A hipertensão resistente ocorre em cerca de 12% dos hipertensos e se caracteriza por níveis pressóricos elevados apesar do uso regular e simultâneo de pelo menos três classes de anti-hipertensivos, incluindo um diurético. Em casos selecionados, após avaliação multidisciplinar, compartilhada e após exclusão de causas de pseudoresistência, a denervação renal (DR) pode ser considerada. Atualmente, apesar de promissora, não há um consenso quanto a sua recomendação nas diretrizes, as evidências ainda são limitadas para desfechos clínicos maiores, à heterogeneidade de resposta e problemas metodológicos.
Revisão
Uma revisão sistemática com meta-análise recente (Efficacy of renal denervation with and without antihypertensives in patients with resistant hypertension: A systematic review and meta-analysis | Nefrología) avaliou a eficácia da DR isolada ou combinada a medicações anti-hipertensivas, na redução da pressão arterial em pacientes com hipertensão resistente. Foram incluídos 20 ensaios clínicos randomizados, totalizando 2.553 pacientes, com dados extraídos até abril de 2024. O método de análise envolveu modelos de efeitos aleatórios com foco em diferenças médias padronizadas (DMP) da pressão arterial.
Os resultados mostraram que a combinação de DR e anti-hipertensivos foi superior a todas as demais estratégias, incluindo anti-hipertensivos isolados, placebo ou DN isoladamente.
- Redução da pressão diastólica diurna: DMP de 3,90 (IC95%: 0,58–7,22; p = 0,02).
- Redução da pressão sistólica noturna: DMP de 5,31 (IC95%: 1,57–9,04; p = 0,005).
- Redução da PAS em 24 horas: DMP de 5,67 (IC95%: 1,67–9,68; p = 0,006).
- Redução da PAD em 24 horas: DMP de 5,88 (IC95%: 3,02–8,74; p < 0,0001).
- Redução da pressão diastólica em consultório: DMP de 4,95 (IC95%: 0,63–9,28; p = 0,03).
Quando avaliada isoladamente, a DR mostrou efeito significativo apenas sobre a PAS diurna (DMP 4,78; p < 0,0001) e a PAD diurna (DMP 3,46; p < 0,0001), sem efeito significativo sobre a PAD de 24h ou na PAS em consultório.
Alguns detalhes importantes: houve alta heterogeneidade entre os estudos (I² acima de 90% para várias análises), diferenças nos tipos de dispositivos utilizados, no tempo de seguimento e nas terapias farmacológicas associadas. Os autores destacam no artigo que, em virtude dessas limitações, são necessárias evidências futuras oriundas de ensaios clínicos robustos, com seguimento prolongado e avaliação de eventos clínicos duros.
Considerações finais
O trabalho sugere que há espaço do uso da denervação renal como terapia adjuvante no tratamento da hipertensão resistente, especialmente quando associada ao tratamento medicamentoso padrão. Como a meta-análise mostrou, houve redução significativa da pressão arterial durante o dia, à noite e ao longo de 24 horas conferindo uma estratégia com potencial de reduzir o risco de complicações cardiovasculares e danos em órgãos-alvo. A perspectiva é que estudos futuros, metodologicamente desenhados possam corrigir as limitações de estudos anteriores, forneçam evidências suficientes para a incorporação da denervação renal de forma mais fundamentada na prática clínica.
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