A fumaça das queimadas representa um risco à saúde devido à presença de material particulado fino (PM2,5), capaz de penetrar profundamente no sistema respiratório e desencadear respostas inflamatórias e alterações vasculares. A exposição a esses poluentes está associada ao agravamento de doenças respiratórias, como a asma, e ao aumento do risco de eventos cardiovasculares, incluindo infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).
No Amazonas, esse cenário preocupa especialmente as comunidades indígenas, que enfrentam dificuldades de acesso aos serviços de saúde. Uma nota técnica divulgada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em 10 de outubro de 2026, alertou para as elevadas concentrações de poluentes registradas na região e destaca a importância de fortalecer as ações de vigilância, prevenção e proteção da saúde dessas populações.
O documento reúne dados de monitoramento da qualidade do ar, mapas de focos de incêndio e previsões de poluição atmosférica para apoiar ações de vigilância em saúde. Em territórios indígenas de difícil acesso, a identificação antecipada de períodos críticos pode contribuir para o planejamento das equipes de atenção primária que realizam o acompanhamento de populações vulneráveis.
Poluição do ar eleva riscos respiratórios e cardiovasculares
A estação FioAres, em Manaus, registrou pico de 235 µg/m³ de material particulado fino (PM2,5) em 8 de outubro. Partículas desse tamanho, muito superiores aos valores recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), podem alcançar os alvéolos pulmonares desencadenado processos inflamatórios associados ao agravamento de doenças respiratórias e ao aumento do risco de eventos cardiovasculares.
Crianças, gestantes, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares preexistentes estão entre os grupos mais vulneráveis. Na prática clínica, é importante investigar a exposição recente à fumaça, especialmente diante da piora de sintomas respiratórios ou do surgimento de complicações cardiovasculares.
Saiba mais: Queimadas e inalação de fumaça: o que você precisa saber para um bom atendimento
Como os focos de incêndio afetam a saúde indígena?
A Fiocruz identificou centenas de focos nas regiões de Manaus, Manacapuru, Parintins e Santarém. Entre os polos-base destacados estão Beruri, Careiro Castanho, Manacapuru e Anamã, vinculados ao DSEI Manaus.
Em territórios indígenas de difícil acesso, a distância dos serviços especializados pode representar um desafio adicional à assistência, especialmente nos casos de maior gravidade. Nesse cenário, a identificação precoce de sinais de agravamento e a articulação com a rede de referência são fundamentais para favorecer o atendimento oportuno dos pacientes.
Saiba mais: Fumaça de queimadas se espalha pelo Brasil e traz riscos à saúde
Monitoramento da qualidade do ar orienta a vigilância
A nota orienta evitar esforços físicos intensos ao ar livre, manter portas e janelas fechadas nos períodos de maior poluição e reforçar a hidratação. Essas orientações devem considerar as condições ambientais, sociais e estruturais de cada comunidade indígena.
A Fiocruz e a Secretaria de Saúde Indígena desenvolvem o AlertAr Saúde – SESAI, que integrará previsões de PM2,5 e focos de incêndio. As equipes dos distritos sanitários poderão usar essas informações para antecipar ações de proteção e vigilância.
Além disso, a Fiocruz também chama a atenção para a possível intensificação do El Niño, que pode contribuir para períodos mais secos e favorecer a propagação de incêndios florestais em algumas regiões. Diante desse cenário, o acompanhamento contínuo da qualidade do ar e das condições climáticas é importante para orientar a resposta e organização dos serviços de saúde e reduzir a exposição das populações aos poluentes.
Leia também: Ministério da Saúde reforça ações de proteção à saúde diante das queimadas
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
Autoria
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.
