O congresso anual da American Thoracic Society (ATS 2026), realizado em Orlando entre 15 e 20 de maio, trouxe evidências capazes de remodelar a prática pneumológica e a terapia intensiva. A tradicional sessão Clinical Year in Review, distribuída ao longo de quatro dias, sintetizou os ensaios clínicos mais relevantes, novas diretrizes e inovações terapêuticas publicados em 2025. Abaixo, um panorama dos principais tópicos apresentados.
- Asma
- Tezepelumabe na polipose nasal (Estudo WAYPOINT): Ensaio de fase III avaliou o anti-TSLP em adultos com rinossinusite crônica grave com polipose nasal. A melhora nos escores de pólipos e de congestão nasal foi observada já a partir da segunda semana de tratamento, com redução expressiva da necessidade de cirurgia e de corticoide sistêmico. O perfil de eventos adversos foi favorável, sem sinais de toxicidade relevantes.
- Dupilumabe e tampões mucosos (Estudo VESTIGE): Estudo de fase IV em asma moderada a grave demonstrou redução rápida e sustentada da fração exalada de óxido nítrico (FeNO) para <25 ppb em duas semanas. Análises tomográficas apontaram para redução numérica do volume de muco e do aprisionamento aéreo, com aumento do volume da via aérea — sinalizando efeito do anti-IL4Ra sobre componentes estruturais da doença.
- Depemokimabe semestral (Estudos SWIFT-1 e SWIFT-2): O anti-IL5 de ação ultraprolongada, administrado a cada seis meses em pacientes com asma eosinofílica grave, reduziu em 50% a taxa anualizada de exacerbações em ambos os ensaios. Não houve, contudo, ganho significativo no FEV1 ou nos escores de qualidade de vida, sugerindo dissociação entre o controle das crises e desfechos funcionais.
- Estratégia SMART pediátrica (Estudo CARE): Em crianças de 5 a 15 anos previamente em monoterapia com SABA, o uso de budesonida-formoterol como medicação de resgate (SMART) reduziu em 45% os ataques de asma e diminuiu a exposição cumulativa a corticoide sistêmico. Pacientes com FeNO elevado mostraram-se os principais beneficiários da estratégia.
- Inflamação tipo 1 (T1) versus tipo 2 (T2) (dados do SARP): O sequenciamento de RNA do escarro revelou que a corticorresponsividade clínica concentra-se no fenótipo puramente T2-alto. A expressão gênica T1 mostrou-se insensível ao corticoide e a sobreposição T1/T2 atenuou o ganho de função pulmonar, sugerindo que o componente T1 — frequentemente transitório — limita a resposta ao tratamento padrão.
- DPOC: diagnóstico multidimensional, biológicos e risco cardiovascular
- Abordagem diagnóstica multidimensional (COPDGene e CanCOLD): Validou-se um modelo que articula a obstrução espirométrica (critério maior) a cinco critérios menores: enfisema na TC, espessamento brônquico, dispneia, comprometimento da qualidade de vida e bronquite crônica. O framework reclassificou como portadores de DPOC 15% dos expostos ao tabaco sem obstrução clássica — grupo com alto risco de exacerbação e morte —, ao passo que excluiu 22% dos pacientes com obstrução isolada e sem outros comemorativos, cujos desfechos se assemelharam aos de indivíduos saudáveis.
- Mepolizumabe na DPOC eosinofílica (Estudo MATINEE): O anti-IL5 reduziu em 21% a taxa anual de exacerbações moderadas a graves em pacientes com DPOC eosinofílica (≥300 células/µL) já em terapia tripla inalatória otimizada. O benefício foi independente da presença de bronquite crônica, embora os ganhos em função pulmonar e qualidade de vida tenham sido modestos e não significativos.
- Escore quantitativo de controle clínico (GesEPOC): A partir da auditoria EPOCONSUL, foi desenvolvido um escore de 0 a 8 pontos baseado em quatro variáveis facilmente coletáveis em consultório: gravidade da dispneia, uso de resgate (>3 vezes/semana), baixa atividade física e exacerbações nos últimos três meses. A ferramenta alcançou AUC de aproximadamente 0,89 para identificação de DPOC mal controlado.
- Risco cardiovascular pelo escore de cálcio coronariano (CACS): A integração do CACS, obtido em TCs já realizadas para rastreamento de câncer de pulmão, refinou a predição de eventos cardiovasculares maiores (MACE). Pacientes considerados de baixo risco pelos modelos tradicionais, mas com CACS >3, apresentaram risco três vezes maior de MACE; quando ambos os escores estavam elevados, o risco foi 7,6 vezes superior ao do grupo de menor risco.
- Inteligência artificial aplicada ao ECG: Uma rede neural convolucional treinada em ECGs de 12 derivações identificou assinaturas eletrocardiográficas de DPOC com AUC de 0,80 na validação interna e de 0,75 no UK Biobank. A morfologia da onda P — refletindo repercussões cardíacas direitas — foi a principal contribuição preditiva, sugerindo papel do ECG como ferramenta de triagem em larga escala.
- Bronquiectasia: inibição de DPP-1, microbioma e novas diretrizes
- Inibição de DPP-1 (Estudo ASPEN): Brensocatibe — inibidor seletivo oral da dipeptidil peptidase-1, enzima ativadora de proteases neutrofílicas — reduziu significativamente a taxa anualizada de exacerbações em 52 semanas nas doses de 10 mg e 25 mg. Apenas a dose de 25 mg atenuou o declínio do FEV1, sinalizando possível modificação de doença. Eventos dermatológicos como hiperqueratose foram mais frequentes, mas raramente exigiram descontinuação.
- Terapia mucoativa (Estudo CLEAR): Ensaio pragmático de 52 semanas comparou solução salina hipertônica inalatória, carbocisteína oral, ambas as estratégias ou cuidado padrão. Nenhuma das terapias alcançou redução estatisticamente significativa de exacerbações, embora a salina hipertônica tenha demonstrado redução numérica de 22% — magnitude clinicamente relevante que pode ter sido subdimensionada pelo poder do estudo.
- Microbioma da via aérea superior (EMBARC-BRIDGE): Swabs nasofaríngeos de 344 adultos correlacionaram-se com desfechos clínicos: a disbiose nasofaríngea (≥10% de táxons patogênicos como Pseudomonas, Haemophilus e Staphylococcus) associou-se a sintomas mais intensos, exacerbações graves e ruptura epitelial em biópsia nasal. A abundância de Pseudomonas na nasofaringe acompanhou o crescimento de P. aeruginosa no escarro, sugerindo utilidade do método como ferramenta diagnóstica não invasiva.
- Atualização da diretriz da ERS: As recomendações fortes expandiram-se para incluir técnicas de depuração das vias aéreas, reabilitação pulmonar, macrolídeos de longo prazo em pacientes de alto risco e antibióticos inalatórios na infecção crônica por Pseudomonas. Em sentido oposto, manteve-se recomendação condicional contra o uso rotineiro de corticosteroides inalatórios em pacientes sem sobreposição com asma ou DPOC.
- Moduladores de CFTR e gestação na fibrose cística: Coorte retrospectiva multicêntrica evidenciou que a continuidade da terapia com moduladores altamente eficazes (HEMT/ETI) ao longo da gestação e do puerpério preservou a função pulmonar e reduziu exacerbações — informação crítica para o aconselhamento reprodutivo diante da duplicação das taxas de gravidez na fibrose cística após a aprovação do ETI.
- Doenças Intersticiais Pulmonares (DIP): classificação e terapias-alvo
- Nova classificação ERS/ATS: O documento atualizou a classificação das pneumonias intersticiais, expandindo o escopo para incluir causas secundárias e introduzindo a pneumonia intersticial bronquilocêntrica (BIP) como padrão morfológico principal. Renomeou-se também a pneumonia intersticial aguda (agora denominada dano alveolar difuso idiopático) e a pneumonia intersticial descamativa (atual pneumonia de macrófagos alveolares), em alinhamento com a fisiopatologia conhecida.
- Nerandomilaste na FPI (Estudo FIBRONEER-IPF): O inibidor da fosfodiesterase 4B, na dose de 18 mg duas vezes ao dia, retardou o declínio da capacidade vital forçada (CVF) em 52 semanas, com diferença de 68,8 ml em relação ao placebo. A diarreia, evento adverso mais comum, levou à descontinuação em menos de 4% dos casos — perfil mais brando que o do nintedanibe. Trata-se do primeiro ensaio de fase III positivo em FPI em mais de uma década, com aprovação subsequente pelo FDA.
- Nerandomilaste na fibrose pulmonar progressiva (Estudo FIBRONEER-ILD): No cenário de DIP progressiva não-FPI, o nerandomilaste reduziu de forma estatisticamente significativa o declínio da CVF nas doses de 9 mg e 18 mg, com efeito consistente entre diferentes diagnósticos de base — incluindo pacientes em uso ou não de nintedanibe.
- Treprostinil inalatório na FPI (Estudo TETON-2): O ensaio de fase III mostrou que a prostaciclina inalada reduziu o declínio da CVF em 52 semanas (diferença de 95,6 ml versus placebo) e melhorou o tempo até piora clínica. A tosse foi o evento adverso limitante mais frequente, contribuindo para a descontinuação em cerca de um terço dos pacientes.
- Controle da tosse associada à FPI (Estudo CORAL): Nalbufina oral de liberação prolongada — agonista κ e antagonista μ-opioide — promoveu redução dose-dependente significativa na frequência de tosse medida objetivamente por monitor digital de 24 horas em seis semanas, com melhora também nos relatos subjetivos e perfil de segurança gerenciável.
- Circulação Pulmonar: intervenção precoce na HAP e abordagens invasivas no TEP
- Sotatercepte na HAP recém-diagnosticada (Estudo HYPERION): Em adultos com HAP classes funcionais II–III diagnosticada há menos de um ano e em risco intermediário ou alto, a adição do sotatercepte à terapia de base dupla ou tripla reduziu em 76% o risco de piora clínica, com curvas de Kaplan-Meier separando-se após apenas três doses (NNT ≈5). Epistaxe (31,9%) e telangiectasia (26,2%) foram os principais eventos adversos.
- Sotatercepte na IC-FEp (Estudo CADENCE): No cenário de hipertensão pulmonar combinada pós- e pré-capilar associada à insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (CpcPH-HFpEF), o estudo de fase II demonstrou reduções significativas na resistência vascular pulmonar e na pressão de oclusão da artéria pulmonar, sugerindo efeitos diretos sobre os componentes pré- e pós-capilar. A dose de 0,3 mg/kg revelou-se paradoxalmente mais eficaz que a de 0,7 mg/kg, ressaltando a necessidade de mais estudos sobre relação dose-resposta nessa população.
- Trombectomia mecânica no TEP de risco intermediário-alto (Estudo STORM-PE): Primeiro ensaio randomizado a comparar a trombectomia por aspiração computadorizada (Indigo Aspiration System) associada à anticoagulação versus anticoagulação isolada. A intervenção mecânica reduziu de forma significativa a relação VD/VE em 48 horas (0,52 vs. 0,24) e melhorou os desfechos funcionais em 90 dias, com taxa de eventos adversos maiores comparável entre os grupos.
- Fibrinólise dirigida por cateter (Estudo HI-PEITHO): A fibrinólise facilitada por ultrassom (USCDT) com dose reduzida de alteplase em TEP de risco intermediário-alto e instabilidade cardiorrespiratória reduziu em 61% o desfecho composto de morte por TEP, colapso cardiorrespiratório ou recorrência sintomática em sete dias, sem aumento significativo de sangramento maior nem hemorragia intracraniana. É importante frisar a limitação da validade externa do estudo, não sendo possivel generalizar os resultados.
- VacinasRespiratórias e Imunização
- Atualizações para a temporada 2025–2026: Revisões das recomendações para influenza, COVID-19 (com formulações direcionadas à linhagem XBB) e RSV reforçaram a prioridade de proteção de idosos e imunocomprometidos, em paralelo à manutenção de vigilância epidemiológica para ajuste das estratégias vacinais.
- Queda da cobertura vacinal nos EUA: Modelo preditivo estimou que, mantidas as taxas atuais de vacinação, o sarampo se restabeleceria como doença endêmica em aproximadamente 21 anos, devido à sua extrema transmissibilidade. O modelo sugere efeito dominó ditado pela infecciosidade: sarampo primeiro, seguido por rubéola, poliomielite e difteria.
- Estudo pragmático DAN-RSV: Ensaio clínico randomizado e aberto na Dinamarca avaliou a vacina bivalente contra o RSV baseada na proteína F de pré-fusão (RSVpreF) em mais de 131.000 adultos ≥60 anos. A efetividade vacinal foi de 83,3% contra hospitalização por doença respiratória associada ao RSV e de 91,7% contra hospitalização por infecção respiratória aguda baixa por RSV. Houve ainda redução de 15,2% nas hospitalizações por causa respiratória de qualquer etiologia.
- Durabilidade da proteção contra RSV (Rede IVY, EUA): Estudo caso-controle em adultos ≥60 anos avaliou a durabilidade de uma única dose das vacinas Arexvy ou Abrysvo ao longo de duas temporadas. A efetividade global foi de 58% contra hospitalização, com declínio de 69% no primeiro ano para 48% no segundo. A proteção foi marcadamente menor em imunocomprometidos (30%) e em pacientes com doença cardiovascular (56% versus 80% em imunocompetentes sem comorbidade cardiovascular).
- Impacto cardiovascular da vacina antigripal de alta dose (Estudo FLUNITY-HD): Análise agregada de dados individuais de 466.320 idosos demonstrou que a formulação de alta dose (HD-IIV, com quatro vezes mais antígeno) reduziu em 8,8% as hospitalizações por influenza ou pneumonia e em 21,3% as internações por descompensação de insuficiência cardíaca, sem aumento de eventos adversos sérios.
- Terapia Intensiva, Ventilação Mecânica e Sepse
- Alvos de oxigenação na ventilação mecânica (Estudo UK-ROX): O maior ensaio clínico sobre o tema randomizou 16.500 pacientes ventilados para uma estratégia conservadora (alvo de SpO2 de 90%) ou para oxigenoterapia usual. A mortalidade em 90 dias foi estatisticamente equivalente (35,4% vs. 34,9%), consolidando a segurança de tolerar alvos mais baixos de saturação na UTI.
- HFNO versus máscara na insuficiência respiratória hipoxêmica (Estudo SOHO): Com 1.116 adultos, o estudo não mostrou diferença na mortalidade em 28 dias entre o cateter nasal de alto fluxo e a máscara convencional (14,6% em ambos os grupos). Houve, contudo, redução significativa nas taxas de intubação até o 28º dia (42,4% vs. 48,4%) e melhora na percepção de dispneia favorecendo o HFNO.
- Cetamina versus etomidato na intubação de sequência rápida (Estudo RSI): Ensaio com 2.365 intubações em cenários de emergência e UTI mostrou que a cetamina não reduziu a mortalidade em 28 dias e, contraintuitivamente, elevou o colapso cardiovascular periprocedimento (22,1% vs. 17,0%) — efeito mais marcado em pacientes sépticos, com choque pré-existente e alta gravidade (APACHE II ≥20).
- Atualização das diretrizes Surviving Sepsis Campaign: A versão 2026 traz triagem padronizada de sepse em ambulâncias e antibioticoterapia pré-hospitalar quando o tempo até o hospital ultrapassar 60 minutos em vigência de hipotensão. Reforça-se ainda a remoção ativa de fluidos após estabilização do choque e eleva-se a recomendação forte o descalonamento antibiótico após confirmação microbiológica.
- Ressuscitação guiada pela perfusão periférica (Estudo ANDROMEDA-SHOCK-2): Em 1.467 pacientes com choque séptico, a ressuscitação orientada por avaliações horárias do tempo de enchimento capilar — com algoritmo de testes dinâmicos quando alterado — melhorou um desfecho composto hierárquico, em especial pela redução da duração do suporte de órgãos.
- Câncer de Pulmão: rastreamento, diagnóstico e novas terapias
- Otimização do rastreamento com tomografia de baixa dose: Dados populacionais apontaram que apenas 18,7% dos indivíduos elegíveis nos EUA estão com seus exames anuais em dia. Modelagens estimam que atingir 100% de adesão evitaria 62.110 mortes em cinco anos. Destaca-se também o benefício potencial de ampliar o rastreamento para ex-fumantes de longo prazo com histórico ≥20 maços-ano e ≥15 anos de cessação.
- Broncoscopia de navegação versus biópsia transtorácica (Estudo VERITAS): Ensaio multicêntrico de não inferioridade comparou a broncoscopia eletromagnética com tomossíntese digital (DT-ENB) à biópsia transtorácica guiada por TC (CT-TTNB) em nódulos periféricos de 10–30 mm. A acurácia diagnóstica em 12 meses foi de 79,0% versus 73,6%, com perfil de segurança marcadamente favorável à broncoscopia — pneumotórax em 3,3% versus 28,3%.
- Omissão da dissecção mediastinal no adenocarcinoma indolente: Estudo de fase III com 302 pacientes com adenocarcinoma invasivo T1N0M0 de padrão dominante em vidro fosco não detectou metástases linfonodais ocultas em nenhum dos braços. A omissão da dissecção linfonodal mediastinal sistemática reduziu tempo cirúrgico, perda sanguínea e complicações, com sobrevida livre de doença equivalente — marco para a desescalada cirúrgica em tumores biologicamente indolentes.
- Quimioimunoterapia neoadjuvante no NSCLC ressecável (Estudo CheckMate 816): A análise final de sobrevida em cinco anos confirmou o benefício duradouro da associação do nivolumabe à quimioterapia platina-baseada antes da cirurgia: sobrevida global de 65,4% versus 55,0% para quimioterapia isolada. A resposta patológica completa (24% vs. 2,2%) correlacionou-se fortemente com o ganho de sobrevida a longo prazo.
- 9. Medicina do Sono: terapias farmacológicas e medicina de precisão
- Sultiame na apneia obstrutiva do sono (Estudo FLOW): Ensaio multicêntrico de fase II, randomizado, duplo-cego e dose-finding em 298 adultos com AOS moderada a grave (IAH ≥15 a ≤50) avaliou o sultiame — inibidor da anidrase carbônica administrado em dose única noturna por via oral — por 15 semanas. O fármaco produziu reduções dose-dependentes do IAH entre 16% e 35%, com melhora dos parâmetros de oxigenação noturna e da sonolência relatada. Eventos adversos como parestesias, dispneia e sintomas gastrointestinais foram frequentes, mas predominantemente leves, raramente levando à descontinuação. O estudo fornece prova de conceito robusta de que a modulação farmacológica da instabilidade do controle ventilatório (loop gain) pode atuar nas causas não anatômicas do colapso da via aérea, sinalizando uma nova era de tratamento medicamentoso para a AOS.
- Auto-NIV na síndrome de hipoventilação da obesidade: Ensaio multicêntrico de não inferioridade com 205 pacientes ambulatoriais comparou a VNI ajustada automaticamente à titulação manual convencional ao longo de 12 meses. A auto-NIV foi não inferior na redução da hipercapnia diurna e na qualidade de vida, com adesão e segurança equivalentes e maior custo-efetividade — alternativa relevante para pacientes que não toleram CPAP ou permanecem sintomáticos a despeito de adesão adequada.
- Oveporexton na narcolepsia tipo 1: Ensaio de fase II com agonista oral seletivo do receptor-2 de orexina demonstrou melhora significativa e dose-dependente da vigília objetiva (Manutenção da Vigília) e da escala de sonolência de Epworth em pacientes com deficiência primária de orexina. Houve ainda redução de 50% a 70% na frequência de episódios semanais de cataplexia — abordagem terapêutica baseada diretamente na fisiopatologia da doença.
Considerações Práticas para o Dia a Dia
As evidências reunidas no ATS 2026 desenham uma pneumologia cada vez mais orientada pela medicina de precisão e pela segurança do paciente. A validação de novos alvos biológicos e de escores clínicos dinâmicos refina o manejo ambulatorial das doenças obstrutivas; a biologia molecular e a desescalada cirúrgica criteriosa transformam o prognóstico no câncer de pulmão; novas plataformas diagnósticas e terapêuticas direcionadas a endofenótipos respiratórios abrem, pela primeira vez, perspectivas farmacológicas reais para a apneia do sono; e, no ambiente de terapia intensiva, a quebra de dogmas históricos relacionados à sedação, oxigenação e ressuscitação exige transposição cuidadosa para a rotina à beira do leito.
Autoria

Bruna Provenzano
Medica formada pela UERJ em 2014. Residência de clínica médica pela UERJ de 2015 a 2017. Pós-graduação em terapia intensiva pelo ID'Or. Título de terapia intensiva pela AMIB. Pneumologista pela UERJ.
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