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Carreira1 fevereiro 2026

01-02-2026

Um conteúdo essencial para médicos: reflexões sobre saúde mental, terminalidade e cuidado humano a partir da série Cenas de um Casamento, do livro Ser Mortal e da música Cais.

O que a arte revela sobre saúde mental, finitude e o papel do médico

Todo domingo, o Afya News abre espaço para uma pausa necessária. A prescrição cultural não é sobre entretenimento, é sobre repertório humano. Porque antes de qualquer exame ou diretriz, o cuidado começa na capacidade de escutar, interpretar silêncios e compreender a experiência de estar vivo.

Nesta edição, três obras ajudam a iluminar dimensões fundamentais da prática médica: saúde mental, finitude e transformação.

Série da semana

Cenas de um Casamento e o impacto do trauma psicológico no corpo

A série acompanha a trajetória de Mira e Jonathan, um casal em processo de desintegração emocional ao longo de dez anos de relacionamento. Embora não se passe em um ambiente hospitalar, a narrativa funciona como um estudo clínico informal sobre estresse crônico e trauma psicológico.

As atuações de Oscar Isaac e Jessica Chastain dão forma a manifestações que todo médico reconhece na prática:

  • bruxismo associado ao estresse;

  • insônia que se reflete no olhar;

  • fadiga crônica de quem vive em estado permanente de alerta.

O ponto central, especialmente relevante para a clínica, é a dinâmica de apego. Jonathan tenta elaborar a dor pela lógica e racionalização, enquanto Mira busca o escape impulsivo. O resultado é um retrato preciso de como o estresse sustentado compromete a regulação do cortisol e favorece comportamentos de risco.

Link para a série Cenas de um Casamento.

O que essa série ensina ao médico

Na série, o silêncio é tão eloquente quanto o diálogo. Na prática clínica, o que o paciente não verbaliza durante a anamnese muitas vezes é o núcleo do sofrimento. Cenas de um Casamento lembra que a saúde mental não é um apêndice do prontuário, é o sistema que sustenta todo o restante do organismo.

Livro da semana

Ser Mortal e a ética do cuidado no fim da vida

No livro Ser Mortal, o médico e escritor Atul Gawande questiona um dos pilares não declarados da medicina moderna: tratar o envelhecimento e a morte como falhas técnicas a serem corrigidas.

Gawande mostra como o excesso de zelo técnico e a obsessão por prolongar a vida podem sacrificar aquilo que realmente importa ao paciente: autonomia, dignidade e propósito. O autor propõe que o médico deixe de atuar apenas como “mecânico” do corpo e assuma o papel de guia em processos de terminalidade.

A lição prática para a clínica

O livro reforça a importância das chamadas conversas difíceis, realizadas antes que a crise aguda se instale. Em vez de focar apenas nos sintomas, a pergunta central passa a ser:

“O que o senhor não aceita sacrificar?”

Compreender prioridades individuais ajuda o médico a reconhecer quando intervenções agressivas deixam de proteger a vida e passam a impedir uma despedida humana e significativa. O sucesso clínico, nesse contexto, não é evitar a morte a qualquer custo, mas qualificar a experiência do tempo restante.

Link para o livro Ser Mortal.

Música da semana

Cais e a coragem de se lançar ao desconhecido

Encerrando a prescrição cultural, a homenagem vai para Milton Nascimento, com a canção Cais, lançada em 1972 no álbum Clube da Esquina.

A música funciona como uma metáfora poderosa sobre o equilíbrio entre porto e travessia. O cais representa a segurança, o repouso, o conhecido. O mar simboliza a dor e o risco de se lançar ao novo.

Por que isso importa para o médico

Na prática médica, o “cais” é necessário, mas não suficiente. Lidar com doença, cura e finitude exige aceitar que todo processo de transformação envolve desconforto e incerteza. Cais lembra que crescer, clínica ou pessoalmente, implica abandonar margens seguras para navegar territórios ainda não mapeados.

Link para a música Cais.

A prescrição cultural desta semana reforça três pilares essenciais da medicina contemporânea:

  • a centralidade da saúde mental como base do adoecimento físico;

  • a necessidade de humanizar o cuidado no fim da vida;

  • a coragem de aceitar a incerteza como parte do processo terapêutico.

Ser médico é, em muitos momentos, ajudar o paciente a compreender e atravessar a própria condição humana.

O Afya News de domingo fica por aqui. Amanhã, retomamos a semana com informação, contexto e análise do que move o mundo da medicina.

Autoria

Foto de Redação Afya News

Redação Afya News

Podcasts e videocasts produzidos com curadoria médica especializada, conduzida pelo Dr. Guilherme Rodrigues (CRM-RJ 1049461 | RQE 37692), chefe do Departamento de Catarata do Instituto Benjamin Constant (RJ) e Editor-Chefe de Conteúdo Médico da Afya Educação Médica, além de Professor do curso de Inteligência Artificial da Afya. Todo o conteúdo é gravado com apoio de tecnologias de Inteligência Artificial, assegurando eficiência produtiva, qualidade técnica e escalabilidade, sem abrir mão do rigor científico e da relevância clínica.

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