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OrtopediaJUL 2024

Qual a influência dos análogos da GLP-1 na densidade mineral óssea?

Os agonistas da GLP-1 têm sido usados no tratamento da obesidade, mas ainda há incerteza sobre seu impacto no remodelamento ósseo

Os medicamentos agonistas da GLP-1 têm sido usados com frequência no tratamento da obesidade, atuando via inibição do apetite. Entretanto, diferentemente da perda de peso natural, que geralmente vem acompanhada de redução na densidade mineral óssea (DMO), acredita-se que esses medicamentos sejam protetores nesse quesito.

O exercício físico gera uma tensão mecânica do osso e também pode aumentar a formação e preservar a saúde óssea durante a perda de peso atuando na prevenção de fraturas.

Devido à incerteza ainda presente quanto ao comportamento do remodelamento ósseo com o uso dos agonistas da GLP-1, foi publicado no último mês no Journal of the American Medical Association (JAMA) um estudo com o objetivo de investigar alterações na DMO em locais clinicamente relevantes (quadril, coluna lombar e antebraço) em resposta à perda de peso induzida por dieta seguida de tratamento de 1 ano com liraglutida, exercício isolado ou ambos os tratamentos em combinação.

 

Novos horizontes da cardiologia — diabetes e obesidade

O estudo

O ensaio clínico randomizado foi desenvolvido entre 2016 e 2019 em Copenhagen, na Dinamarca, incluindo pacientes entre 18 e 65 anos e obesos. Foram excluídos gestantes e portadores de doenças crônicas, como diabetes.

Após uma dieta hipocalórica de 8 semanas (800 kcal/dia), os participantes foram randomizados para 1 de 4 grupos por 52 semanas: um programa de exercícios de intensidade moderada a vigorosa (apenas exercícios), 3,0 mg por dia de liraglutida, a combinação dos tratamentos ou placebo. Os desfechos estudados foram peso e composição corporal, DMO (principal) do quadril, coluna lombar e antebraço distal e marcadores de turnover ósseo.

No total, 195 participantes (idade média [DP], 42,84 [11,87] anos; 124 mulheres [64%] e 71 masculino [36%]; média [DP] IMC, 37,00 [2,92]) foram randomizados, com 48 participantes no grupo exercício, 49 participantes no grupo liraglutida, 49 participantes no grupo de combinação e 49 participantes do grupo placebo. A mudança média total estimada nas perdas de peso durante o estudo foi de 7,03 kg (IC 95%, 4,25-9,80 kg) no grupo placebo, 11,19 kg (IC 95%, 8,40-13,99 kg) no grupo de exercício, 13,74 kg (IC 95%, 11,04-16,44 kg) no grupo liraglutida e 16,88 kg (IC 95%, 14,23- 19,54 kg) no grupo combinado.

No grupo de combinação, a DMO permaneceu inalterada em comparação com o grupo placebo no quadril (alteração média, -0,006 g/cm2; IC 95%, -0,017 a 0,004 g/cm2; P = 0,24) e coluna lombar (-0,010 g/cm2; IC95%, -0,025 a 0,005 g/cm2; P = 0,20). Comparado com o grupo de exercício, a DMO diminuiu para o grupo liraglutida no quadril (alteração média, -0,013 g/cm2; 95% IC, −0,024 a −0,001 g/cm2; P = 0,03) e coluna (alteração média, -0,016 g/cm2; IC 95%, -0,032 a −0,001g/cm2; P = 0,04).

 

Conclusão

No estudo, a combinação de exercício e liraglutida foi a estratégia de perda de peso mais eficaz, preservando a saúde óssea. O tratamento com liraglutido por si só reduziu a DMO em locais clinicamente relevantes mais do que apenas o exercício, apesar da perda de peso semelhante.

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