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Ortopedia19 maio 2026

Qual a epidemiologia das lesões do LCA em esportes competitivos?

Meta-análise avalia incidência de lesões do LCA por sexo, esporte e nível competitivo, destacando grupos de maior risco.

As lesões do ligamento cruzado anterior do joelho (LCA) podem levar a maior risco de artrose e redução da qualidade de vida em ex-atletas. O tempo médio para retorno ao esporte após a lesão é de cerca de 1 ano e em muitos casos há piora do desempenho com relação ao nível pré-lesão. 

Algumas características demográficas dos atletas têm sido associadas ao aumento do risco de lesão do LCA, como sexo (com mulheres com maior risco), esporte ou idade. É importante, portanto, saber quais grupos mais se beneficiariam com treinamentos específicos de prevenção. Entretanto, o assunto segue controverso na literatura atual. 

Veja mais: Como manejar a Lesão de Ligamento Cruzado Anterior (LCA)?

epidemiologia das lesões do LCA

Metodologia 

Para preencher as lacunas das pesquisas, foi publicado recentemente no “Journal of Athletic Training” uma revisão sistemática com o objetivo principal de estimar o risco de lesão primária do LCA entre sexo, esporte e nível de competição. O estudo abrangeu as bases de dados Pubmed e EBSCOcohost até março de 2025. 

Foram incluídas pesquisas realizadas em atletas que praticam esportes organizados e nas quais o número total de lesões do LCA e número total de indivíduos praticantes foram registrados. Os estudos foram excluídos se houvesse lesão secundária do LCA, a população total não foi identificada ou havia atletas poliesportivos e sem diferenciação entre atletas masculinos e femininos. Também foram excluídos praticantes de esporte recreativo ou juvenis. 

Resultados 

A pesquisa bibliográfica eletrônica rendeu 9469 estudos para revisão inicial e, ao final da busca, um total de 89 estudos foram incluídos na meta-análise. Os esportes de maior risco foram o handebol semiprofissional feminino (RI = 0,045/atleta-ano), basquete profissional feminino (IR = 0,027/ano-atleta), e esqui alpino profissional feminino (IR = 0,025/ano-atleta). Em todas as comparações de sexo, esportes e níveis, houve grandes lacunas nos dados e variabilidade nas taxas de lesões. 

Houve variabilidade nas taxas de risco de lesões entre sexo, esporte e nível de competição com o maior risco de lesões do LCA em esportes semiprofissionais e profissionais. Considerando que atletas do sexo feminino demonstraram maior risco de lesão do LCA do que atletas do sexo masculino, não há certeza se esta tendência se replica em todos os esportes ou nível.  

Mensagem final 

De acordo com as conclusões do estudo, é possível que revisões separadas por esporte e nível de competição ajudem a definir melhor o real impacto desse tipo de lesão em cada uma das populações. Na prática, um trabalho de condicionamento e prevenção para populações mais suscetíveis a lesões poderia ajudar a reduzir o número de rupturas do LCA.

Autoria

Foto de Giovanni Vilardo Cerqueira Guedes

Giovanni Vilardo Cerqueira Guedes

Editor Médico de Ortopedia da Afya ⦁  Mestre em Ciências Aplicadas ao Sistema Musculoesquelético (INTO) ⦁  Ortopedista, Cirurgião da Mão e Microcirurgião formado pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad - INTO ⦁ Graduação em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) ⦁ Fellowship em Cirurgia da Mão e Artroscopia de Punho pela International Bone Research Association - IBRA (Clínica Teknon, Barcelona, Espanha, 2022)

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Referências bibliográficas

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