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Saúde31 janeiro 2026

Infertilidade masculina: Busca por atendimentos no SUS dispara em 10 anos

Registros de atendimentos mais que dobraram em uma década, passando de 725, em 2015, para 2,5 mil em 2024
Por Gabriela Costa

Atendimentos por infertilidade masculina no SUS mais que dobraram em 10 anos e atingiram o pico em 2024, segundo dados oficiais do Ministério da Saúde.

Enquanto em 2015, 725 atendimentos foram registrados, em 2024, os números mais que dobraram: 2,5 mil registros, a maior quantidade já vista. Em 2025, até o mês de setembro, 1,5 mil atendimentos já haviam sido contabilizados.

Os registros do Ministério da Saúde englobam tanto atendimentos ambulatoriais quanto hospitalares, porém não representam necessariamente o número de pessoas nem diagnósticos definitivos, já que um mesmo paciente pode realizar mais de um atendimento ao longo do tempo.

O crescimento exponencial chama a atenção e reflete uma combinação de mudança de comportamento, maior acesso aos serviços de saúde e prevalência de fatores de risco que prejudicam a fertilidade masculina.

infertilidade masculina

Razões por trás do aumento

O aumento dos atendimentos por infertilidade masculina não pode ser interpretado apenas como um crescimento do número de homens inférteis. Os dados indicam, sobretudo, uma maior procura pelos serviços de saúde, que pode ter relação com ampliação do acesso, redução de tabus em torno da saúde reprodutiva masculina e maior conscientização sobre o tema.

Observa-se que o crescimento dos atendimentos se tornou mais consistente a partir de 2021, período marcado pela retomada gradual dos serviços de saúde após a fase mais crítica da pandemia do Covid-19.

Esse aumento também indica uma maior exposição a fatores de risco, já bem estabelecidos para infertilidade masculina, como obesidade, sedentarismo, uso de anabolizantes, poluição ambiental e o adiamento da decisão de ter filhos.

Causas e fatores de risco

Entre as causas mais frequentes da infertilidade masculina está a varicocele, dilatação das veias dos testículos, condição que está presente em até 40% dos casos e que, em muitos pacientes, é potencialmente tratável. Também figuram entre os principais fatores as alterações hormonais, infecções do trato genital, doenças genéticas e as sequelas de tratamentos oncológicos, como quimioterapia e radioterapia.

Nos últimos anos, no entanto, especialistas têm observado o aumento da influência de fatores externos ambientais e de estilo de vida, que passaram a desempenhar um papel cada vez mais relevante na saúde reprodutiva masculina.

Entre as principais causas da infertilidade masculina, destacam-se:

  • Varicocele;
  • Alterações hormonais, frequentemente associadas ao uso de testosterona exógena e anabolizantes;
  • Infecções do trato genital, como clamídia, que podem deixar sequelas permanentes;
  • Obesidade, sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de álcool;
  • Exposição a poluentes ambientais, agrotóxicos e calor excessivo;
  • Efeitos tardios de tratamentos oncológicos, incluindo quimioterapia e radioterapia.

Veja também: Existe associação entre a síndrome antifosfolípide e a ocorrência de infertilidade?

Em casos de obesidade, o excesso de gordura corporal favorece a inflamação crônica e as alterações hormonais, como a queda da testosterona, além de aumentar a temperatura na região dos testículos, o que prejudica a produção de espermatozoides.

Outros fatores como sedentarismo e consumo de álcool, tabaco e drogas também potencializam o risco de infertilidade, ao aumentar o estresse oxidativo e comprometer a qualidade do sêmen, com redução da quantidade, da mobilidade e da integridade genética dos espermatozoides.

O papel masculino na infertilidade

A infertilidade é definida quando não ocorre gravidez após um ano de relações sexuais regulares, sem uso de métodos contraceptivos. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1 em 6 pessoas no mundo já experienciaram a infertilidade em algum momento de suas vidas.

Estudos apontam que 30% dos casos de infertilidades se devem exclusivamente a fatores masculinos e 20% a uma combinação de fatores masculinos e femininos. Dessa forma, a infertilidade por fator masculino desempenha um papel significativo em 50% de todos os casais com infertilidade. 

Durante muitos anos, a investigação da infertilidade concentrou-se quase exclusivamente na mulher, o que acabava atrasando o diagnóstico e o tratamento. O crescimento da procura por atendimento, agora, também sinaliza uma mudança de comportamento: mais homens passaram a buscar avaliação médica e a participar ativamente do processo de cuidado reprodutivo.

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Gabriela Costa

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