A tendinose insercional do Aquiles é caracterizada pela degeneração do tendão e está frequentemente associada à doença de Haglund (exostose póstero-superior proeminente do calcâneo), à bursite retrocalcânea e a calcificação do tendão de Aquiles.
O tratamento cirúrgico é recomendado para pacientes que não respondem adequadamente a um período de três a seis meses de tratamento conservador apropriado. A cirurgia envolve a desinserção do tendão, desbridamento da bursa e ressecção da proeminência óssea local seguido da reinserção tendinosa. A imobilização e a restrição de carga são indicadas tradicionalmente no pós-operatório mas não existe consenso a respeito do momento no qual a carga pode ser liberada após a cirurgia.

Estudo
Um estudo publicado na revista científica “Foot & Ankle International” realizou uma comparação entre o protocolo de reabilitação acelerada envolvendo a liberação precoce de carga com o manejo tradicional que recomenda a restrição de carga. Nenhum estudo havia antes realizado esta comparação. Foram avaliados os resultados funcionais pós-operatórios desses pacientes.
Metodologia
O estudo envolveu a coleta de dados de 49 pacientes submetidos a tratamento cirúrgico da tendinopatia insercional do Aquiles usando uma abordagem central e reinserção com técnica de sutura em ponte realizada por um único cirurgião. Os resultados funcionais foram medidos utilizando a escala analógica visual para a dor (EVA), o questionário Foot and Ankle Ability Measure (FAAM) e o questionário para qualidade de vida (SF-36) aos três, seis e doze meses de pós-operatório. As diferenças nos resultados foram analisadas por meio do modelo de análise de regressão linear múltipla.
A amostra incluiu 18 pacientes submetidos ao protocolo tradicional e 31 ao protocolo acelerado. As idades médias dos dois grupos foram semelhantes, assim como todas as outras características basais. Os escores médios foram melhores aos três meses no grupo de reabilitação acelerada. Os valores registrados para escala EVA para dor, FAAM e SF-36 (grupo convencional vs acelerado) aos três meses de pós-operatório foram 4 ± 1 vs 3 ± 1 pontos, 53 ± 8 vs 68 ± 3 pontos e 57 ± 15 vs 67 ± 10 pontos (P < 0,05 para cada comparação). Não houve diferenças estatisticamente significativas entre os grupos aos seis e doze meses de pós-operatório. Todos os pacientes puderam realizar o teste de elevação do calcanhar único aos seis meses e nenhum apresentou complicações.
Conclusão
Este estudo sugere que os resultados funcionais a curto prazo podem ser melhores no grupo manejado com o protocolo de reabilitação acelerada, entretanto mais dados são necessários antes que o programa acelerado possa ser recomendado de maneira rotineira.
Referências bibliográficas:
- Arunakul M, Pholsawatchai W, Arunakul P, Pitakveerakul A. Conventional vs Accelerated Rehabilitation Protocol Following Reattachment of Achilles Tendon for Insertional Achilles Tendinopathy. Foot & Ankle International. 2021;42(9):1121-1129.
Autoria

Rafael Erthal
Conteúdista médico na Afya. Médico formado na Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ), especialista em Ortopedia e Cirugia do Joelho pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO-RJ), membro do grupo de cirurgia do joelho do INTO, membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ). Mestrado em ciências do Sistema Musculoesquelético pelo INTO. Delegado da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ) no Rio de Janeiro 2023-2024. Referência no atendimento à atletas profissionais de futebol do Rio de Janeiro, com atuação em clube da Série A desde 2021 como cirurgião de joelho. Responsável pelo retorno seguro ao esporte de atletas após lesões complexas de joelho.
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