A parada cardiorrespiratória (PCR) é um momento dramático para o paciente e para a equipe de saúde. Constantemente esforços são feitos para melhorar a qualidade deste atendimento. A rapidez na identificação do evento, a velocidade de resposta dos profissionais e o monitoramento da eficácia do procedimento em si, muda drasticamente o seu desfecho.
Vahedian-Azimi et al. conduziu o primeiro ensaio intra-hospitalar randomizado controlado avaliando uma nova ferramenta de feedback na ressuscitação cardiopulmonar (RCP), o “Cardio First Angel”. A RCP de alta qualidade foi provada que melhora os resultados de sobrevivência após a parada cardíaca e continua a ser um foco de atenção na garantia de qualidade e de programas para sua melhoria.
Existem vários dispositivos de feedback que são comercialmente disponíveis para melhorar a qualidade da RCP administrada, mas as avaliações deram resultados mistos em publicações de ensaios controlados randomizados e em estudos observacionais. As diretrizes internacionais de ressuscitação não recomendam atualmente a implementação de dispositivos de feedback na prática clínica isoladamente, mas sim como parte de um conjuntos de cuidados na parada cardíaca.
Existem vários fatores importantes na RCP que, atualmente, definem uma RCP de alta qualidade: taxa (100-120 compressões/minuto) e profundidade de compressão (5-6 cm em adultos), garantia do recuo completo do tórax após cada compressão e minimização de interrupções nas compressões.
Vahedian-Azimi et al. desenvolveu duas listas de verificação para avaliar a RCP: uma pontuação de eficácia (variando de 0 a 10) e uma pontuação de adesão de diretrizes (variando de 0 a 10). Estes escores avaliaram vários aspectos da qualidade da RCP, mas uma limitação é que os avaliadores são não cegos na alocação do tratamento, aumentando o potencial de viés de medição. Em geral, o novo dispositivo melhorou ambas as medidas de qualidade da RCP. Esses achados também são incertos, especialmente porque as taxas de parada cardíaca foram marcadamente mais altas (aproximadamente 35%) do que é normalmente esperado entre pacientes admitidos em UTIs em outras regiões.
As compressões torácicas guiadas por dispositivos de feedback para garantir frequência e profundidade adequadas são importantes. No entanto, o seu efeito na fisiologia do doente permanece obscuro.
De fato, as diretrizes atuais de ressuscitação recomendam a mesma frequência e profundidade para todos os pacientes. Abordagens mais recentes para monitorar a fisiologia em tempo real durante a RCP podem melhorar a nossa capacidade de avaliar a qualidade da ressuscitação no futuro. O monitoramento fisiológico, especificamente do débito cardíaco, e perfusão coronária e cerebral durante a ressuscitação, tendem a ser mais sensíveis a pequenas mudanças que podem orientar os esforços de ressuscitação e, pelo menos em alguns estudos, têm sido correlacionados com resultados melhores. Contudo, estas medições são de difícil obtenção durante a RCP, particularmente no ambiente extra-hospitalar.
Outra área de investigação é o uso da medida de dióxido de carbono corrente final (ETCO2), que tem correlação indireta com o débito cardíaco e estão prontamente disponíveis para uso na RCP. Contudo, ainda não existem valores-alvo de ETCO2 recomendados para a RCP e sua relação com a sobrevida ainda não está claro.
Em suma, a medida com o que a capacidade de monitorar a fisiologia durante a RCP evolui, poderemos ser capazes de individualizar o atendimento ao paciente, realizando uma RCP direcionada e aumentando a sobrevida dos pacientes.
Referência:
- https://ccforum.biomedcentral.com/articles/10.1186/s13054-016-1371-9
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