A síndrome do túnel do carpo (STC) é a síndrome compressiva mais comum e pode acometer até 5% da população geral. É mais comum em pacientes diabéticos ou obesos e mais prevalente em mulheres que em homens. Os pacientes apresentam sintomas de parestesia e dor no território do nervo mediano na mão e o tratamento inicial pode ser realizado com o uso de imobilizador, mantendo o punho em neutro, e exercícios na fisioterapia.
A avaliação do nervo mediano pode ser realizada com o uso de ultrassonografia, calculando a área de seção transversal com variações de acordo com estatura, sexo e idade do paciente. Inúmeros estudos avaliaram a utilização da imobilização e exercícios no tratamento da síndrome do túnel do carpo, porém não há consenso acerca do melhor tratamento. Diante disso, foi publicado na revista “Medical Science Monitor” um estudo com o objetivo de comparar e avaliar resultados dessas formas de tratamento da síndrome do túnel do carpo.
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O ESTUDO
O estudo foi um ensaio clínico controlado, duplo-cego, randomizado realizado em uma clínica de reabilitação de Istambul, Turquia entre janeiro e junho de 2022. Foram incluídos pacientes acima de 18 anos com STC leve à moderada pela eletroneuromiografia com sintomas nos últimos três meses. Pacientes com outro sítio de compressão ou submetidos à infiltração com corticoides ou com doenças sistêmicas foram excluídos.
Os pacientes foram randomizados e alocados em dois grupos 1:1, sendo o primeiro imobilização e exercícios de deslizamento de nervos e tendões e outro apenas com exercícios. As imobilizações foram utilizadas durante 24 horas nos primeiros 10 dias e para dormir nos 20 dias seguintes. Uma série de ferramentas de avaliação foram usadas, incluindo ultrassonografia, dinamômetro, Leeds Assessment of Neuropathic Symptoms & Signs Pain Score (LANSS), Quick Disabilities of the Arm, Shoulder and Hand (Q-DASH) e 36-Item Short Form Quality of Life Scale (SF-36), para fornecer uma avaliação abrangente.
Os dois grupos tiveram resultados comparáveis no final do tratamento. Não houve diferenças estatisticamente significativas nos escores Q-DASH (P=0,326, Cohen’s d=0,067), SF-36 (P=0,329, Cohen’s d=0,218), Escala Visual Analógica de dor (P=0,521, Cohen’s d=-0,299) ou LANSS (P=0,627, Cohen’s d=0,039) entre os grupos (P>0,05). Os resultados demonstram que um regime de exercícios direcionado, quando usado isoladamente, pode obter resultados comparáveis aos obtidos por meio da integração de técnicas de imobilização.
CONCLUSÃO
Os achados do estudo colocam em dúvida a eficácia da imobilização quando comparada com uma terapia de reabilitação eficiente com exercícios. É fato que a correta orientação desses pacientes por um profissional qualificado pode ajudar a reduzir os sintomas da síndrome do túnel do carpo.
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