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CardiologiaJUL 2019

É seguro fazer transfusão de sangue na cirurgia cardíaca?

Na cirurgia cardíaca, anemia é um problema comum e está relacionado com a doença de base, há muito debate em torno do limiar ideal para transfusão.

Por Ronaldo Gismondi

Tempo de leitura: [rt_reading_time] minutos.

Na cirurgia cardíaca, anemia é um problema comum e está relacionado com a doença de base, as perdas durante o procedimento e a hemodiluição durante circulação extracorpórea (CEC). Há muito debate em torno do limiar ideal para transfusão, se < 7 g/dl ou < 10 g/dl de hemoglobina. Um estudo recente, realizado na Holanda, trouxe informações nessa área.

Foram recrutados pacientes submetidos à cirurgia cardíaca, seja revascularização e/ou troca valvar. Neste hospital, o protocolo transfusional é com limiar de hemoglobina em 7,3 g/dl no pré e pós-operatório, hematócrito 20% durante a cirurgia com CEC e 25% durante a cirurgia sem CEC. O desfecho primário foi mortalidade em 30 dias após a cirurgia. O estudo incluiu 2933 pacientes, com idade média 67 anos, 70% homens. A cirurgia mais comum foi revascularização (90%). Cerca de 25% tinham disfunção sistólica do VE associada.

O que os autores observaram?

  1. A hemoglobina média após a cirurgia foi 6g/dl.
  2. 22% dos pacientes foram transfundidos, uma média de 2 bolsas.
  3. Quem transfundiu apresentou um risco de morte em 30 dias. Um risco 3,1 vezes maior! Além disso, na análise estatística, a transfusão foi um preditor independente de mortalidade.
  4. A população de maior risco para necessitar de transfusão foram idosos, maior Euroscore, cirurgia combinada revascularização + valva, anemia no pré-operatório e maior tempo de CEC.

Leia mais: Cirurgia cardíaca: novidades no tratamento de complicações no pós-operatório imediato

O que levar para a prática?

Esses resultados estão em linha com estratégias mais conservadoras de transfusão, com um limiar entre 7 e 8 g/dl. Um estudo de 2018, o TRICS, já havia mostrado que uma estratégia de transfusão com limiar em 7,5g/dl era não inferior a 9,5g/dl no pós-operatório de cirurgia cardíaca. Portanto, segurem a mão nos hemoderivados! Nada da regra universal “quem ganha uma, ganha duas bolsas”. A dúvida que fica é se vale a pena e como corrigir a anemia no pré-operatório.

 

Referências:

  • https://bmcanesthesiol.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12871-019-0738-2
  • https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1808561
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