Mesmo com muitas mudanças e pesquisas, pacientes e muitas vezes até médicos não se sentem tão confortáveis durante a consulta. Diante disso, o coordenador de Ciência Comportamental da Tacoma Family Medicine, nos Estados Unidos, Thomas Egnew, desenvolveu recomendações para uma boa relação médico-paciente, que continua a ser um dos principais problemas para muitas pessoas. Para ele, sete pontos são essenciais na construção do relacionamento médico.
“A maioria das pesquisas sobre a arte da medicina tem tendido a se concentrar na teoria, em vez de especificar como os médicos devem agir. Assim, no ensino de residentes de medicina familiar ao longo dos anos, eu tenho revisto a literatura e delineado sete comportamentos que promovem a prática mais consistente”, explica Egnew, que também é professor (University of Washington School of Medicine – Seattle), em seu artigo.
Os pontos variam desde dar mais atenção ao paciente a se permitir sorrir e rir mais. São eles:
Referência:

- Focar no paciente. O professor acredita que, antes de alguém entrar no consultório, o médico deve tirar um momento para se preparar para a consulta. Entender como está a partir do que aconteceu com o último paciente, dar uma respirada profunda e deixar aquela preocupação para outro momento, porque agora é o momento de se concentrar na próxima pessoa que irá se consultar. O que sabe sobre ela, como é a relação dos dois, o que gostaria de aprender desse paciente que ainda não sabe, qual o motivo da consulta, entre outros detalhes devem ser pensados e explorados.
- Estabelecer uma conexão com o paciente. O primeiro momento da consulta deve ser utilizado para se conectar com o paciente, tanto no nível interpessoal quando no intelectual. É a hora para saber um pouco mais sobre aquela pessoa, e uma dica é perguntar sobre os filhos, a família, alguma situação que ela passou e te contou em outra oportunidade e ouvir atentamente a resposta. Mas não só ouvir, como também interagir respondendo e/ou fazendo contato visual e gestos. O médico conseguirá identificar como o paciente está emocionalmente, e, algumas vezez, isso pode ser importante para o diagnóstico. O aspecto intelectual é para mostrar que o médico está interessado no que é importante para os dois. É quando começa a mudar os assuntos para migrar para a abordagem clínica. Esses poucos minutos serão de grande importância para estabelecer uma boa relação.
- Avaliar a resposta do paciente à doença e ao que está sentindo fisicamente. O diagnóstico e tratamento são essenciais, mas também é importante entender como o paciente está lidando com a doença. É preciso ficar atento às pistas que aparecem enquanto conversam sobre a rotina, como “subir as escadas está ficando difícil”, e coisas que podem mostrar detalhes necessários para a compreensão da doença e de como ela está afetando, emocional e fisicamente, a pessoa. Muitas vezes o doente não acha relevante e conta apenas como uma curiosidade, mas o médico deve ouvir atentamente, pois pode fazer diferença no diagnóstico. Alguns pacientes graves não saberão lidar com sua condição, e esses exigirão mais cuidado e atenção na construção do relacionamento para que possam encontrar algum conforto mesmo com a doença.
- Comunicar-se para promover a cura. O psicólogo Carl Rogers fez uma pesquisa em que comprovou que, na hora de aconselhar o paciente, o médico precisa de três coisas: ser autêntico; mostrar aceitação, mesmo que não concorde com as ações da pessoa; e compreender, sendo sensível ao momento ou condição. Ele provou que os pacientes atendidos com esses comportamentos cresceram no potencial. Quando a relação com a pessoa é complicada, o médico terá ainda que conduzir com outras duas habilidades: a de se comunicar sobre o que está acontecendo, mesmo que seja para dizer “não estamos nos entendendo bem”; e a de confrontar, mas sempre se utilizando de uma maneira leve de falar e, preferivelmente, com alguma observação positiva para diminuir o choque do que vai dizer, como “percebo que você é muito próximo e ama sua família, mas talvez esconder deles possa ter o efeito contrário, não acha?”.
- Usar o poder do toque. A regra costuma ser sempre tocar na parte que dói, mas nunca tocá-la primeiro. Um aperto de mão, um tapinha no ombro e outros gestos que transmitam confiança e tranquilidade podem acalmar os pacientes mais agitados. Mas deve ser pensado de paciente para paciente. Para aqueles que sofreram algum tipo de abuso, por exemplo, o toque pode transmitir dor, por isso deve-se ter paciência para construir a relação e deixar a pessoa mais confortável. Pacientes de outras culturas são outros exemplos que podem sentir-se desconfortáveis.
- Rir um pouco. O humor pode ajudar a estabelecer uma conexão, a relaxar e até mesmo a transmitir informações mais tranquilas. Mesmo que a medicina seja séria, a risada ou até mesmo um simples sorriso podem transmitir calma e diminuir a raiva ou frustração do doente. É claro que, mais uma vez, deve ser avaliado de paciente para paciente. Se o médico sentir que a pessoa não tem senso de humor e vai ficar mais incomodada, por exemplo, talvez seja melhor não seguir essa recomendação.
- Ser empático. Tentar compreender a experiência do paciente é extremamente importante não só no relacionamento com ele como também pode para a fisiologia. Uma pesquisa mostrou que os médicos empáticos conseguiram influenciar no controle glicêmico e níveis de LDL, o que não aconteceu com pessoas cujos médicos têm menos empatia. Lembrar-se sempre de mostrar empatia, dizendo coisas como “deve ser muito difícil”, “imagino que esteja se sentindo mal”, pode ajudar a melhorar dia a dia.

- https://www.aafp.org/fpm/2014/0700/p25.html#fpm20140700p25-bt1
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