A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou um novo programa de aprendizagem voltado a profissionais de saúde que atuam no cuidado integral ao aborto. Disponível como curso da WHO Academy, a iniciativa foi desenvolvida pelo Programa Especial de Pesquisa, Desenvolvimento e Treinamento em Pesquisa em Reprodução Humana (HRP), parceria entre PNUD, UNFPA, UNICEF, OMS e Banco Mundial. O objetivo é apoiar uma prática segura, respeitosa, baseada em evidências e alinhada a direitos.

Treinamento busca reduzir práticas inseguras
Segundo a OMS, o aborto é uma intervenção de saúde comum e considerada muito segura quando realizada com método recomendado pela diretriz da organização, adequado à duração da gestação e por pessoa com as competências necessárias. Ainda assim, cerca de 45% dos abortos no mundo são inseguros, o que reforça a necessidade de treinamento estruturado e atualização de profissionais envolvidos nesse cuidado.
O programa de aprendizagem em cuidado integral ao aborto é dividido em quatro cursos complementares: aborto medicamentoso, aborto cirúrgico, cuidados pós-aborto e integração de direitos humanos no cuidado integral ao aborto. A proposta é reunir, em uma trilha única, conteúdos que frequentemente aparecem de forma fragmentada na formação e na prática clínica.
Cursos simulam decisões da prática clínica
Os cursos têm formato interativo, com módulos e verificações curtas de conhecimento. A estratégia busca aproximar o treinamento das decisões enfrentadas em consultas reais, como avaliação da idade gestacional, elegibilidade, escolha da via de cuidado, necessidade de seguimento e indicação de encaminhamento.
“Cada curso aborda um elemento distinto do cuidado. Para os profissionais de saúde, a aprendizagem fortalece o julgamento clínico cotidiano; desde avaliar idade gestacional e elegibilidade, escolher vias de cuidado apropriadas, até reconhecer quando seguimento ou encaminhamento são necessários”, afirmou Antonella Lavelanet, médica do HRP. Segundo ela, os profissionais passam a compreender melhor como decisões tomadas no início do atendimento podem influenciar os desfechos posteriores.
Aborto medicamentoso e cirúrgico estão entre os módulos
No curso sobre aborto medicamentoso, os módulos abordam aconselhamento, tomada de decisão compartilhada, anamnese, exame físico, avaliação de idade gestacional e critérios de elegibilidade. Também são tratados medicamentos utilizados, mecanismos de ação, esquemas por idade gestacional e indicação clínica, manejo da dor, seguimento e reconhecimento de complicações.
O módulo de aborto cirúrgico concentra-se na preparação e na segurança do procedimento, incluindo fundamentos, etapas pré-procedimento e execução. Já o curso de cuidados pós-aborto aborda situações em que mulheres procuram serviços para confirmar a conclusão do aborto, manejar complicações ou acessar contracepção.
Direitos humanos integram a formação
A quarta etapa, desenvolvida em colaboração com o UNFPA, trata da integração de direitos humanos. O conteúdo discute direito à saúde, não discriminação, privacidade, tomada de decisão apoiada, cuidado respeitoso e mecanismos de responsabilização dentro dos sistemas de saúde.
Para a OMS, os quatro cursos criam uma base compartilhada para o cuidado integral ao aborto, com potencial para padronizar condutas, melhorar a experiência das pessoas atendidas e fortalecer os sistemas de saúde.
Este artigo foi elaborado com auxílio de IA e revisado pela equipe médica do Portal Afya.
Autoria
Raphael Martins Lisboa
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