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Afya News2 agosto 2026

02/08/2026 | Prescrição cultural: cosmos e conexão humana

Filme, livro e música que exploram alteridade e perspectiva cósmica. Da comunicação não-verbal no espaço à matéria estelar que nos compõe.

Prescrição cultural: o universo como espelho

O episódio de prescrição cultural desta semana convida a uma jornada pelo cosmos — não apenas o espaço sideral, mas aquele que habita dentro de cada relação humana. Entre ficção científica, divulgação científica e glam rock, três obras conversam sobre alteridade, perspectiva e a busca por conexão em meio à vastidão.

Matérias citadas no episódio de hoje:

• Devoradores de Estrelas

• Cosmos, de Carl Sagan

• The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars

Filme: Devoradores de Estrelas

Ryland Grace é um professor de ciências que acorda sozinho em uma nave espacial sem nenhuma memória de como chegou ali. Enquanto suas lembranças retornam em fragmentos, ele vai entendendo a dimensão da missão: uma substância misteriosa, os astrofágicos, está consumindo o Sol e ameaçando a vida na Terra, e ele é o único sobrevivente de uma expedição enviada para encontrar uma solução.

Dirigido por Phil Lord e Chris Miller, a dupla de Uma Aventura Lego e Anjos da Lei, o filme é baseado no romance de Andy Weir, o mesmo autor de Perdido em Marte, e arrecadou mais de 680 milhões de dólares nas bilheterias mundiais.

O que torna Devoradores de Estrelas especial não é só o espetáculo visual, é a amizade improvável que se forma no espaço sideral entre Grace e Rocky, um ser alienígena com quem ele precisa se comunicar do zero. Essa relação, construída com paciência, curiosidade e respeito mútuo, é uma aula de comunicação não-verbal e escuta ativa que ressoa direto na prática médica.

Para um profissional de saúde, a habilidade de criar vínculo com alguém completamente diferente de você é, literalmente, o trabalho. O filme lembra que isso é possível, e que pode ser até bonito.

Livro: Cosmos, de Carl Sagan

Carl Sagan foi astrônomo, astrofísico e um dos maiores comunicadores científicos do século XX. Cosmos, publicado em 1980 como acompanhamento da série de TV homônima, é uma viagem pelo universo que começa nas estrelas e termina no ser humano, ou talvez o contrário.

Sagan percorre a formação do cosmos, a origem da vida, a evolução das civilizações e o lugar minúsculo e extraordinário que a Terra ocupa nessa imensidão. A escrita é lírica sem abrir mão do rigor, e cada capítulo tem a capacidade rara de fazer o leitor sentir, ao mesmo tempo, a insignificância e a beleza de existir.

Para médicos, Cosmos oferece algo que a rotina clínica às vezes rouba: perspectiva. Sagan lembra que somos feitos da mesma matéria das estrelas, literalmente, os átomos de carbono, nitrogênio e oxigênio que compõem cada paciente foram forjados no interior de sóis que explodiram bilhões de anos atrás.

Essa visão não diminui a medicina, ela a engranda. Cuidar de um ser humano é cuidar de uma das formas mais complexas que o universo encontrou de se conhecer. Poucos livros conseguem devolver esse senso de maravilha com tanta elegância.

Música: The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars, de David Bowie

Em 1972, David Bowie inventou um personagem chamado Ziggy Stardust, um rock star alienígena enviado à Terra como mensageiro antes do fim do mundo, e construiu ao redor dele um álbum conceitual que redefiniu o que o rock poderia ser.

O disco tem doze faixas que contam a ascensão e queda desse ser de outro mundo, com uma produção de Mick Ronson que mistura glam rock, folk e ficção científica sonora. Starman e Ziggy Stardust são dois dos momentos mais icônicos de toda a história do pop: a primeira, um chamado de outro mundo transmitido pelo rádio; a segunda, o retrato definitivo de um ser que veio de longe e não consegue pertencer a lugar nenhum.

Bowie sempre usou o espaço como metáfora, para falar de solidão, alteridade, identidade e transformação. Ziggy Stardust é um alienígena, sim, mas também é qualquer pessoa que se sente fora do lugar no mundo em que chegou.

Para médicos, que frequentemente transitam entre universos, o técnico e o humano, o institucional e o íntimo, há algo muito familiar nessa figura. O disco tem 52 anos e soa como se tivesse sido gravado amanhã. Uma obra que lembra que a estranheza, bem habitada, pode ser a coisa mais humana do mundo.

Esse foi o Afya News de hoje! Para acompanhar diariamente as principais atualizações médicas com análise especializada, inscreva-se no Afya News no Spotify e YouTube. Até o próximo episódio!

Autoria

Foto de Redação Afya News

Redação Afya News

Podcasts e videocasts produzidos com curadoria médica especializada, conduzida pelo Dr. Guilherme Rodrigues (CRM-RJ 1049461 | RQE 37692), chefe do Departamento de Catarata do Instituto Benjamin Constant (RJ) e Editor-Chefe de Conteúdo Médico da Afya Educação Médica, além de Professor do curso de Inteligência Artificial da Afya. Todo o conteúdo é gravado com apoio de tecnologias de Inteligência Artificial, assegurando eficiência produtiva, qualidade técnica e escalabilidade, sem abrir mão do rigor científico e da relevância clínica.

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