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Saúde27 março 2026

FDA aprova 1ª terapia gênica para deficiência grave de adesão leucocitária tipo I

FDA aprova Kresladi, primeira terapia gênica para LAD-I grave em crianças sem doador compatível para transplante.

A Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, aprovou no dia 26 de março de 2026 a Kresladi (marnetegragene autotemcel), primeira terapia gênica indicada para o tratamento da deficiência grave de adesão leucocitária tipo I (LAD-I grave). A autorização contempla pacientes pediátricos com variantes bialélicas no gene ITGB2 que não dispõem de um doador irmão compatível por HLA para transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas. 

A LAD-I grave é uma imunodeficiência hereditária rara causada por mutações no ITGB2, que comprometem a capacidade dos leucócitos de combater infecções de forma eficaz. Na prática clínica, esses pacientes apresentam infecções bacterianas e fúngicas recorrentes e potencialmente fatais, com elevada morbidade e mortalidade já na primeira década de vida. Embora o transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas seja considerado em alguns casos, o procedimento pode estar associado a risco relevante, sobretudo quando não há doador aparentado compatível. 

A nova terapia utiliza células-tronco hematopoéticas autólogas do próprio paciente, que são modificadas geneticamente para receber cópias funcionais do gene ITGB2. Após o condicionamento, o produto é administrado em dose única por infusão intravenosa. Segundo a FDA, o objetivo é restaurar a expressão de CD18 e CD11a na superfície dos leucócitos, incluindo neutrófilos, atuando sobre a causa subjacente da doença. 

A aprovação ocorreu pela via acelerada, com base em um estudo multicêntrico, aberto e de braço único. A eficácia foi sustentada pelo aumento da expressão de CD18 e CD11a em neutrófilos no mês 12, com manutenção do efeito até o mês 24 após a infusão. Esses biomarcadores foram aceitos como desfecho substituto razoavelmente provável de predizer benefício clínico em LAD-I, mas a confirmação definitiva dependerá de estudos pós-comercialização exigidos pela agência reguladora. 

Em comunicado, Vinay Prasad, diretor do Center for Biologics Evaluation and Research da FDA, afirmou que a aprovação acelerada representa “um tratamento inovador para pacientes pediátricos com deficiência grave de adesão leucocitária tipo I — a primeira terapia gênica aprovada pela FDA para tratar essa doença”. Segundo ele, a agência tem recorrido a flexibilidades regulatórias em doenças raras, considerando populações pequenas de estudos clínicos e diferentes fontes de evidência, sem abrir mão dos critérios científicos. 

A segurança do tratamento foi avaliada no mesmo estudo. Os eventos adversos mais frequentes incluíram anemia, trombocitopenia, leucopenia, mucosite oral, infecções de vias aéreas superiores, infecções virais, febre, neutropenia febril, náuseas, vômitos, infecção cutânea, rash, infecção relacionada a dispositivo vascular e elevação de enzimas hepáticas. 

A FDA também concedeu à terapia as designações de medicamento órfão, doença pediátrica rara, terapia avançada em medicina regenerativa e fast track. Para a prática médica, a decisão marca um avanço relevante no tratamento de imunodeficiências raras da infância, ao oferecer uma alternativa direcionada ao defeito molecular da doença em um grupo com opções terapêuticas limitadas. 

Este artigo foi elaborado com auxílio de IA e revisado pela equipe médica do Portal Afya. 

Autoria

Foto de Raphael Martins Lisboa

Raphael Martins Lisboa

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