O nascimento do primeiro filho é um dos eventos mais bonitos e inesquecíveis que podem acontecer na vida de uma mulher. Um estudo muito interessante realizado em Marrakech, Marrocos, relatou as vivências e sentimentos de mães de primeira viagem durante a internação de seus bebês em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN). Os resultados foram apresentados no último congresso da World Federation of Pediatric Intensive & Critical Care Societies (WFPICCS 2022).
Metodologia
Os pesquisadores realizaram um estudo qualitativo baseado em um questionário semiestruturado, preenchido quando o recém-nascido (RN) recebia alta de uma UTIN em Marrakech. O estudo foi conduzido por um período de nove meses, de agosto de 2020 a abril de 2021.
Resultados
Ao longo do período do estudo, 40 mulheres responderam ao questionário. A idade das mães variou entre 16 e 42 anos e 42,5% dos RN foram internados no primeiro dia de vida.
O tempo de permanência na UTIN variou de 2 a 41 dias (média de 10,3 dias). A média de visitas das mães foi de 4,6 vezes. A permanência foi considerada muito difícil para 90% das mães. Os elementos que dificultaram a internação foram:
- Separação do RN – 85%;
- Presenciar o sofrimento do bebê – 40%;
- Medo de perder o bebê – 17,5%;
- Tempo de internação – 10%;
- Sentimento de culpa – 10%.
As mães relataram encontrar ajuda na forma de explicações fornecidas pela equipe de enfermagem em 67,5% dos casos. As repercussões psicossomáticas foram: distúrbio do sono (65%), dificuldades na lactação (25%) e alterações do humor (20%).
Conclusões
Esse estudo mostrou que o acompanhamento e apoio da equipe de enfermagem durante o período de internação deve ser reforçado para aliviar o sofrimento das mães e garantir que o RN vá para casa recebendo os melhores cuidados possíveis.
Comentário
Cada vez mais, trabalhos na literatura mostram a importância da humanização em UTIN. Antigamente, RNs em estados críticos não sobreviviam. Hoje, com os avanços da Neonatologia, esses bebês têm melhor prognóstico, mas as sequelas psicológicas e físicas, tanto das mães quanto dos neonatos, em curto e em longo prazo ainda precisam ser melhor abordadas.
Como profissionais de saúde, obviamente nos preocupamos e desejamos o melhor cuidado para o bebê, mas medidas para confortar a família, em especial a mãe, precisam ser mais divulgadas e valorizadas, não somente pela Enfermagem, mas por toda a equipe interdisciplinar. Parabenizo os autores pela maravilhosa iniciativa.
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