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PsiquiatriaJAN 2023

TikTok e TDAH: estudo avalia qualidade do conteúdo sobre transtorno na rede social

Se por um lado a divulgação de informações ajuda contra o estigma do TDAH, por outro há preocupação quanto a difusão de informações erradas.

Por Tayne Miranda

Uma cena tem se tornado mais e mais comum nos consultórios psiquiátricos: adultos que viveram suas vidas até o momento presente sem comprometimentos em suas relações interpessoais, em seus ambientes acadêmicos e laborais, sem envolvimento com atividades de risco buscam assistência médica porque acreditam possuir Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH, ou ADHD do inglês Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder). Uma explicação para o fenômeno são as informações sobre o problema disseminadas nas redes sociais.

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TikTok e TDAH estudo avalia qualidade do conteúdo sobre transtorno na rede social

Impacto do TikTok

A despeito de ser uma rede social relativamente recente, o TikTok foi o aplicativo de rede social mais baixado de 2020 e possui mais de 1 bilhão de usuários ativos por mês, conquistando principalmente adolescentes e adultos jovens.

Se por um lado a disseminação de informações nas redes auxilia a redução do estigma sobre questões de saúde mental, por outro há uma intensa preocupação quanto a propagação de informações incorretas, a geração de ansiedade por acreditar-se doente e a indução de sinais e sintomas de transtornos mentais.

Análise dos vídeos

Para avaliar a qualidade dos vídeos sobre TDAH no TikTok foi feito um estudo realizando uma busca com a hashtag #adhd, a qual mostrou os vídeos mais populares baseado no número de visualizações e curtidas, sendo avaliados os vídeos mais populares e incluídos os 100 primeiros que falassem dos sintomas do transtorno, experiências pessoais sobre viver com TDAH e manejo da condição. Um psiquiatra e um residente da psiquiatria avaliaram independentemente a qualidade dos vídeos usando uma classificação categórica para avaliação de qualidade de conteúdo em vídeos de rede social. Os vídeos eram então classificados em úteis, experiência pessoal e errôneos. Discordâncias eram solucionadas por um terceiro psiquiatra. Por fim, eles também foram avaliados quanto a compreensibilidade e capacidade de induzir ação nos pacientes.

Os vídeos eram classificados como úteis se apresentassem informações cientificamente corretas sobre prevenção, sintomas, diagnóstico, tratamento, etiologia, psicopatologia, epidemiologia e prognóstico, experiência pessoal se descrevesse a vivência ou uma experiência anedótica sobre sintomas ou tratamento de TDAH e errôneos se apresentassem informações sem comprovação científica. Se vídeos com experiências pessoais contivessem informações sem comprovação, também eram categorizados como errôneos.

Dos 100 vídeos que preencheram os critérios de inclusão, 11 foram postados por profissionais de saúde, com visualização média de 2,8 milhão por vídeo e duração média de 36,7s. 52% foram classificados como errôneos, 27% como experiência pessoal e 21% como úteis. Vídeos com experiências pessoais foram os mais compreensíveis e mais compartilhados.

Dos 52 vídeos incorretos, 37 vídeos atribuíram sintomas psiquiátricos presentes em vários transtornos como específicos apenas do TDAH, como ansiedade, depressão, raiva, conflitos interpessoais, mudanças de humor e dissociação. 8 vídeos apresentaram a fisiopatologia de forma incorreta, simplificando-a como puramente relacionada a deficiência de dopamina. 4 vídeos deram informações erradas sobre o diagnóstico, incluindo um que sugeria um quiz para determinar se a pessoa possuía TDAH.

A maior parte dos vídeos incorretos (49 de 52 vídeos) foram postados por pessoas que não eram profissionais de saúde.

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Conclusão sobre TDAH e TikTok

Vídeos incorretos sobre TDAH têm sido amplamente disseminados e assistidos no TikTok. O achado do estudo atual é semelhante ao de um estudo precedente utilizando a plataforma de vídeos YouTube, no qual os vídeos com experiência pessoal recebem o maior engajamento e os vídeos incorretos são os mais comuns. A grande maioria dos vídeos eram altamente compreensíveis, ainda que com informações imprecisas.

A ampla disseminação de informações erradas nas redes sociais sobrecarrega os sistemas de saúde com buscas por assistência desnecessárias. Uma vez que o autorrelato de sintomas de TDAH pode ser superestimado, os indivíduos que consomem esses vídeos estão expostos a um maior risco de diagnóstico excessivo ou incorreto.

O TikTok se tornou muito popular no curso da pandemia do covid-19, levantando a questão se as pessoas não estariam atribuindo incorretamente dificuldades próprias das medidas de enfrentamento da pandemia, como ter problemas para manter a atenção enquanto viam uma tela, em isolamento, por um período prolongamento, a sintomas de TDAH.

Por fim, para aqueles que buscam psicoeducação de qualidade sobre as manifestações do TDAH em adultos, o livro do Dr. Russell Barkley, “Vencendo o TDAH Adulto” é uma fonte confiável e altamente compreensível de informação de qualidade.

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Referências bibliográficas

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