Os efeitos da decisão do momento correto para reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA) para melhora da função e desfechos clínicos do joelho vêm sendo amplamente debatidos. A cirurgia precoce pode reduzir as complicações pos-operatórias enquanto a atrasada pode prevenir fibrose do joelho, embora possa estar associada a atrofia muscular e força reduzida.
Embora algumas metanálises tenham envolvido o assunto, a maioria dos artigos estudados era de baixo nível de evidência, não havendo consenso sobre o timing correto da cirurgia de reconstrução de LCA. Foi publicada esse mês no Journal of the American Medical Association – JAMA uma revisão sistemática com o objetivo de sintetizar os últimos artigos comparando a intervenção precoce e tardia após lesão de LCA.

O estudo
Foram selecionados todos os ensaios clínicos randomizados publicados até setembro de 2022 comparando desfechos funcionais e clínicos e complicações associadas à reconstrução precoce ou tardia do LCA. Foram pesquisadas as bases de dados PubMed, Cochrane e Web of Science.
A metanálise incluiu 972 participantes em 11 ensaios clínicos randomizados estratificados pela duração do acompanhamento. Os seguintes fatores não diferiram entre reconstrução precoce e tardio: tempo operatório (diferença média, 4,97; 95% CI, -0,68 a 10,61; P = 0,08), nova ruptura (OR, 1,52; 95% CI, 0,52-4,43; P = 0,44) e infecção (OR, 3,80; IC 95%, 0,77-18,79; P = 0,10).
Também não houve diferenças entre os grupos na amplitude de movimento, frouxidão do joelho, pontuação do Comitê Internacional de Documentação do Joelho (escala de classificação IKDC) e pontuação de Tegner. A pontuação IKDC (diferença média, 2,77; IC 95%, 1,89-3,66; P < 0,001) e pontuação de Lysholm em 2 anos de acompanhamento (diferença média, 2,61; IC 95%, 0,74-4,48; P = 0,006 ) diferiram significativamente entre reconstrução precoce e tardia.
Saiba mais: Lesões do ligamento cruzado posterior: como abordar?
Conclusão
Essa revisão sistemática concluiu que a reconstrução do LCA precoce não foi superior à tardia em relação à maioria dos fatores analisados, exceto para os escores IKDC e Lysholm. Esta informação deve estar disponível para pacientes com lesão de ACL e médicos como parte do processo de tomada de decisão compartilhada de seleção de tratamento.
Autoria

Giovanni Vilardo Cerqueira Guedes
Editor médico na Afya. Formado em medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), em 2016. Ortopedista, Cirurgião de Mão e Microcirurgião formado pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO). Mestre em Ciências Aplicadas ao Sistema Musculoesquelético. Atua como Staff do serviço de Cirurgia de Mão do INTO e Professor Substituto de Cirurgia de Mão na Universidade Federal Fluminense (UFF).
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.