Os inibidores de PCSK9 reduzem o colesterol LDL de forma importante e os estudos publicados avaliaram essa medicação por períodos apenas de dois a três anos. Porém, na prática clínica, esse tipo de medicação é utilizado por longos períodos. Baseado nisso, foi realizado o estudo FOURIER-OLE, no intuito de avaliar a segurança a longo prazo, tolerabilidade da medicação, níveis de LDL e risco de eventos cardiovasculares adversos maiores em pacientes em uso prolongado de evolocumabe.

Estudo
No estudo FOURIER, com mais de 27 mil pacientes com doença coronária e LDL igual ou superior a 70mg/dL, essa medicação levou à redução de risco cardiovascular, sem diferença em mortalidade, com segurança e boa tolerância em um período médio de 2,2 anos.
O FOURIER-OLE selecionou pacientes que haviam participado do estudo anterior para um seguimento de cinco anos: 3355 pacientes do grupo evolocumabe, aplicado via subcutânea, na dose de 140mg a cada duas semanas ou 420mg uma vez por mês, e 3280 pacientes do grupo placebo. Todos os pacientes receberam evolocumabe neste seguimento de longo prazo.
O objetivo primário deste seguimento era avaliar segurança e tolerabilidade da medicação, com o desfecho primário sendo ocorrência de eventos adversos. O seguimento médio deste novo seguimento foi de cinco anos, com exposição máxima por 8,4 anos. Os pacientes eram semelhantes entre os grupos.
No grupo evolocumabe, em 12 semanas deste seguimento, o LDL médio era de 30mg/dL e 63% dos participantes tinham LDL menor que 40mg/dL. A ocorrência de reações adversas, alteração muscular, ocorrência de diabetes, AVC hemorrágico e distúrbios cognitivos foram semelhantes entre os dois grupos e não aumentaram durante o seguimento.
Os pacientes originalmente randomizados no FOURIER tinham risco 15% menor de morte cardiovascular, IAM, AVC, internação por angina instável ou revascularização coronária. Houve redução de 20% no desfecho secundário de morte cardiovascular, IAM ou AVC. E neste seguimento mais prolongado houve redução de 23% na mortalidade, com benefício de início precoce da medicação.
Como conclusão temos que a redução do LDL com evolocumabe foi segura e bem tolerada por mais de oito anos de seguimento e levou a redução de eventos cardiovasculares, incluindo mortalidade no longo prazo.
Autoria

Isabela Abud Manta
Editora de Cardiologia da Afya. Médica pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-UNIFESP), especialista em Clínica Médica pela mesma Instituição e em Cardiologia pelo Instituto de Cardiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor-HCFMUSP). Pós graduação em Cardio-Oncologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Além da Afya, atua em consultório, hospitais públicos e privados e é instrutora da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein.
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.