A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou nesta quarta-feira (29/07) novas diretrizes de tratamento para a leishmaniose visceral e para a leishmaniose dérmica pós-calazar (PKDL). Os novos esquemas são mais curtos e menos tóxicos para pacientes da África Oriental e do Sudeste Asiático. Pela primeira vez, a OMS recomenda tratamentos sem o uso do estibogluconato de sódio, medicamento injetável associado a efeitos colaterais graves.
A leishmaniose visceral (calazar), doença tropical negligenciada, é transmitida pela picada de um flebotomíneo infectado e está entre as parasitoses mais letais do mundo. A doença é endêmica em 80 países, com 50 mil a 90 mil casos por ano. Apenas 25% a 45% desses casos chegam a ser notificados à OMS, o que dificulta o dimensionamento real do problema para os sistemas de saúde.

Miltefosina oral substitui injeções dolorosas na África Oriental
Por muito tempo, o tratamento na África dependeu do estibogluconato de sódio, aplicado por injeção diária durante até 17 dias. Agora, a OMS recomenda miltefosina oral combinada à paromomicina injetável, em esquema de 14 dias e com uma aplicação a menos. A mudança deve beneficiar quase metade dos pacientes com a forma primária da doença, reduzindo o tempo de exposição a efeitos tóxicos.
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Quais terapias tratam a leishmaniose dérmica pós-calazar agora?
A PKDL é uma erupção cutânea que pode surgir após o calazar. Embora não seja letal, é estigmatizante e pode causar isolamento social e sofrimento psicológico. Na África Oriental, os csos crônicos eram tratados com estibogluconato por até 60 dias ou com anfotericina B lipossomal por 20 dias.
No Sudeste Asiático, o protocolo anterior exigia 12 semanas de miltefosina, um tempo longo de exposição ao medicamento. As novas diretrizes recomendam anfotericina B lipossomal isolada ou combinada à miltefosina oral, reduzindo o tempo total de tratamento. A OMS estima que praticamente todos os pacientes com PKDL poderão se beneficiar dos novos esquemas.
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Panorama da leishmaniose no Brasil
No Brasil, o principal vetor da doença é a Lutzomyia longipalpis (popularmente chamado de mosquito-palha, asa-dura, tatuquira ou birigui). Um estudo ecológico com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) identificou 31.473 casos de leishmaniose visceral entre 2013 e 2022. A Região Nordeste concentrou 56,5% dos casos, com pico de notificações em 2017.
Em 2024, 1,245 novos casos da doença foram registrados no país, sendo 35 em Fortaleza, cidade que teve o maior número de diagnósticos. A doença é predominante em homens de raça parda com idade média de 35 anos, grupo que deve orientar as estratégias locais de controle do vetor.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
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