicação em diferentes cenários, e serão discutidos abaixo os efeitos em hemoglobina glicada (A1C) e peso. [1]

No estudo SURPASS-1, a tirzepatida foi testada contra placebo em diferentes doses (5mg, 10mg e 15mg), e os pacientes incluídos necessariamente tinham diabetes tipo 2. Este foi um estudo multicêntrico que incluiu 478 pacientes, com A1C entre 7% e 9,5%, não controlados com apenas dieta e exercício e IMC de pelo menos 23kg/m² e peso estável nos 3 meses anteriores à inclusão. Os principais critérios de exclusão reportados foram diabetes tipo 1, história pessoal de pancreatite, retinopatia diabética proliferativa (ou não proliferativa, mas com necessidade de tratamento agudamente), maculopatia diabética, taxa de filtração glomerular estimada (TFG) < 30mL/min/1,73m² e uso de qualquer hipoglicemiante oral nos 3 meses anteriores. [1]

Além disso, o estudo SURPASS-1 usou um protocolo “lento” de titulação de dose, com aumentos de 2,5mg a cada 4 semanas, até que se atingisse a dose alvo do grupo ao qual o paciente foi alocado. Acréscimo de outras medicações hipoglicemiantes era permitido pelo protocolo, seguindo critérios pré-estabelecidos, como hiperglicemia persistente, necessidade de interrupção do tratamento do estudo e necessidade de controle glicêmico adicional durante o período de seguimento de segurança. O desfecho primário do SURPASS-1 era variação nos níveis de A1C. [1] Os pacientes incluídos tinham, em média, A1C 7,94%, 54,1 anos de idade e IMC 31,9kg/m². 66 pacientes (14%) interromperam o uso da medicação. A tirzepatida foi capaz de reduzir significativamente a A1C neste estudo, em todos os grupos (doses de 5mg, 10mg e 15mg). Em um seguimento de 40 semanas, a redução média de A1C foi de 1,87% no grupo 5mg, 1,89% no grupo 10mg e 2,07% no grupo 15mg. Além disso, a tirzepatida levou mais pacientes a alvos de A1C < 7% em relação ao placebo (87-92% vs 20%). Em relação à perda de peso, houve redução de 7kg no grupo 5mg, 7,8kg no grupo 10mg e 9,5kg no grupo 15mg. Do ponto de vista de efeitos adversos, os principais reportados foram gastrointestinais (náuseas, vômitos e diarreia). Não houve hipoglicemia grave com o uso de tirzepatida no estudo SURPASS-1. [1]

Apesar dos bons resultados mostrados no estudo SURPASS-1, ainda era necessário saber como seriam os resultados da tirzepatida quando comparada a outras medicações já consagradas nesse contexto, como por exemplo a semaglutida. Com esse objetivo foi feito o estudo SURPASS-2, um estudo de não-inferioridade que randomizou 1879 pacientes para receber tirzepatida nas doses de 5mg, 10mg ou 15mg ou semaglutida na dose de 1mg. Os pacientes obrigatoriamente tinham o diagnóstico de diabetes tipo 2 não controlado com metformina na dose mínima de 1500mg por dia e um IMC de pelo menos 25kg/m². Entre outros, eram critérios de exclusão diabetes do tipo 1, TFG < 45mL/min/1,73m², história pessoal de pancreatite e complicações oftalmológicas do diabetes (retinopatia proliferativa, retinopatia não proliferativa com necessidade de tratamento agudamente ou maculopatia diabética). Ambas as medicações foram tituladas a cada 4 semanas – no grupo tirzepatida foram feitos incrementos de 2,5mg a cada aumento e no grupo semaglutida a medicação foi iniciada em 0,25mg e a dose dobrada a cada incremento. O desfecho primário foi a redução nos níveis de A1C em 40 semanas. [2]

Os resultados do estudo SURPASS-2 foram favoráveis à tirzepatida. As reduções em A1C foram de 2,01% no grupo tirzepatida 5mg, 2,24% no grupo tirzepatida 10mg e 2,30% no grupo tirzepatida 15mg, versus 1,86% no grupo semaglutida. As diferenças foram estatisticamente significativas, demonstrando não apenas não inferioridade, mas também superioridade da tirzepatida. Em relação à perda ponderal, os grupos tirzepatida tiveram melhores resultados, com reduções de 7,6kg no grupo tirzepatida 5mg, 9,3kg no grupo tirzepatida 10mg e 11,2kg no grupo tirzepatida 15mg, versus 5,7kg no grupo semaglutida 1mg. Nos grupos tirzepatida, 65 a 80% dos pacientes tiveram redução de pelo menos 5% do peso corporal, versus 54% no grupo semaglutida 1mg; ainda 34 a 57% dos pacientes tiveram reduções de pelo menos 10% no peso corporal, versus 24% no grupo semaglutida 1mg. Os resultados foram bastante favoráveis para a tirzepatida – no entanto, uma limitação digna de nota foi o uso da dose de 1mg do grupo comparação, e não 2,4mg. Assim como no SURPASS-1, os principais efeitos adversos foram gastrointestinais. Taxas baixas de hipoglicemia foram vistas em ambos os grupos – 0,6% no grupo tirzepatida 5mg, 0,2% no grupo tirzepatida 10mg, 1,7% no grupo tirzepatida 15mg e 0,4% no grupo semaglutida 1mg. Eventos adversos graves foram reportados em 5 a 7% dos pacientes nos grupos tirzepatida e 3% no grupo semaglutida 1mg. [2]

Em resumo, a tirzepatida é um agonista dual de GLP-1 e GIP, com resultados excelentes em redução de hemoglobina glicada e peso corporal, com resultados superiores à semaglutida na dose de 1mg.

 

 

Este conteúdo foi produzido pela Afya com o apoio de Lilly de acordo com a Política Editorial e de Publicidade do Portal Afya.

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