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Saúde14 agosto 2026

Avanço da febre maculosa no Brasil acende alerta para diagnóstico precoce

Estados do Sudeste registram mortes por febre maculosa e reforçam a importância da suspeita clínica precoce diante de sintomas inespecíficos.

As secretarias de Saúde de São Paulo e do Rio de Janeiro confirmaram novos óbitos por febre maculosa em 2026. Segundo a SES-SP, o estado registrou 19 casos e 18 mortes entre janeiro e julho, distribuídos por seis regiões, entre elas Piracicaba, Sorocaba e Campinas. A alta proporção de mortes em relação aos casos reforça a gravidade da doença quando o tratamento não é precoce.

A SES-RJ, por sua vez, confirmou 14 casos e 4 mortes neste ano, além de somar 37 óbitos desde 2024. Em todo o país, o Ministério da Saúde contabilizou 823 casos e 143 mortes entre 2024 e junho de 2026, número que mostra que a doença já ultrapassa o eixo Sudeste.

“Os números chamam atenção principalmente pela letalidade extremamente elevada”, avalia a Dra. Raíssa Perlingeiro, infectologista e editora do Portal Afya. Segundo ela, isso não significa necessariamente que estejamos diante de uma grande expansão nacional da doença, já que a febre maculosa continua sendo uma doença relativamente pouco frequente em números absolutos, mas com potencial de gravidade muito alto.

Avanço da febre maculosa no Brasil acende alerta para diagnóstico precoce

Imagem de pexels

Concentração da febre maculosa no Sudeste

Para a especialista, os dados reforçam que ainda existe um problema importante de diagnóstico e tratamento oportunos.

“Na Região Sudeste predomina a febre maculosa brasileira causada pela Rickettsia rickettsii, que está associada às formas mais graves da doença”, explica a Dra. Raíssa. “Já a infecção por Rickettsia parkeri, encontrada em outras áreas do país, costuma produzir doença mais branda”. Ainda segundo a infectologista, o Sudeste possui áreas já conhecidas de transmissão nas quais existe a interação entre carrapatos vetores, animais hospedeiros, como capivaras e equinos, ambiente e população humana.

“Existe uma concentração importante de óbitos no Sudeste, mas isso é compatível com o padrão historicamente observado “, pondera Perlingeiro. O Ministério da Saúde já vinha observando aumento no número de casos notificados e confirmados nos últimos anos, embora parte desse aumento possa refletir maior sensibilização dos profissionais e melhoria da vigilância epidemiológica. A Nota Técnica de 2025 destacou que, apesar do aumento recente de casos, vinha ocorrendo uma redução da letalidade, associada a suspeita e tratamento mais precoces.

Saiba mais: Whitebook: Saiba diagnosticar e tratar a erliquiose, doença causada por carrapatos

Como a doxiciclina injetável reduz a letalidade da febre maculosa?

A doxiciclina injetável é o antibiótico indicado nos casos mais graves da doença e deve ser iniciado assim que surgir a suspeita clínica, sem esperar confirmação laboratorial. “A precocidade do tratamento está diretamente relacionada à sobrevida”, afirma Perlingeiro. Segundo a infectologista, a eficácia do tratamento cai de maneira importante depois do período inicial de suspeita.

Se o tratamento não começar rapidamente, a febre maculosa pode evoluir para gangrena nas extremidades e paralisia ascendente. A especialista destaca que nos primeiros dias a febre maculosa se parece com diversas doenças muito mais frequentes, como dengue e outras arboviroses e que é uma grande “armadilha” é esperar pelo exantema para iniciar o tratamento. Excluir a hipótese porque o paciente não relata picada de carrapato ou interpretar uma plaquetopenia, por exemplo, automaticamente como dengue sem investigar a epidemiologia podem dificultar o diagnóstico correto.

Sintomas e tratamento

Os primeiros sinais da febre maculosa são inespecíficos, como febre alta, dor de cabeça e dores pelo corpo. Esses sintomas costumam ser confundidos com dengue ou leptospirose, o que atrasa o diagnóstico.

“Nos primeiros dias, o quadro é muito inespecífico”, explica a Dra. Raíssa. “O paciente pode apresentar febre de início súbito, cefaleia intensa, mialgia, mal-estar, náuseas, vômitos e eventualmente sintomas gastrointestinais”. Já o exantema pode surgir somente entre o terceiro e o quinto dia e, em alguns pacientes, nem sequer aparecer.

O médico deve perguntar ativamente se, nos últimos dias, o paciente esteve em área rural, mata, margem de rio, parque, fazenda ou local conhecido por presença de carrapatos, capivaras ou cavalos.

Leia também: Mortes por febre maculosa em Campinas-SP acendem alerta de profissionais de saúde

Profissionais devem cumprir a notificação compulsória de imediato

Todo caso suspeito de febre maculosa exige notificação compulsória imediata às autoridades de vigilância em saúde. Profissionais também devem orientar os pacientes sobre prevenção, como uso de roupas claras e compridas e inspeção do corpo após exposição a áreas de mata. Em 2026, o Ministério da Saúde distribuiu 2,3 mil ampolas e 10,9 mil comprimidos de doxiciclina para reforçar o tratamento nos estados afetados.

Autoria

Foto de Gabriela Costa

Gabriela Costa

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