Reduzir tempo de espera, melhorar o giro de leitos e tornar o fluxo assistencial mais seguro: esses são alguns dos objetivos do novo Guia de Boas Práticas do Projeto Lean nas Emergências, lançado pelo Ministério da Saúde em fevereiro. A publicação consolida experiências aplicadas em serviços de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde e dialoga diretamente com um dos maiores desafios enfrentados por médicos que atuam na linha de frente hospitalar: a superlotação.
Desenvolvido no âmbito do PROADI-SUS, em parceria com hospitais de excelência, o projeto aplica a metodologia Lean à realidade das portas de urgência. Na prática, trata-se de reorganizar processos assistenciais com base em indicadores concretos, como tempo porta-médico, tempo de permanência e taxa de ocupação, para reduzir gargalos e otimizar recursos sem comprometer a qualidade clínica.
Diagnóstico operacional e intervenção baseada em dados
O modelo prevê acompanhamento técnico por um ano nas unidades selecionadas. Nesse período, são analisados demanda, capacidade instalada, fluxo de pacientes e tempo de espera. A partir desse mapeamento, são implementadas intervenções estruturadas que envolvem desde reorganização do acolhimento até revisão da gestão de leitos e protocolos internos.
Durante o encontro nacional de qualificação, profissionais passaram pela formação em Gestão de Alta Performance em Emergências (GAPE), que capacita médicos e gestores a aplicar a metodologia localmente e sustentar melhorias ao longo do tempo.
Impacto assistencial e cultura de melhoria contínua
No ciclo atual, 137 portas de urgência participam do projeto, com mais de 600 gestores capacitados. Segundo o Ministério da Saúde, unidades já registraram redução do tempo de permanência e maior previsibilidade no fluxo assistencial, fatores diretamente relacionados à segurança do paciente e à redução de eventos adversos.
O novo guia funciona como manual prático para replicação das estratégias, reforçando uma abordagem cada vez mais presente na medicina contemporânea: gestão baseada em dados, eficiência operacional e cuidado centrado no paciente.
Autoria

Roberta Santiago
Roberta Santiago é jornalista desde 2010 e estudante de Nutrição. Com mais de uma década de experiência na área digital, é especialista em gestão de conteúdo e contribui para o Portal trazendo novidades da área da Saúde.
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