Atenção primária em saúde infantil, riscos cardiovasculares do vape e personalização do tratamento oncológico
Bem-vindo ao Afya News de 23 de junho de 2026. No episódio de hoje, vamos abordar como a ausência de vínculo com a atenção primária impacta a utilização do pronto-socorro pediátrico, os riscos cardíacos dos aditivos refrescantes em cigarros eletrônicos e os avanços da oncologia de precisão baseada no perfil genético tumoral.
Matérias citadas no episódio de hoje:
- Crianças sem acesso à atenção primária dependem mais do pronto-socorro para cuidados de saúde
- Aditivos refrescantes em cigarros eletrônicos podem causar arritmias cardíacas e estresse celular
- Pesquisa brasileira identifica mutações no TP53 relacionadas ao câncer de pulmão e ancestralidade genética
- Estudo completo sobre mutações do TP53 e câncer de pulmão publicado no The Lancet Regional Health
O que importa hoje: crianças sem pediatra de referência utilizam mais o pronto-socorro como porta de entrada
Um estudo com representatividade nacional demonstrou que crianças sem um médico de atenção primária identificado apresentam maior probabilidade de depender do pronto-socorro para receber cuidados de saúde.
Embora ter um pediatra ou serviço de referência não tenha reduzido necessariamente a frequência de visitas ao pronto-socorro, a ausência desse vínculo aumentou a dependência desse ambiente como principal porta de entrada no sistema de saúde. Os resultados também evidenciaram desigualdades importantes, com maior utilização do pronto-socorro entre crianças mais novas, grupos raciais e étnicos minoritários e pacientes com necessidades especiais de saúde.
O estudo reforça que a atenção primária continua sendo um componente estratégico da saúde infantil, não apenas para o acompanhamento longitudinal, mas para garantir uma navegação mais adequada pelo sistema de saúde e reduzir a busca por atendimento em contextos de maior complexidade quando isso não é necessário.
O que muda na prática: agentes refrescantes sintéticos em cigarro eletrônico causam arritmias
Uma pesquisa apresentada na American Heart Association mostrou que aditivos usados para criar a sensação de frescor nos cigarros eletrônicos, como mentol e os agentes sintéticos WS-23 e WS-3, podem provocar alterações no ritmo cardíaco e desencadear respostas celulares associadas ao estresse cardíaco.
Embora não tenham aumentado significativamente a absorção de nicotina, esses compostos foram associados a arritmias em modelos experimentais, levantando preocupações sobre um possível aumento do risco cardiovascular.
Além de questionar o uso de cigarros eletrônicos, cardiologistas, pneumologistas e médicos da atenção primária podem passar a investigar especificamente o consumo de dispositivos com sabores refrescantes ou efeito “ice”, reforçando a orientação de que os riscos não se limitam à nicotina, mas também aos aditivos presentes nesses produtos.
Radar: o futuro da oncologia pode estar no DNA de cada paciente
Um estudo brasileiro com mais de mil pacientes com câncer de pulmão reforça uma tendência que deve ganhar força nos próximos anos, a personalização cada vez maior do tratamento oncológico com base no perfil genético do tumor.
Os pesquisadores mostraram que mutações no gene TP53 podem influenciar o prognóstico e a resposta às terapias-alvo, além de variarem conforme a ancestralidade genética. O achado sugere que, no futuro, características moleculares poderão ter um peso tão importante quanto o tipo ou o estágio do câncer na definição do tratamento.
O desafio agora será ampliar o acesso aos testes genéticos e transformar esse conhecimento em cuidado mais preciso para um número maior de pacientes.
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Autoria
Redação Afya News
Podcasts e videocasts produzidos com curadoria médica especializada, conduzida pelo Dr. Guilherme Rodrigues (CRM-RJ 1049461 | RQE 37692), chefe do Departamento de Catarata do Instituto Benjamin Constant (RJ) e Editor-Chefe de Conteúdo Médico da Afya Educação Médica, além de Professor do curso de Inteligência Artificial da Afya. Todo o conteúdo é gravado com apoio de tecnologias de Inteligência Artificial, assegurando eficiência produtiva, qualidade técnica e escalabilidade, sem abrir mão do rigor científico e da relevância clínica.
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