A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou no último domingo (17/05), emergência de saúde pública de importância internacional diante do surto de Ebola Bundibugyo na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda. A determinação foi feita pelo diretor-geral da OMS com base nos dados disponíveis e no risco de disseminação internacional já documentado — tornando o evento extraordinário sob os critérios do Regulamento Sanitário Internacional.

Surto no Congo já registra 246 casos suspeitos e disseminação internacional
Até 16 de maio de 2026, a Província de Ituri acumulava oito casos confirmados laboratorialmente, 246 casos suspeitos e 80 mortes suspeitas em pelo menos três zonas de saúde: Bunia, Rwampara e Mongbwalu. Dois casos confirmados foram notificados em Kampala, Uganda, em 15 e 16 de maio, entre pessoas oriundas da RDC — um deles evoluiu para óbito. Ambos foram internados em unidades de terapia intensiva na capital ugandense.
A alta taxa de positividade inicial — oito positivos entre 13 amostras coletadas em diferentes áreas — indica que o número real de infectados pode ser muito maior do que o registrado. Surtos de mortes comunitárias compatíveis com febre hemorrágica viral foram identificados em múltiplas zonas, e casos suspeitos chegaram à Província de Kivu do Norte. A mobilidade populacional, as redes informais de saúde e a instabilidade humanitária amplificam o risco, em cenário semelhante ao da epidemia de Ebola Zaire de 2018-2019.
Saiba mais: Ebola: conheça o vírus que ressurgiu no Congo recentemente
Ao menos quatro mortes entre profissionais de saúde foram notificadas em contexto sugestivo de doença hemorrágica, levantando preocupações com transmissão nosocomial e com lacunas no controle de infecção hospitalar nas unidades afetadas.
Por que a ausência de vacinas agrava o risco da doença pelo vírus Bundibugyo?
Um fator crítico é a inexistência de vacinas ou terapêuticos aprovados especificamente para a doença pelo vírus Bundibugyo — diferentemente das cepas Ebola-Zaire. A OMS recomenda que países em risco acelerem a aprovação regulatória de candidatos investigacionais como prioridade imediata de preparação.
Saiba mais: Febres hemorrágicas virais: casos, mortalidade e tratamentos
Como a OMS orienta países a conter a febre hemorrágica viral nas fronteiras
A organização orienta que países fronteiriços com a RDC reforcem a capacidade diagnóstica laboratorial, intensifiquem a vigilância em serviços de saúde e ativem equipes de resposta rápida. Caso um caso suspeito seja identificado em novo território, a recomendação é tratá-lo como emergência sanitária, com isolamento imediato, rastreamento de contatos e notificação à OMS em até 24 horas.
Para o médico, o evento reforça a necessidade de suspeição elevada em pacientes com síndrome febril e histórico de viagem ao Ituri ou a Uganda, e de aplicação rigorosa das medidas de prevenção e controle de infecção em toda a cadeia de atendimento. A evolução do surto de Ebola Bundibugyo deve ser
monitorada continuamente, sobretudo diante do início esperado de ensaios clínicos para candidatos terapêuticos recomendados pela OMS.
Este artigo foi elaborado com auxílio de IA e revisado pela equipe de jornalismo do Portal Afya.
Autoria

Redação Afya
Produção realizada por jornalistas da Afya, em colaboração com a equipe de editores médicos.
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.