Homem de 32 anos procura atendimento após algumas semanas de poliúria, polidipsia e perda ponderal não intencional. Refere prática irregular de atividade física e não relata diagnóstico prévio de diabetes. O quadro teve instalação relativamente rápida, sem episódio conhecido de cetoacidose diabética. Ao exame físico, encontra-se consciente e orientado, sem sinais clínicos de descompensação aguda.
A avaliação inicial estabelece diabetes de início recente, mas a classificação etiológica permanece incerta. A idade abaixo de 35 anos, a perda ponderal e a evolução em poucas semanas aumentam a suspeita de deficiência de insulina. Entretanto, nenhuma dessas características, isoladamente, é suficiente para definir o tipo de diabetes. A ausência de cetoacidose também não afasta a possibilidade de doença autoimune, já que adultos podem apresentar evolução variável e características que se sobrepõem às observadas no diabetes tipo 2.
Diante da incerteza, a equipe discute como prosseguir na investigação etiológica. A apresentação clínica favorece a pesquisa de autoimunidade das ilhotas, mas a classificação não deve depender apenas do fenótipo.
O consenso recomenda a avaliação de autoanticorpos de ilhotas como investigação primária em adultos com suspeita de diabetes tipo 1, quando disponível, iniciando pelo anticorpo anti-GAD e, se o resultado for negativo, prosseguindo com anti-IA-2 e/ou anti-ZnT8.
A ausência de autoanticorpos detectáveis não exclui definitivamente a doença, e o peptídeo C pode fornecer informação complementar sobre a secreção endógena de insulina em situações de incerteza diagnóstica.
A interpretação deve considerar conjuntamente a apresentação clínica, os dados imunológicos e os dados bioquímicos, com reavaliação ao longo do tempo quando necessário. Após a avaliação de todos os elementos disponíveis, a principal hipótese diagnóstica considerada é diabetes tipo 1.
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Diante da incerteza quanto à classificação do diabetes nesse paciente, qual é a abordagem diagnóstica mais adequada?
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