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Terapia Intensiva29 março 2020

Maratona Covid-19: a realidade no Brasil e na América Latina

O médico intensivista brasileiro Luciano Azevedo compartilhou a situação do Brasil e da América Latina diante da doença causada por coronavírus, covid-19.

Acompanhamos a maratona de Covid-19 da Sociedade Europeia de Terapia Intensiva (Esicm), no último dia 27, onde especialistas do mundo todo deram palestras online a respeito do tema. O médico intensivista brasileiro Luciano Azevedo compartilhou a situação do Brasil e da América Latina diante da nova doença causada por coronavírus. Vamos compartilhar os principais momentos, nesta postagem.

Covid-19 na América Latina

A América Latina hoje tem 6420 milhões de habitantes e o Brasil 210 milhões. Até o dia 27 de março, no Brasil, tínhamos 92 mortes por Covid-19 e o número de casos chegava a 3.417. Nossos principais desafios, são:

  • 100 milhões de pessoas (48%) da população sem medidas sanitárias adequadas;
  • 25% da população está abaixo da linha da pobreza;
  • Muitas pessoas vivem em comunidades;
  • Controle precário de doenças crônicas;
  • Doenças endêmicas: dengue, malária e febre amarela.

Acesso a leitos de terapia intensiva no Brasil:

  • SUS: 7,6 leitos de CTI por 100.000 habitantes;
  • Sistema de saúde privado: 25,5 leitos por 100.000 habitantes.

Leia também: Coronavírus: guideline do Surviving Sepsis Campaign para manejo de pacientes graves

Maiores problemas para tratamento da Covid-19 na América Latina e no Brasil:

  • Poucos laboratórios certificados. Hoje os testes para a doença são muito restritos, não conseguimos testar todos os suspeitos;
  • Sensibilidade reduzida do PCR;
  • Escassez de equipamentos de proteção individual, leitos, ventiladores;
  • Escassez de profissionais de saúde, pelo isolamento por contato ou doença.

Sobre a pesquisa de Covid-19

O Brasil está participando de um protocolo de pesquisas de pacientes com Covid-19, espera-se que os resultados nos ajudem no manejo da doença na nossa realidade, avaliando a eficácia e segurança de medicamentos para pacientes com infecção pelo novo coronavírus.

Trata-se de uma parceria entre o Hospital Israelita Albert Einstein, HCor, Hospital Sírio Libanês, Hospital Moinhos de Vento e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet), junto com com o Ministério da Saúde. (COVID-19). Com o apoio na pesquisa da farmacêutica EMS fornecendo os medicamentos hidroxicloroquina e azitromicina. Participarão do estudo entre 40 e 60 hospitais.

Conclusões

O dr. Luciano concluiu que:

  • Covid-19 no Brasil está na fase de crescimento exponencial;
  • As características do nosso sistema de saúde vão dificultar o controle da doença;
  • A disseminação do vírus será maior por problemas de renda e população;
  • A evolução da doença no Brasil pode ser útil para entendermos a disseminação em outros países com poucos recursos.

Autoria

Foto de Dayanna Quintanilha

Dayanna Quintanilha

Formada em Medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Possui residência médica em Clínica Médica pelo Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP/UFF) e mestrado em Ciências da Saúde pela UFF, com pesquisa voltada ao uso de machine learning em saúde. Atualmente, é doutoranda em Ciências Médicas pela UFF, com pesquisa sobre mudanças climáticas, saúde e inteligência artificial. Atua na Afya no desenvolvimento de produtos digitais e na produção de conteúdo médico, com foco em saúde digital, apoio à tomada de decisão clínica e inovação em saúde.

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