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Cardiologia30 março 2025

ACC 2025: Ablação ou mudança de estilo de vida mais antiarrítmicos para a FA?

O estudo PRAGUE-25 avaliou se em pacientes obesos, o MEV levaria a melhora do efeito dos antiarrítmicos e esta combinação seria não inferior a ablação por cateter. 
Por Isabela Abud Manta

Entre os fatores de risco para fibrilação atrial (FA), encontra-se a obesidade. Um aumento de 5 pontos no índice de massa corpórea (IMC) está associado a um aumento de 19-29% na incidência de FA e a obesidade sempre foi bastante prevalente em estudos que compararam tratamento clínico e ablação por cateter para esta arritmia. 

Alguns estudos já mostraram que a perda de peso, aumento da atividade física e redução do consumo de álcool tem associação com manutenção do ritmo sinusal e quanto maior a perda de peso, maior a resolução da FA. 

Por outro lado, sabemos que a ablação por cateter é superior ao tratamento com antiarrítmicos, mas o tratamento com essas medicações não foi avaliado em conjunto com mudança do estilo de vida (MEV).

Assim, no segundo dia do congresso do American College of Cardiology (ACC 2025), foram apresentados os resultados do estudo PRAGUE-25, que tinha como hipótese que, em pacientes obesos, MEV levaria a melhora do efeito dos antiarrítmicos e esta combinação seria não inferior a ablação por cateter. 

Médica examinando paciente idosa com DRC e suspeita de fibrilação atrial.

Métodos do estudo e população envolvida 

Foi estudo de não inferioridade, randomizado, multicêntrico que comparou ablação por cateter e tratamento baseado em MEV mais uso de antiarrítmicos em pacientes obesos com FA.   

Para inclusão, os pacientes deveriam ter FA sintomática, IMC entre 30 e 40kg/m2, não poderiam ter fração de ejeção do ventrículo esquerdo < 40% ou contraindicações aos antiarrítmicos, idade > 75 anos ou limitação para atividade física. 

O grupo ablação realizava o procedimento em até 6 semanas após a randomização e o grupo MEV mais antiarrítmico tinha uma meta de perda de peso e atividade física guiada por nutricionistas e fisioterapeutas, com avaliação inicial em até 4 semanas após a randomização. Os antiarrítmicos eram de preferência da classe IC e amiodarona era a terceira escolha, após falha documentada das opções preferenciais. 

O desfecho primário era ausência de qualquer arritmia (FA, Flutter atrial, taquicardia atrial) com duração maior que 30 segundos no seguimento de um ano. Os desfechos secundários eram carga da FA, VO2 de pico no teste cardiopulmonar, perfil metabólico e qualidade de vida avaliada por questionário específico. 

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Resultados 

Foram randomizados 100 pacientes para o grupo ablação e 103 para o grupo MEV mais antiarrítmico. A idade média foi de 60 anos, o peso e o IMC médios de 110kgs e 35kg/m2 respectivamente. Pouco mais da metade tinha FA paroxística, quase 40% FA persistente e 5% FA persistente de longa duração.  

O grupo ablação não teve mudança do peso no seguimento de 12 meses. O grupo MEV mais antiarrítmicos teve redução média de 6,37kgs em 12 meses e 6,29kgs em 24 meses. Em 3 meses 95,1% estavam em uso de antiarrítmicos e em 12 meses 66,7% apenas. Houve cross-over de 25 pacientes do grupo MEV mais antiarrítmicos para o grupo ablação, sendo 23 após recorrência de FA. 

O desfecho primário ocorreu mais no grupo ablação, em 73% dos pacientes, enquanto no grupo MEV mais antiarrítmico ocorreu em apenas 34,6%, não sendo atingida a não inferioridade e com superioridade da ablação. O grupo MEV teve redução de hemoglobina glicada comparado ao grupo ablação e tendência a maior redução de triglicérides, além de melhora da capacidade funcional pelo VO2 de pico. 

Comentários e conclusão 

Este estudo mostrou que MEV associada a antiarrítmicos levou a melhora metabólica, funcional e redução da carga de FA. Porém, não atingiu a não inferioridade na manutenção do ritmo sinusal e confirmou a superioridade da ablação.  

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