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Ortopedia5 janeiro 2026

Síndrome dolorosa complexa regional após fratura da rádio e fatores de risco

Estudo identificou fatores de risco para Síndrome Dolorosa Complexa Regional após fratura do rádio, como idade, sexo feminino, imobilização prolongada e uso de IECA.
Por Rafael Erthal

A Síndrome Dolorosa Complexa Regional (SDCR) é uma das causas de dor crônica, e pode ter relação cum um trauma ou cirurgia realizada. Apesar de ser uma complicação conhecida, os fatores que predispõem certos pacientes a desenvolvê-la ainda não são completamente entendidos.  

Um estudo recente relata os fatores de risco para o desenvolvimento de SDCR em pacientes tratados de modo não cirúrgico. Trata-se de um estudo do tipo caso controle publicado em outubro de 2025 na revista científica “Injury” por pesquisadores turcos. O objetivo do estudo foi avaliar quais foram os fatores de risco para o desenvolvimento de SDCR tipo 1 em pacientes apresentando fraturas da região distal do rádio com indicação de tratamento não cirúrgico. 

Sobre o estudo 

A amostra incluiu 56 pacientes com o diagnóstico de SDCR que foram comparados com um grupo controle de 56 pacientes. Foram avaliados nos grupos dados demográficos, tempo de imobilização recomendado e comorbidades  

Fatores de risco encontrados  

A análise revelou quatro fatores de risco independentes e estatisticamente significativos: 

  1. Idade: o grupo cursando com SDCR apresentou idade mais elevada do que o grupo controle ( 54.8 ±15.7 vs 35.8 ±15.3 anos, p <0.001). 
  2. Sexo Feminino: O sexo feminino mostrou-se um forte preditor, com 82% dos casos de SDCR a ocorrerem em mulheres, contra 32% no grupo controle.  
  3. Imobilização Prolongada: Este foi o fator de risco mais impactante. A duração média da imobilização no grupo SDCR foi de 6.4 semanas, contra 4.3 semanas no grupo controle. Uma imobilização superior a 5 semanas aumentou o risco de SDCR em quase 27 vezes. 
  4. Uso de Inibidores da ECA (IECA): A utilização de medicamentos para a hipertensão da classe dos IECA mostrou-se um forte fator de risco, aumentando a probabilidade de se desenvolver SDCR em mais de 10 vezes. 

Curiosamente, o tabagismo se apresentou como um fator de proteção para esta complicação embora este dado mereça uma interpretação cautelosa. Dados como IMC e lado afetado não apresentaram influência no risco conforme a avaliação realizada.  

Por que esses fatores são importantes? 

Alguns fatores de risco podem envolver modificações nos protocolos de tratamento, especialmente no que diz respeito ao tempo de imobilização, especialmente quando lidamos com pacientes com associação de fatores de risco como mulheres com idade aumentada e usuárias de IECA.  

O que podemos levar para casa? 

Os resultados desse estudo sugerem que a idade, o sexo feminino, a imobilização prolongada e o uso de IECA são preditores independentes para o desenvolvimento de SDCR. Reconhecer estes fatores permite identificar pacientes vulneráveis, adaptar os planos de tratamento para minimizar o desenvolvimento dessa grave complicação que tanto pode afetar a qualidade de vida dos pacientes acometidos.  

Autoria

Foto de Rafael Erthal

Rafael Erthal

Conteudista do Afya Whitebook desde 2017 ⦁  Residência em Ortopedia e Traumatologia pelo INTO ⦁  Especialista em cirurgia de joelho ⦁  Graduação em Medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF)

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Referências bibliográficas

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