Paciente do sexo feminino, 56 anos, comparece ao ambulatório de oftalmologia para consulta de rotina. Relata que nos últimos 6 a 8 meses vem apresentando dificuldade de locomoção, queixando-se de “esbarrar frequentemente em batentes de portas, móveis e pessoas do meu lado esquerdo”. Nega dor ocular, fotopsias, diplopia ou cefaleia exuberante no momento, mas recorda-se de um episódio de “tontura e dor de cabeça leve” há cerca de um ano que não motivou ida ao pronto-socorro.
Antecedentes Médicos Pregressos:
- Hipertensão Arterial Sistêmica controlada (Losartana);
- Dislipidemia (Sinvastatina);
- Nega diabetes e histórico familiar de câncer.
Antecedentes oftalmológicos:
- Usuário de óculos para perto (presbiopia);
- Nega cirurgias oftalmológicas ou traumas oculares prévios.
Ao exame oftalmológico apresenta:
- Acuidade visual corrigida:
- OD 20/20;
- OE 20/20.
- Pupilas:
- Isocóricas;
- Defeito Pupilar Aferente Relativo (DPAR) de 1 a 2+ no olho esquerdo.
- Tonometria:
- OD 14mmHg;
- OE 15mmHg.
- Biomicroscopia:
- AO: Pálpebras e anexos normais, conjuntiva calma, córnea clara, câmara anterior formada e sem reação, íris trófica, cristalino transparente.
- Fundoscopia e Retinografia:
- OD Escavação fisiológica. Nota-se palidez setorial temporal do disco óptico. Mácula preservada, sem alterações polo posterior;
- OE Escavação fisiológica, mácula preservada. Atrofia óptica em banda (palidez em formato de “gravata borboleta” acometendo os setores nasal e temporal do disco, com preservação relativa dos feixes superior e inferior). Retina aplicada.
Propedêutica armada
Diante da incongruência entre a queixa visual expressiva, a acuidade visual preservada e a alteração peculiar do disco óptico foi solicitada a perimetria computadorizada (imagem 1).

Analisando criticamente o padrão do campo visual em anexo em conjunto com os achados fundoscópicos de palidez de disco bilateral assimétrica e o DPAR no olho esquerdo, qual a topografia da lesão na via óptica e uma etiologia plausível que justifique todo o quadro?
Autoria

Pedro Hélio Júnior
Conteudista médico na Afya. Formado em medicina pela Universidade Federal de Uberlandia (UFU), com residencia médica em Oftalmologia e Mestrado pela mesma instituição e fellowship em Glaucoma (pelo Glaucoma Instituto). Além da atuação na Afya, é professor de oftalmologia e coordenador da residência médica de oftalmologia do IMEPAC-HUSF (Araguari).
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