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Saúde11 maio 2026

Fiocruz obtém patente de tratamento promissor contra malária resistente

Tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Fiocruz Minas apresentou ação contra cepas resistentes do parasita causador da doença.
A Fundação Oswaldo Cruz conquistou uma patente internacional para um método de tratamento contra a malária, especialmente voltado aos casos resistentes aos medicamentos tradicionais. A concessão foi feita pelo escritório norte-americano United States Patent and Trademark Office (USPTO) e reconhece a inovação desenvolvida por pesquisadores da Fiocruz Minas.
O método utiliza o composto DAQ, que demonstrou eficácia contra cepas resistentes do Plasmodium falciparum, parasita responsável pelas formas mais graves da doença.

Molécula antiga ganha nova aplicação

Embora a atividade antimalárica do DAQ já tivesse sido descrita na década de 1960, a substância acabou deixada de lado ao longo dos anos. O diferencial da pesquisa brasileira foi revisitar o composto utilizando abordagens científicas mais modernas. Segundo o pesquisador Wilian Cortopassi, a equipe identificou uma característica estrutural decisiva da molécula: a presença de uma ligação tripla na cadeia química, capaz de superar mecanismos de resistência desenvolvidos pelo parasita. O composto atua de forma semelhante à cloroquina, interferindo em um processo essencial para a sobrevivência do microrganismo. Durante a digestão da hemoglobina, o parasita produz substâncias tóxicas que normalmente consegue neutralizar. O DAQ bloqueia esse mecanismo, levando à morte do parasito.
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Além da eficácia contra o Plasmodium falciparum, o composto também apresentou resultados positivos contra o Plasmodium vivax, espécie responsável pela maioria dos casos de malária no Brasil. Outro ponto considerado estratégico é o baixo custo da molécula, característica importante para países de baixa e média renda, onde a doença permanece um grave problema de saúde pública.
Próximos passos da pesquisa Apesar dos resultados promissores, o desenvolvimento do DAQ ainda depende de novas etapas, como estudos de toxicidade, definição de doses seguras e formulação do medicamento. A patente, válida até 2041, fortalece a busca por parcerias com a indústria farmacêutica e pode acelerar o avanço da tecnologia. As pesquisas seguem em andamento em colaboração com instituições nacionais e internacionais, incluindo a Unifesp, a Universidade Federal de Alagoas e a University of California San Francisco.

Autoria

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Roberta Santiago

Roberta Santiago é jornalista desde 2010 e estudante de Nutrição. Com mais de uma década de experiência na área digital, é especialista em gestão de conteúdo e contribui para o Portal trazendo novidades da área da Saúde.

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