Logotipo Afya
Anúncio
Cardiologia29 março 2025

ACC 2025: Plasma ou complexo protrombínico para sangramento na cirurgia cardíaca?

O FARES II, trial que avaliou as duas opções, foi publicado simultaneamente à divulgação dos resultados no ACC 2025.

Até 15% dos pacientes submetidos a cirurgia cardíaca tem sangramento importante, sua ocorrência está associada a maior morbimortalidade e quanto maior o sangramento, maiores as complicações. O tratamento padrão é a transfusão de plasma fresco congelado (PFC), porém uma alternativa pode ser o concentrado de complexo protrombínico (CCP) com 4 fatores.

O CCP é derivado do plasma e contém fatores pró-coagulantes concentrados e purificados, com os benefícios de não haver necessidade de compatibilidade ABO e gerar menor sobrecarga de volume.

No primeiro dia do congresso do American College of Cardiology (ACC 2025) foram apresentados os resultados do estudo FARES II, um estudo de fase 3, randomizado e controlado com objetivo de comparar a eficácia e segurança do CCP em relação ao PFC em pacientes submetidos a cirurgia cardíaca e que tiveram sangramento. O trial foi publicado simultaneamente no JAMA.

FARES II

Foi estudo de fase 3 de não inferioridade, prospectivo e randomizado que incluiu pacientes com 18 anos ou mais submetidos a cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea e necessidade de transfusão para manejo de sangramento, antecipação de sangramento ou ainda que tinham deficiências do sistema de coagulação.

O desfecho primário era resposta hemostática efetiva ou não efetiva, ou seja, com ou sem necessidade de terapias adicionais ou outras intervenções entre 60 minutos e 24 horas após a transfusão.

Leia também: Diretriz de profilaxia de TEV no perioperatório de cirurgia cardiovascular

Foram randomizados 213 pacientes para o grupo CCP e 207 para o grupo PFC. As características dos grupos eram semelhantes e os resultados mostraram que o grupo CCP teve resposta hemostática efetiva em 77,9%, contra apenas 60,4% no grupo PFC.

A análise mostrou que o CCP foi não só inferior, mas também superior ao PFC, que teve 1,8 vezes maior taxa de falha em atingir a hemostasia. O resultado foi consistente para todos os subgrupos analisados.

Ainda, o uso de CCP não aumentou a ocorrência de eventos tromboembólicos, preocupação principalmente nos casos de revascularização coronária, e levou a menor ocorrência de eventos adversos e de insuficiência renal aguda.

Mensagem prática

Apesar de algumas limitações como o estudo não ser completamente cego com chance de viés, esses resultados devem levar a mudanças na prática clínica, com preferência para utilização de CCP em relação a PFC em pacientes submetidos a cirurgia cardíaca que apresentam sangramento.

Confira todos os destaques do ACC 2025!

Dia 31/03, às 20h, acompanhe a live de resumo do congresso com a Afya Cardiopapers! Programe-se!

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Referências bibliográficas

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Leia também em Cardiologia