Como definir a gravidadade da estenose aórtica pelo ecocardiograma? A avaliação da gravidade da estenose aórtica parte da obtenção dos dados hemodinâmicos da valva aórtica de acordo com a análise do gradiente. A partir do momento que a área está menor do que 1cm2, a presença de um gradiente médio acima de 40mmHg e uma velocidade máxima acima de 4m/s já definem a estenose aórtica como importante.

Na presença de uma desproporção entre a área valvar e o gradiente, situação denominadas de estenose aórtica de baixo gradiente, a investigação deve continuar.
Se você exclui erros de medidas e pressão arterial sistêmica descontrolada e encontra um valor de área valvar acima de 1 cm2, trata-se de uma estenose aórtica moderada.
Se após essa avaliação, a área ainda está abaixo de 1 cm2 e o gradiente médio abaixo de 40 mmHg, é feita a medida do volume sistólico ejetivo ou stroke volume. Valores normais, ou seja, acima de 35 mL/m2 provavelmente apontem para erros de medidas na avaliação inicial, devendo ser reiniciada a investigação.
Valores reduzidos, ou seja, abaixo de 35 mL/m2 definem como estenose aórtica de baixo fluxo, que pode ser dois tipos, o estágio D2 ou D3.

O estágio D2 é marcado pela queda na fração de ejeção e deve motivar o clínico a solicitar o ecocardiograma com stress, em uso de baixas doses de dobutamina. Nesse caso, na presença de reserva contrátil e manutenção da área abaixo de 1cm2, estamos diante de uma estenose aórtica importante. Se com reserva contrátil presente e elevação da área valvar, estamos diante de uma pseudo-estenose aórtica.
Agora os casos com ausência de reserva contrátil ou aqueles que tem baixo stroke volume e fração de ejeção preservada (estágio D3), deve-se solicitar uma tomografia de coração para a medida do escore de cálcio da valva aórtica. Se valores elevados são encontrados, há a confirmação de uma estenose aórtica importante. Nem sempre o ecocardiograma isolado será capaz de bater o martelo sobre a gravidade da estenose aórtica.

tabela adaptada da diretriz europeia de valvopatias.
Autoria

Tiago Bignoto
Redator em Cardiopapers. Possui pós-doutorado em Cardiologia pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (2021). Doutorado em Cardiologia pela Universidade de São Paulo, Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (2018). Aperfeiçoamento - Fellow em Cardiologia pela Johns Hopkins University, EUA. Especialização em Ecocardiografia (2012 a 2014) e Residência Médica em Cardiologia (2011 a 2013) pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. Residência em Clínica Médica pela Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, MG (2009 a 2011). Graduação em Medicina pela Universidade Federal de Juiz de Fora, MG (2008). Título de especialista em Clínica Médica, Hospital Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, Ministério da Educação, MEC. Título de especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia e Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia do Estado de São Paulo, Ministério da Educação, MEC. Título de especialista em Ecocardiografia, Departamento de Imagem em Cardiologia da Sociedade Brasileira de Cardiologia. FESC Fellow of the European Society of Cardiology. Atualmente é professor pleno no curso de pós-graduação Medicina/Tecnologia e Intervenção em Cardiologia, Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia; coordenador de pós-graduação em Valvopatias e CArdiologia pelo Instituto de Pesquisa e Ensino Médico, IPEMED; professor do curso de Medicina da Universidade de Santo Amaro, UNISA; pesquisador voluntário no InCor, SP e médico assistente, Área CArdiologia do Hospital do Coração, SP; vice-presidente do Comitê de Ética da Cruz Vermelha Brasileira. Revisor dos trabalhos para o Congresso ESC 2022, Abstract Reviewing Committee. Revisor dos Periódicos: Catheterization and Cardiovascular Interventions; Arquivos Brasileiros de Cardiologia; European Journal of Clinical Investigation e JACC: Cardiovascular Imaging. Membro do Corpo Editorial e Organizador do Projeto Tripe I, INCOR Innovation in Intervention e Editor Chefe e Organizador da Plataforma The Valve Club. Anteriormente foi médico coordenador da Ecocardiografia do Instituto de Pesquisas e Doenças Cardiovasculares, IPDC (2015 a 2019); médico coordenador da Ecocardiografia do Hospital São Camilo Pompéia; coordenador de UTI na Cruz Vermelha Brasileira (2014 a 2019). Participou como autor e coautor de 12 artigos nacionais e internacionais; 3 Livros Publicados; 27 Capítulos de Livros; 19 resumos publicados em anais de congressos. Participação em 14 Projetos de Pesquisa. 166 aulas ministradas em curso de graduação e pós-graduação. 2 orientações em cursos de especialização. Área de Atuação: Cardiologia, Ecocardiografia, Valvopatias.
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