O Boletim InfoGripe referente a semana epidemiológica 17 (26/04 a 02/05 com dados inseridos no SIVEP-Gripe até o dia 02/05/2026) mostrou sinal de aumento no número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), responsável pelo relatório, essa alta foi causada pela maior circulação dos vírus da influenza A e do vírus sincicial respiratório (VSR).
A sazonalidade dessas infecções afetou praticamente todos as Unidades Federativas (UF) do país. Com exceção dos estados do Paraná e São Paulo a incidência de SRAG está em nível de alerta, risco ou alto risco com tendência de crescimento nas últimas semanas.
Contudo, ainda de acordo com a Fiocruz, como o período sazonal desses vírus começou mais cedo este ano já é possível observar uma queda dos casos antes do esperado em estados das regiões Norte e Nordeste. Ainda assim, o crescimento de caso de Influenza A e VSR demonstra a importância da vacinação especialmente entre os grupos de maior risco, para prevenir casos graves e óbitos.
Outros vírus
Casos de SRAG devido a covid-19 estão com indícios de aumento no Ceará e Maranhão e aqueles associados ao rinovírus apresentam sinal de interrupção do crescimento ou queda na maior parte do país.
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SRAG pelas capitais
Das 27 capitais, 18 apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas), com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas): Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Florianópolis (SC), Goiânia (GO), João Pessoa (PB), Macapá (AP), Maceió (AL), Manaus (AM), Natal (RN), Porto Alegre (RS), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ), São Luís (MA), São Paulo (SP) e Teresina (PI).
Últimas semanas epidemiológicas
Nas últimas quatro semanas, a prevalência entre os casos positivos para infecção viral foi de: 38% de vírus sincicial respiratório, 28,9% de Influenza A, 26,8% de Rinovírus, 3,7% de Influenza B e 3,1% de SARS-CoV-2. Já em relação aos óbitos, a influenza A continua com o maior impacto, 49,2%, seguida pelos óbitos ligados a infecção por rinovírus, 19,5%, e Sars-CoV-2 (covid-19), 14,1%, o VSR esteve conectado a 7,8% dos óbitos e a Influenza B a 4,3%.
O boletim ressalta que os dados para semanas recentes estão sujeitos a alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado.
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SRAG em 2026
Considerando os dados para todo ano de 2026, foram notificados 51.794 casos de SRAG, desses 23.213 tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório e 5.333 ainda aguardam resultado. Dentre os casos positivos do ano
- 37,4% de Rinovírus;
- 26,4% de Influenza A;
- 23,2% de vírus sincicial respiratório (VSR);
- 8% de SARS-CoV-2 (covid-19);
- 2,1% de Influenza B.
Foram notificados 2.392 óbitos devido a SRAG em 2026, 1.022 (42,7%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório:
- 38,2% de Influenza A;
- 27,9% de SARS-CoV-2 (covid-19);
- 21,8% de Rinovírus;
- 5,5% de vírus sincicial respiratório (VSR);
- 3,4% de Influenza B.
*Este artigo foi revisado pela equipe médica do Portal Afya.
Autoria

Augusto Coutinho
Jornalista e editor de conteúdos de medicina e ciência, especialista em Edição Digital e pós-graduando em Jornalismo de Dados.
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