Limite de seis horas para cirurgias estéticas, teleatendimento SUS para apostas online e microbiota no tratamento de alergias alimentares
Hoje trazemos três atualizações relevantes para a prática médica: a nova resolução do Cremesp sobre tempo cirúrgico em procedimentos estéticos, a ampliação do teleatendimento do SUS para dependência em apostas online e os avanços no uso da microbiota intestinal para tratamento de alergias alimentares.
Matérias citadas no episódio de hoje:
- Cremesp estabelece limite de seis horas para cirurgias plásticas estéticas em São Paulo
- SUS amplia para 100 mil teleatendimentos mensais destinados a pessoas com dependência em apostas online
- Transplante de microbiota intestinal mostra resultados promissores no tratamento de alergia grave ao amendoim
O que importa hoje: resolução do Cremesp limita tempo cirúrgico em procedimentos estéticos para aumentar segurança do paciente
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo publicou resolução que proíbe o agendamento de cirurgias plásticas estéticas com previsão inicial igual ou superior a seis horas em único ato cirúrgico, exceto em situações excepcionais justificadas em prontuário.
A norma visa reduzir complicações associadas a procedimentos extensos ou à combinação de múltiplas cirurgias, prática que ganhou visibilidade nos últimos anos. Além do tempo cirúrgico, a resolução determina que o planejamento considere condições clínicas do paciente, complexidade do procedimento, tempo anestésico, infraestrutura disponível e suporte para eventuais complicações.
A medida está alinhada a evidências que relacionam cirurgias prolongadas ao aumento do risco de infecção, tromboembolismo, reoperações e outras complicações pós-operatórias. A resolução reforça a importância do planejamento cirúrgico baseado em risco, priorizando a segurança do paciente acima da conveniência de concentrar múltiplos procedimentos em uma única operação.
Embora tenha validade apenas no Estado de São Paulo e para cirurgias estéticas eletivas, a iniciativa pode influenciar discussões sobre protocolos de segurança e boas práticas em cirurgia plástica em todo o país.
O que muda na prática: SUS expande teleatendimento para dependência em apostas online e facilita acesso à rede de saúde mental
O Sistema Único de Saúde ampliou para até 100 mil por mês a oferta de teleatendimentos voltados a pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas online. Disponível pelo aplicativo Meu SUS Digital, o serviço oferece acolhimento, orientação e acompanhamento profissional, funcionando como porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial.
A expansão ocorre após aumento da demanda, mais de um milhão de pessoas já solicitaram autoexclusão de plataformas de apostas e cerca de um terço relatou perda de controle sobre o comportamento. O Ministério da Saúde reforça sinais de alerta como prejuízo financeiro, ansiedade, isolamento e impacto nas relações pessoais e profissionais.
O médico passa a contar com mais um recurso para encaminhar pacientes com suspeita de transtorno relacionado a jogos e apostas. Diante de sinais como endividamento, sofrimento psíquico, perda de controle ou uso do jogo como forma de lidar com estresse e ansiedade, o teleatendimento pode facilitar o acesso precoce ao cuidado especializado e à Rede de Atenção Psicossocial.
Radar: modulação da microbiota intestinal abre nova perspectiva no tratamento de alergias alimentares graves
Estudo publicado na Science Translational Medicine trouxe nova perspectiva para o tratamento das alergias alimentares. Pesquisadores observaram que seis de 15 pessoas com alergia grave ao amendoim passaram a tolerar quantidades significativamente maiores do alimento após receberem transplante de bactérias intestinais provenientes de doadores saudáveis.
Os resultados sugerem que a modulação da microbiota pode reduzir a resposta exagerada do sistema imunológico e futuramente beneficiar outros tipos de alergia alimentar. Apesar do potencial, a estratégia ainda está em fase inicial de pesquisa e precisa ser confirmada em estudos maiores antes de chegar à prática clínica.
O estudo reforça o crescente papel da microbiota intestinal como alvo terapêutico em doenças imunológicas. Embora ainda experimental, a pesquisa aponta para possível mudança de paradigma: tratar alergias alimentares modulando o ecossistema intestinal, não apenas evitando o alimento ou controlando as reações.
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Autoria
Redação Afya News
Podcasts e videocasts produzidos com curadoria médica especializada, conduzida pelo Dr. Guilherme Rodrigues (CRM-RJ 1049461 | RQE 37692), chefe do Departamento de Catarata do Instituto Benjamin Constant (RJ) e Editor-Chefe de Conteúdo Médico da Afya Educação Médica, além de Professor do curso de Inteligência Artificial da Afya. Todo o conteúdo é gravado com apoio de tecnologias de Inteligência Artificial, assegurando eficiência produtiva, qualidade técnica e escalabilidade, sem abrir mão do rigor científico e da relevância clínica.
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