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Cardiologia29 agosto 2025

ESC 2025: Estudo POTCAST avaliou o aumento de potássio e arritmias ventriculares

O trabalho avaliou os benefícios e riscos de manter os níveis de potássio para a faixa normal-alta  em pacientes com alto risco de arritmias ventriculares.

O estudo POTCAST, apresentado no Congresso Europeu Anual de Cardiologia (ESC 2025) e publicado simultaneamente no New England Journal of Medicine, investigou se manter o potássio sérico em níveis mais elevados (4,5 a 5 mmol/l) poderia melhorar desfechos clínicos arritmogênicos em pacientes com alto risco de arritmias ventriculares. 

Estudos observacionais prévios sugerem que níveis de potássio plasmático aumentam o risco de arritmias ventriculares em uma curva em U, implicando alto risco quando em concentrações abaixo de abaixo de 4 e acima de 5 mmol/l, principalmente em pacientes com doenças cardiovasculares. 

Arritmia no esforço tem significado prognóstico? 

Imagem de DC Studio/freepik

Objetivo do estudo

Avaliar os benefícios e riscos de manter os níveis de potássio para a faixa normal-alta (4.5−5.0 mmol/L) em pacientes com alto risco de arritmias ventriculares que possuem um cardioversor desfibrilador implantável (CDI) ou desfibrilador da terapia de ressincronização cardíaca (TRC-D). 

Metodologia

  • Ensaio clínico randomizado, controlado e aberto, conduzido em três locais na Dinamarca. 
  • Foram incluídos 1200 indivíduos com CDI ou TRC-D, com pelo menos 18 anos de idade, um nível basal de potássio plasmático de ≤4.3 mmol/L, taxa de filtração glomerular ≥ 30 ml/min/1,73m², sendo randomizados 600 para o grupo intervenção (aumento de potássio sérico) e 600 para o grupo controle (terapia usual) e seguidos por seis meses com ECG, exames de sangue e avaliação do monitor do dispositivo. 
  • O aumento de potássio foi com orientação dietética, suplementos de potássio e/ou terapia com antagonista do receptor mineralocorticoide. 
  • Desfecho primário: composto de arritmia ventricular (qualquer terapia apropriada do CDI ou qualquer taquicardia ventricular sustentada registrada por ECG), hospitalização por arritmia ou por insuficiência cardíaca requerendo intervenção medicamentosa ou invasiva, ou mortalidade por todas as causas em cinco anos. 

Resultados

  • A média de idade foi 63 anos, 80% homens, 56% em uso de CDI como profilaxia secundária, 28% já havia experimentado terapia apropriada do CDI, fração de ejeção do ventrículo esquerdo média de 45%, 50% com doença isquêmica e 10% com doença renal crônica. 
  • A média de tempo para titular o aumento dos níveis de potássio foi de 85 dias, sendo que no grupo normal-alto alcançaram uma média de 4,36 mmol/L (partindo de 4.01 mmol/L) após 6 meses, comparado a 4,05 mmol/L no grupo controle, representando um aumento de aproximadamente 0,3 mmol/L. 
  •  O acompanhamento mediano foi de 39.6 meses. 

Resultados principais

A média de concentração não ficou acima de 4 mmol/l no geral.

  • O desfecho primário composto foi significativamente menor no grupo intervenção (22.7%) em comparação com o grupo controle (29.2%), hazard ratio 0,76 (IC95% [0,61 a 0,95], p=0,1) 
  • Este benefício foi consistente em subgrupos, incluindo pacientes com doença cardíaca isquêmica e insuficiência cardíaca. 
  • Os principais impulsionadores dessa diferença foram: 
  • Qualquer terapia apropriada de ICD (choque ou estimulação antitaquicardia), ocorrendo em 15.3% no grupo de potássio alto-normal e 20.3% no grupo controle, HR 0,75 (IC95% [0,57 a 0,98]) 
  • Hospitalizações não planejadas por arritmias cardíacas, ocorrendo em 6.7% no grupo de potássio intervenção e 10.7% no grupo controle, HR 0,63 (IC95% [0,42 a 0,93]) 
  • As hospitalizações não planejadas por insuficiência cardíaca ocorreram em 3.5% e 5.5% dos participantes, respectivamente, e a mortalidade foi de 5.7% no grupo de potássio intervenção versus 6.8% no grupo controle. 
  • Não houve diferença quanto à mortalidade. 
  • Desfechos de segurança (hospitalização por hiper ou hipocalemia ou disfunção renal) foi semelhante para ambos os grupos, HR 1,75 (IC95% [0,80 a 3,83], p=0,16) 

Este estudo foi o primeiro ensaio randomizado avaliando níveis terapêuticos de potássio para reduzir arritmias ventriculares e mostrou que aumentar os níveis de potássio plasmático para a faixa normal-alta reduziu o risco composto de arritmias, hospitalização por insuficiência cardíaca ou arritmia e morte, em comparação com o controle. É importante ressaltar que esses ganhos foram alcançados em níveis inferiores aos preconizados pelo estudo de 4,5 a 5 mmol/l, e ainda não sabemos se a resposta positiva se daria com níveis acima do atingido pela população do estudo. Os benefícios foram observados em diferentes tipos de doenças cardiovasculares e independentemente do método utilizado para aumentar os níveis de potássio. 

Especula-se se o aumento dos níveis de potássio pode, pelo menos parcialmente, ser responsável pelos resultados positivos dos antagonistas mineralocorticoides em ensaios clínicos de insuficiência cardíaca, em vez de ser apenas um efeito colateral. 

Confira todos os destaques da cobertura do ESC 2025 aqui!

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Referências bibliográficas

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