Testosterona sendo prescrita sem critérios, novas diretrizes para miocardite e IA detectando dependência digital
Bem-vindo ao episódio de hoje do Afya News. Nesta edição, discutimos a prescrição inadequada de testosterona que ignora diretrizes clínicas, as novas recomendações europeias para abordagem integrada de síndromes inflamatórias miopericárdicas e como a inteligência artificial pode identificar sinais precoces de dependência digital por meio do comportamento no smartphone.
Matérias citadas no episódio de hoje:
- Prescrição de testosterona frequentemente ignora diretrizes clínicas e critérios diagnósticos
- Diretrizes europeias propõem abordagem integrada para miocardite e pericardite
- Publicação científica sobre síndromes inflamatórias miopericárdicas no PubMed
- Inteligência artificial identifica sinais de alerta para dependência digital
O que importa hoje: testosterona virou solução para tudo e o tratamento está ignorando as diretrizes
Um estudo apresentado no ENDO 2026 revelou dados preocupantes sobre a prescrição de testosterona. Ao analisar prontuários de homens que receberam a prescrição entre 2020 e 2025, pesquisadores descobriram que apenas 12% passaram pela investigação diagnóstica completa recomendada pelas diretrizes antes do início do tratamento.
Muitos pacientes receberam testosterona mesmo na presença de contraindicações, como apneia obstrutiva do sono, histórico de câncer de próstata ou alterações laboratoriais relevantes. Sintomas inespecíficos, como fadiga, redução da libido e disfunção erétil, não devem, sozinhos, justificar a terapia.
Antes de prescrever, é fundamental confirmar o diagnóstico com duas dosagens matinais de testosterona reduzidas, além da avaliação de LH e FSH para diferenciar a causa do hipogonadismo. Também é importante rastrear fatores de risco, como PSA elevado, hematócrito aumentado e apneia do sono. Em um cenário de crescente demanda dos próprios pacientes por reposição hormonal, reforçar critérios diagnósticos ajuda a evitar eventos adversos, infertilidade e tratamentos sem benefício comprovado.
O que muda na prática: o que fazer diferente diante da suspeita de miocardite ou pericardite
As novas diretrizes europeias para miocardite e pericardite mudam a lógica da abordagem clínica. Em vez de diferenciar imediatamente as duas condições, o médico deve reconhecer primeiro uma síndrome inflamatória miopericárdica e conduzir a investigação com base no risco do paciente.
Na prática, isso significa valorizar sinais de alerta, como insuficiência cardíaca, arritmias, derrame pericárdico importante e elevação rápida da troponina, para definir quem precisa de investigação mais intensiva. A ressonância magnética cardíaca passa a ocupar papel central no diagnóstico, na estratificação de risco e no acompanhamento dos casos nos primeiros seis meses, enquanto a biópsia fica reservada para situações graves ou capazes de mudar a conduta.
Casos recorrentes também devem levantar a suspeita de predisposição genética e indicar avaliação mais especializada.
Radar: o comportamento digital pode virar dado clínico
Seu celular pode perceber que você está perdendo o controle antes de você? Um projeto brasileiro chamado Mindbet usa inteligência artificial para identificar sinais precoces de dependência digital analisando padrões de uso do smartphone, como velocidade de rolagem, repetição de gestos e dificuldade de interromper a navegação.
A proposta vai além do tempo de tela e sugere um futuro em que comportamentos digitais façam parte da avaliação clínica. O alerta para os médicos é que ansiedade, estresse e solidão podem se manifestar na forma como usamos a tecnologia.
Entender essa relação pode se tornar tão importante quanto perguntar quantas horas o paciente passa conectado.
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Autoria
Redação Afya News
Podcasts e videocasts produzidos com curadoria médica especializada, conduzida pelo Dr. Guilherme Rodrigues (CRM-RJ 1049461 | RQE 37692), chefe do Departamento de Catarata do Instituto Benjamin Constant (RJ) e Editor-Chefe de Conteúdo Médico da Afya Educação Médica, além de Professor do curso de Inteligência Artificial da Afya. Todo o conteúdo é gravado com apoio de tecnologias de Inteligência Artificial, assegurando eficiência produtiva, qualidade técnica e escalabilidade, sem abrir mão do rigor científico e da relevância clínica.
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